A Gruta do Lou

Feliz Natal?

Creio que algumas pessoas gostariam de ler um post alusivo ao Natal, afinal hoje é a tal véspera e é isso que a maioria está devotando seu dia e seus textos. Escrever sobre o Natal, geralmente, implica em otimismo, sentimentalismo, religiosidade, etc. Entretanto, estamos na Gruta e eu sou um baita pessimista, como é sabido.

Agora veja se não tenho alguma razão. Primeiro o tal significado religioso da data, segundo os estudiosos, 25 de dezembro seria a data menos provável ao nascimento de Jesus, se não for por outras razões, a mais evidente é que todas as narrativas disponíveis do fato não citam o frio que deveria estar cobrindo a região onde o Salvador dos cristãos teria nascido, nessa época. Se o menino Jesus nascesse no inverno, dentro de uma gruta próxima a Belém, com certeza, os narradores não esqueceriam o fato. Sendo assim, querer transformar esse evento em uma festa religiosa é, no mínimo, um baita forçar de barra, pois esse dia não teria nada a ver com o rebento divino.

Depois, tudo que sabemos sobre Natal é importado. Papai Noel e sua extravagante roupa vermelha com babados brancos, sua cor, seus olhos claros e seu barrigão, tudo isso ajeitado em um trenó puxado por renas, em meio a muita neve é muito bizarro para nós, que somos todos meio tudo, meio brancos, meio negros e meio índios, sem falar que nossa árvore genealógica sempre contem algum fugitivo europeu, salvo algumas raras pessoas que ainda conservam descendência quase pura. Os homens, por aqui, são loucos pelas morenas e as mulheres pelos negros, bom, ultimamente essa equação anda meio invertida, com os homens preferindo os negros e as mulheres as morenas. Mas o Tonicodemus ainda conseguirá mudar isso com todo apoio que recebe da Sepal, da Mundo Cristão e do Mackenzie.

Nada contra reunir a família em torno de uma mesa repleta de comida pouco usual e bebidas exóticas. Também não reprovo quem faça alguma oração de agradecimento antes de atacar aves e animais com unhas fendidas (seja lá o que isso possa significar). Como Paulo, precisamos de certo jogo de cintura nessas horas e fazer-nos fracos com os fracos. Só não entendo porque soltam fogos nessa data, conhecendo o fim que teve Jesus, inclusive o que lhe damos hoje, deveríamos prantear em respeito a tanto sofrimento, né não?

Por aqui, a coisa será pobre, como parece querer São Francisco e Madre Tereza. A Caixa Econômica Federal, a H2A e o Grupo Sul América deram sua contribuição para nossa miséria, um depositou nossa devolução em cheque e a outra tratou de não processar a compensação,  fora a outra que não me pagou nem uma mera indenização depois de tudo que fiz por lá, em tempo de pagarmos a conta dos supermercados e comprarmos mais alguma penosa para completar nossa mesa. Quem sabe um vinhozinho italiano ou francês. Vamos de Perú da sogra e suco de saquinho, mesmo. Nessas horas sinto não ter fé para fazer uns raios caírem em certas cabeças.

Bom, depois disso, e com toda a hipocrisia de que sou capaz de produzir, desejo a todos os grutenses e leitores corajosos avulsos um Feliz Natal, se é que isso possa ser possível depois de financiarem seus Ipods, Iphones e ainda serem obrigados a ouvir certas reclamações e nenhuma ajuda para lavar a louça natalina.

3 thoughts on “Feliz Natal?

  1. Como eu suspeitava, a breguice é uma arma poderosa do mercado! Na Gruta, a desconfiança contra os rituais é a primeira lição de liberdade. Beijo em todos aí!

    Sem dúvida, somos desconfiados contra os rituais e, também, buscamos a liberdade com todas as nossas forças. Mas ainda não tinha juntado as palavras desse jeito. Gostei muito e vou adotar como um dogma, daqui para frente. Ai daquele que não cumprir, no mínimo, morrerás.

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