Fale como se fosse uma espada


Não importa o que você pretenda comunicar, falando ou escrevendo procure ser bem objetivo e fale como se estivesse conversando com seu melhor amigo. Aqui em casa, usamos a expressão “Corta reto” quando alguém começa a enrolar.

O Dr. Shedd, certa vez, compartilhou uma viagem que fez à Bolívia para visitar sua irmã, que fazia um trabalho missionário lá. Ele e a família viajaram de avião até La Paz, depois de ônibus até uma pequena cidade de onde partiram montados em lombo de burros por uma estrada que dava voltas em torno das montanhas até chegar ao local da missão, já anoitecendo. Sem luz elétrica, todos foram dormir cedo. No dia seguinte, ele abriu a janela e pode ver a cidade de onde haviam partido e percebeu que se fosse possível viajar em linha reta teriam gasto a metade do tempo.

Em nossos tempos de campanha do livro “Força para Viver” (aquela que o Silas quase jogou  pelo ralo”) aproveitávamos nosso tempo livre para jogar conversa fiada fora, e falar dos ausentes era o prato predileto. Foi a primeira vez que ouvi a seguinte colocação: “A diferença entre os pastores Caio Fábio e o Robinson Cavalcanti é: O Robison diz coisas complicadas de maneira descomplicada e o Caio faz exatamente o inverso”.

Resolvi compartilhar esse princípio de comunicação depois de ler textos e cartas abertas do pessoal envolvido no debate relacionado à tal Teologia Integral, adotada por uma ou duas igrejas por aí, se muito, que insiste em propor suas teses de forma absolutamente rebuscada e quase não inteligível. Em português mais claro, eles não escrevem, enrolam como se não quisessem que seus leitores entendessem seus textos ou, sobre o que não entendem fazem ousadas asseverações, como disse o apóstolo Paulo aos corinthianos.

“Seria proveitoso que os escritores medíocres (alemães no original) chegassem à conclusão, de que, embora de fato se deva pensar como um grande espírito, sempre que possível, deve-se falar a mesma linguagem das outras pessoas”.

Palavras ordinárias são usadas para dizer coisas extraordinárias; mas eles fazem o contrário. Nós os vemos esforçados em disfarçar conceitos triviais com palavras nobres, em vestir seus pensamentos muito ordinários com as mais extraordinárias expressões, as fórmulas mais rebuscadas, mais pretensiosas e mais raras. Suas frases são sempre como que carregadas em liteiras.

Com referência a esse gosto pelo bombástico em estilo exagerado, pomposo, preciosista, hiperbólico e acrobático, seu protótipo é o alferes Pistol, a quem seu amigo Falstaff certa vez bradou, perdendo a paciência:

“Diga o que tem a dizer como uma pessoa deste mundo”*

  • Citação da peça Henrique IV (parte 2, ato 5, cena 3), de William Shakespeare (1564 – 1616)

Arthur Schopenhauer em A Arte de Escrever