A Gruta do Lou

Férias Senhor, por favor!

Punta Del Este

Acho que estamos precisando de férias. Colei essa frase e a idéia da Adélia Prado, grande poeta, escritora e, sobretudo, uma grande mulher, que não tem medo e nem raiva de ser simplesmente mulher.

Engraçado porque, a última vez que trabalhei com carteira assinada foi em 1994, na Administração das Igrejas Mana, sim é essa mesma que você está pensando. Trabalhei lá, mas confesso: não assimilei a teologia do Apóstolo, embora a tenha conhecido, como poucos. Claro que tenho umas empresas abertas, a Lhmbrasil e a Servibras. Não estranhe os nomes. Eu achava que se tinha dado certo com o Washington Olivetto, colocar Brasil no nome da empresa, ia dar certo comigo, também. Agora já sei que o mais importante é a competência. Elas são só alguns papéis em um dos meus arquivos velhos, na maior parte desses anos. Se tivesse recolhido o INSS certinho de 1994 até agora, poderia me aposentar, pois tempo de trabalho eu já teria, já que comecei em 1970.

Mas quando você começa a sentir-se um estranho no ninho, em sua própria casa, não diz mais: “boa noite” e nem “bom dia” para o pessoal e não tem vontade de consertar o chuveiro queimado do banheiro de sua filha, chegou a hora de tirar férias.

Sairemos de férias, assim que resolver alguns probleminhas nas próximas semanas, como o tratamento de nosso filho e encontrar uma nova casa mesmo sem nenhum dos pré-requisitos necessários. Sempre me lembro do Adalberto, nessas horas. Uma vez em que estávamos nessa situação ele queria nos mandar para morar nas favelas de Diadema. Nada contra os favelados e, muito menos contra Diadema, mas acho que não me adaptaria muito bem em uma favela. Alguém ia acabar assassinado.

Sou grato a Deus por ter alguma teologia em minha cabeça. Sabe, eu continuo dizendo: “Em nome de Jesus” no fim de minhas orações iniciadas com “Pai celestial”. Sinto culpa quando piso na bola e tristeza quando penso em Deus vendo seu único filho sendo massacrado daquele jeito. Sempre me pergunto se Ele se entristece quando vê a nossa sina. Já contei daquela vez no hospital em que senti Deus tristonho sentado a meu lado, em um banco solitário, em meio a um big corredor deserto. Sendo assim, fico com esse sentimento esquisito de que, apesar da aparente ausência, o Barba branca fará das dele, ainda, em nosso benefício.

Quando o Manning fala daquele método dele de ir para o quintal ler a bíblia e orar, sinto vontade de fazer isso, apesar de todo legalismo embutido. Só que, no meu caso, é no meu quarto mesmo. Quintal, para mim, é lugar de fazer teologia brasileira. Essa cheia de graça que estamos querendo empurrar para cima de vocês. Adoraria chegar ao fim de um período desses e poder dizer a tal frase dos discípulos: “Quem é esse que até os ventos e as tempestades se lhe obedecem?”.

Nos tempos das vacas gordas, saiamos em férias, mesmo daquelas de um dia. Resolvia. Ninguém agüenta tanta pressão. Martin Luther King deve ter experimentado essa situação, pois falava dela com conhecimento de causa: “Um homem desempregado não pode ficar em casa, deve sair todos os dias a procura de emprego, mesmo que sob intensa tempestade”. Queria muito seguir esse conselho, mas nem disso sou capaz. Na verdade, acredito que com a Internet é possível buscar trabalho com maior sucesso e eficácia que o velho método de andar e bater de porta-em –porta. Deu certo algumas vezes, nesses tempos de escassez. Fui a São João Del Rei e Campestre, além de conseguir várias coisinhas em São Paulo. Depois que mudei de provedor, as consultas despencaram em meu site e, como isso, as oportunidades de ganhar um dinheirinho para amenizar as coisas. Agora consegui alojar o site na Locaweb, de novo, se bem que gratuitamente. Vamos ver se volta a funcionar como antes.

Uma tarde dessas acabei tendo que ficar várias horas no centro da cidade. Não perguntei por emprego a ninguém, fiquei feito barata tonta pelo mercado municipal e ruas cheias de gente que não me ligava a mínima.

Engraçado é que não consigo me ver atrás de uma mesa contando dinheiro dos outros ou vestido com aquela roupinha ridícula de professor de Educação Física, agüentando um bando de adolescentes sem educação. Para ser franco, até a consultoria anda me dando náuseas. Quando ouço os consultores modernos falando, cheios de termos em inglês e aprendizados adquiridos no último livro do Kotler ou em algum curso de marketing mixuruca, por aí, tenho vontade de me transladar para a praia de Toque-toque-pequeno e tomar umas seiscentas caipiroskas, enquanto leio Borges (claro que não estou falando dos meus amigos e competentíssimos consultores como Volney , Adiron e Andrezza). Acho que mamãe tinha razão, finalmente consegui chegar onde ela sempre me quis, a vagabundagem, afinal ela sempre me disse que eu seria um vagabundo, igualzinho ao meu pai (o que não é verdade… meu pai estava longe de sê-lo, para horror dela, os defeitos dele eram outros).

Não quero ser pastor, tão pouco, embora muitos não acreditem, acho que nunca quis, de fato. Agora muito menos. No máximo umas palestrinhas narrando e expondo coisas bíblicas em algum lugar abençoado por Deus e bonito por natureza.

Talvez o grandão lá em cima resolva dar uma piscada para mim, nessa semana. Assim que puser tudo em ordem, saímos de férias. Não sei aonde iremos ainda. Minha companheira precisa participar dessa decisão. Por mim iria à Grécia, mas ela prefere o Egito. Talvez metade cá e metade lá. Só não prometo fazer aquela loucura de subir até o topo da Pirâmide outra vez. Uma vez basta. Estou certo que não sou nenhum Ramsés. Pode ser um meio termo como Punta del Este. Quem sabe?

Claro que um Guarujazinho básico serviria, nessa altura, mesmo por uma semana só. Para quem não vê praia há uns quatorze anos, seria muito bom. Vocês que acordam todos os dias de frente para o mar são abençoados de Deus e nem se deram conta, na maioria das vezes. Por favor, não se preocupe em me arrumar lugar para as férias ou coisa assim. Agradeço, desde já. Um dos grandes baratos de umas férias boas é descolar o lugar junto com a companheira e não quero perder esse prazer por nada. Viva as férias!

10 thoughts on “Férias Senhor, por favor!

  1. Oi Lou… tomara que vcs escolham um lugar bem bacaninha e gostoso, todos precisamos de férias !!
    Sabe de uma coisa, é muito legal essa sua idéia de responder os comentários, a gente se sente mais próximo e isso é o que vale!
    Abraços
    Alice

  2. Alice

    Sempre que posso replico os comentários com esse objetivo: interação. Infelizmente, nem sempre é possível. Mas vamos em frente.

  3. Fazer férias é fundamental. Nós por aqui estamos precisando de umas urgente!!!

    Também acho legal que vc anda respondendo os nossos comentários. Eu, no momento só estou dando conta de visitar o pessoal e mesmo assim aqueles que postam todos os dia tô deixando falha, rs.

    Bom dia boa semana

  4. Georgia

    Se estão precisando de férias, larguem tudo e saiam de férias. 🙂 Tento responder os comentários, nem sempre é possível, espero que o pessoal compreenda bem o propósito e acho que entenderão sim.

  5. Lou

    Realmente gravata só quando a situação me obriga…

    Se os consultores ainda lessem o Kotler estaríamos melhor…o problema é ler todos os livrinhos de auto ajuda em negócios

    Obrigado pelo elogio. Admito que uma das minhas competências é reconhecer o que não sei e pedir ajuda a quem é do ramo

    Abraços

    Ah…a Andrezza agradece a inclusão dela na sua lista

  6. Fábio

    É mesmo, se eles ao menos lessem e não ficassem por aí feito papagaios…
    Ah” Sou testemunha de sua competência. 🙂
    A Andrezza merece ser citada, certo?

  7. Jorge

    Dessa vez não mudei, apena experimentei. Os maiores problemas não estão na parte visual, então o pessoal não consegue ver onde eles estão. Esse é o que funciona melhor, não é 100% e não se parece com o propósito da Gruta ou com o meu.
    Template é como construir uma casa. Você senta e ouve o que o cliente quer. Se você fosse do ramo, entenderia o que estou a dizer. 🙂

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