A Gruta do Lou

Feminismo, machismo e velhos ultrapassados

Lendo um post bem feminista da Rosana Hermann, resolvi fazer algumas considerações. Em primeiro lugar, se alguém quiser me mandar embora é só começar um discurso feminista ou machista. Não tenho estômago para tamanha babaquice. Entretanto, sou vítima de outro preconceito atualmente e aproveitarei esse espaço livre e democrático para reclamar.

Como bem disse a Rosana, sou um cavalheiro em plena meia idade, considerando que viverei 112 anos, provavelmente. Quando ninguém falava em ONGs e muito menos em administra-las eu já era um consultor bem treinado no assunto. Engraçado constatar a quantidade de PHDs no assunto, hoje em dia. Deve haver algum planeta mandando profissionais para a terra.

Morro de pena de mim mesmo. Um talento como eu sentado aqui na frente desse monitor velho (nem LCD ele é) escrevendo bobagens, diariamente, na falta de algo melhor para fazer.

Não é muito fácil entender as razões originarias de tal situação. Geralmente, as pessoas assumem a culpa total por não serem incluídas. Também já fiz muito isso. Se não fosse o fato dessa atitude nos deprimir, ainda teríamos que encarar a rejeição, o preterimento e o preconceito, se não for tudo a mesma coisa.

A Rosana se sente culpada por ser mulher (típico nas pessoas que não conseguem aceitar o papel inevitável que lhes coube nessa vida) e eu tento não cair nessa cilada. Não tenho culpa de ser homem e ser considerado velho e, portanto, ultrapassado. São os outros que fazem isso e não eu. Azar deles. O problema é que são eles os detentores do poder de mudar minha situação.

Às vezes me sinto como aquele personagem de Beleza Americana, interpretado pelo Kevin Spacey, e tenho vontade de sair por ai fazendo ginástica, usando roupas impróprias a um senhor, deixando uma tatuagem em evidência e pilotando uma moto cross de 400 cc. Mas nunca sucumbi à tamanha idiotice.

Alguns dos meus conhecidos me aconselham a orar (meu amigo de Avaré não me ligou mais, por que será? Deve ter entendido tudo errado.) e confiar em Deus, pois certamente o divino há de conseguir um posto de trabalho para mim. Evidentemente, o Maioral escolheria um cara pecador e ocasionaria a dispensa dele só para me contemplar. Prefiro não pedir certas coisas a Deus afim de não prejudicar ninguém, especialmente um posto de trabalho. Não há trabalho para todas as pessoas. Só uma em cinco pessoas que são arrimo de família conseguem trabalho nesse nosso planetinha água.

Não sei direito como sair dessa enrascada. Aliás, já faz uns quinze anos que estou nela e ainda não encontrei a saída, descontando um tempinho que voltei a dar aulas de Educação Física ( os alunos não gostaram de ter um professor de EF velho) e o tempo em que trabalhei na Igreja do Jorge Tadeu em processamento de dados e uma profeta foi, divinamente, informada que a causa daquela igreja não prosperar no Brasil se devia à presença de um funcionário não adepto à doutrina da prosperidade no meio (eu no caso). Depois que eu fui enxotado de lá, eles prosperaram muito, como todos sabem ou seja, fecharam quase todas as Igrejas Maná, no Brasil.

Ainda bem. Deus escreveu certo por linhas tortas. Mas não precisava ser eu a linha torta. Fora isso, tenho comido (família inclusa) o pão amassado pelo diabo, paradoxalmente.

Também é paradoxal o fato de que estou em um dia feliz. Grutense é que nem aquele povo no meio do Tsunami. Vem uma onda e a gente se agarra no primeiro coqueiro a vista e fica lá engolindo água salgada salpicada de dejetos humanos. Ai a maré baixa, quase some na praia. É nesse tempo que descemos do coqueiro e nos refestelamos, até vir à próxima onda e nos arrastar de volta ao coqueiro e todas aquelas coisas, quando não morremos. Hoje, eu desci do coqueiro até que venha a próxima onda.

Bom, se alguém quiser contratar para sua ONG um senhor bem casado, bonitão (silhueta árabe com barriga), pouco cabelo (isso evita contaminação) quase branco, com sérios conhecimentos em administração de organizações sem fins lucrativos (creches, orfanatos, hospitais, escolas, clubes, etc…), bom papo, simpático, um pouco desastrado, engraçado, com sólidos conhecimentos dos interesses do Bill Gates e cia, e bom em propaganda dessa área (das ONGs), me avise. Mas nem adianta vir com pobreza, meu microcomputador está programado para descartar ofertas franciscanas.

Já sei, continuarei na mesma, se depender de você. Paciência.

8 thoughts on “Feminismo, machismo e velhos ultrapassados

  1. Ale
    O que nós não sabemos ou procuramos não saber é que, como em um tsunami, a próxima onda é inevitável e de intensidade imprevista. Mas, sem dúvida, assim que a água baixa agimos como se nada tivesse acontecido.

  2. Ehehehe.. mais um texto para eu sorrir! 🙂
    Gsotei muito do teu novo visual Lou!! Lindo!
    E vejo muito melhor.. o outro tinha de descer… descer… descer…. enfim, como um bom grutense precisa de fazer! 🙂

  3. Que dizer?
    só você sabe a resposta…
    entretanto…
    eu também estou por aqui…
    ainda que “ausente”…
    presente!
    God bless you.
    T.

  4. Pingback: Lou Mello

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