A Gruta do Lou

Finanças Ok, o livro – Introdução

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Muitas pessoas, e esse pode ser o seu caso, escravizadas pela pobreza, simplesmente não sabem como se tornaram pobres ou endividadas e não tem a menor ideia de como poderiam libertar-se. Certamente, não é um problema muito fácil de solucionar, caso contrário, não existiria. Mas a realidade é bem diferente, cada vez mais ela aumenta e parece ser uma doença incurável.

No início do século XXI, fui a Porto Alegre – RS fazer algumas palestras de Desenvolvimento (Comunicações e Captação de Recursos) a um grupo formado por pessoas que trabalham em ONGs Cristãs envolvidas no trabalho de Recuperação de Dependentes Químicos. No aeroporto, antes de embarcar no avião que me traria de volta a São Paulo, passei por uma livraria atento à possibilidade de alcançar alguma leitura interessante para realizar durante a viagem. Saí com o livro “Pai Rico, Pai Pobre” debaixo do braço. Resumindo, li um bom manual, cuja virtude é ensinar como se posicionar na vida financeira. Pouco tempo depois, adquiri o livro 2 do que viria a ser uma série e os ensinamentos continuaram. Entre muitas coisas legais, achei interessante a afirmação de que nossa formação escolar ensina muito pouco sobre finanças, atividade que irá ocupar a maior parte de nossas vidas.

Particularmente, tive o privilégio de fazer meu curso ginasial no Sistema de Ensino Vocacional que, infelizmente, foi fechado durante o governo militar, nos anos sessenta. No nosso currículo havia a matéria chamada Práticas Comerciais e aprendemos alguma coisa formadora na área de finanças. Foi pouco, mas melhor que nada, como acontece na educação da maioria das pessoas.

Em muitas culturas, a formação financeira acontece em casa, especialmente com os povos do oriente médio. Os judeus, mesmo durante o tempo de exílio, sustentaram esse costume e eles são, geralmente, muito bem preparados para enfrentar a vida financeira. Piadas, à parte, eles não jogam dinheiro no lixo.

No momento em que escrevo essas linhas, estou na casa dos sessenta anos. Minha vida financeira foi uma grande sequência de equívocos de organização administrativa. Mudei várias vezes de atividade, começando como assessor de produção de outdoors (com meu pai), professor de educação física, passando pela atividade de desenvolvimento (comunicação e captação de recursos), Fundraiser, direção de creches municipais, empresário no ramo de transporte de malotes internacionais, professor de teologia, pastorado, técnico em processamento de dados e informática e, finalmente, a consultoria para organizações sem fins lucrativos. Credito esse desacerto todo à falta de preparo adequado para o que seria o aspecto mais importante de meus dias por aqui.

Meu pai não conseguiu me ajudar nesse tema e talvez nunca tenha chegado a pensar nessa possibilidade e minha mãe que experimentou a educação das freiras em um orfanato em Guaratingueta, na base do cada um para si, tão pouco imaginou que me ensinar a lidar com dinheiro fosse o papel dela, também.

O resultado foi uma grande inconstância, para não dizer incompetência, ao longo da vida, com altos e baixos e, talvez mais baixos que altos, onde as maiores vítimas foram as pessoas da minha família, como minha esposa e filhos. Meu nome esteve tantas vezes nas listas de devedores que o pessoal administrador desses cadastros funestos até estranhava quando não estava neles. Parece que até mantinham um sistema de apostas cujo vencedor era aquele que conseguisse adivinhar em quanto tempo meu nome estaria de volta aos arquivos deles. Geralmente, quem apostava no menor tempo, vencia.

O autor do livro Pai Rico, Pai Pobre, entre outras coisas, menciona um jogo didático onde há uma fase denominada “corrida dos ratos”, que inclui os participantes que estão lutando para ficar vivos no jogo, e o objetivo seria escapar da corrida através de bons negócios. Outro jogo muito interessante e que, a meu ver, deveria fazer parte da formação de todos nós é o famoso Banco Imobiliário, com o acréscimo de algum orientador capaz de levar os participantes a entender a dinâmica financeira ali contida. A conclusão é óbvia, não conseguia escapar à corrida dos ratos, permanecendo muito tempo como perdedor, no jogo da vida.

A pergunta que não quer calar é o que teria um perdedor a dizer aos outros sobre um tema no qual ele se deu mal? Certamente não será algo do tipo “como fazer”. Entretanto, me dei conta, de repente, da importância de falar sobre o que me faltou, como a questão da preparação e formação mencionada, bem como uma análise bem humorada das asneiras financeiras que pratiquei durante muito tempo. Talvez essa abordagem, do ponto de vista de quem perdeu o jogo, possa ajudar o leitor (ou seu vizinho) a se tornar um vencedor,

Alguns anos atrás, participei de um curso sobre saúde financeira produzido e dirigido pela conhecida igreja Willow Creack sob comando do pastor Bill Hybels. Uma irmã norte americana, especialista em finanças, ministrou a matéria. A partir de então comecei a acalentar a possibilidade de escrever e falar sobre minha experiência, de alguém que fez quase tudo errado, ao contrário da irmã gringa e em um contexto mais terceiro mundista, onde o menos esperto dá nó de marinheiro em pingo d’água.

Vale lembrar aqui, o fato de que Jesus Cristo perdeu para que todos nós viéssemos a ganhar. Claro que meu objetivo não foi tão altruísta assim, pois queria vencer e acabei perdendo, mas minha experiência negativa poderia servir para formar futuros ganhadores, creio.

Ao longo desse livro há muitas citações de textos bíblicos, o que não é casual. Acredito que a Bíblia continua sendo fonte riquíssima para educar e manter a nossa saúde financeira, sem falar no resto.

Esta brilhante verdade foi falada por Paulo: “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que pela sua pobreza fósseis enriquecidos” ( II Coríntios 8:9 ).

A ideia cristã de formar uma Igreja é, em última análise, uma proposta de harmonia comunitária. Jesus Cristo não buscou a própria riqueza, antes a sacrificou para que todos, sem exceção, fossem ricos. Para isso ele não sacrificou bens materiais, apenas. Sacrificou-se por inteiro. Sua espiritualidade, suas emoções, seu intelecto e seu corpo.

A vontade de Deus expressa no corpo do homem é vida e saúde; em sua mente é sabedoria, harmonia, amor, gozo e paz; em suas atividades se expressa com sustento e bom êxito. (R. Lynch)

lousign

2 thoughts on “Finanças Ok, o livro – Introdução

  1. Se a introdução está boa assim, não perdeirei nenhum capítulo, sem contar que farei questão de comprar o livro, que óbvio, você venderá.

    Finanças ainda é assunto tabu, e mais, ainda é a causa de nossos desgostos, depravações e vergonha.

    Talvez não devesse ser assim.

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