A Gruta do Lou

Evangélico maltrapilho

“Os maltrapilhos não sentam-se para serem servidos, eles ajoelham-se para servir”.

“Os maltrapilhos são peregrinos que passam a noite no hotel da Terra, sem desfazer as malas e prontos para partir.”

Brennam Manning

Quando trabalhei na Igreja Cristo Salva, do Pr. Tio Cássio, tinha minha mala norte americana, daquelas que a maioria dos professores universitários utiliza, adquirida em uma loja do Office Depot de Miami, sempre comigo e, dentro dela, todos os apetrechos necessários ao meu trabalho. Um dia, alguém me perguntou o que eu carregava naquela mala tão grande, todos os dias. Então resolvi aliviar a curiosidade do cara e expliquei: Aqui nessa Igreja ninguém tem lugar cativo, um dia você está em uma sala e no outro, vem a Tia Noely (Esposa do pastor) e você é enviado para outra, ou para a rua. Sendo assim, eu só preciso pegar minha mala e seguir na direção indicada, rapidinho.

Creio ser um maltrapilho e um peregrino por vocação celeste. Minha sina maltrapilha me mantém humilde, do tipo que me faz sentar na beira da cama, todas as noites, e orar por uma boa noite de descanso em minha casa e um novo dia de paz para toda a humanidade, sem me preocupar com qual seria a teologia melhor ou com quem está certo nessa batalha de egos. Para gente como eu, tanto faz ser batizado por imersão ou por diversão. Nosso negócio é tirar a camisa do corpo e dar a alguém como nós, mesmo que ao chegar em casa sejamos recebidos como idiotas.

Também sou um maltrapilho porque gasto meu tempo imaginando meios e estratégias para diminuir dores. Mas a maior evidência de minha mendicância é nunca pensar que estou bem ou certo. Busco apenas estar feliz e me entristecer se alguém à minha volta não está. Além disso, sinto-me miserável e responsável por tudo que acontece de ruim por perto.

Se obter sucesso é 90% sorte e 10% oportunidade, como ensinam os melhores livros de auto-ajuda norte americanos, nós estamos fora dessa possibilidade. Um maltrapilho autêntico desconhece as duas coisas, a primeira por nunca a ter encontrado e a segunda, por sempre fugir de nós.

Nossa história se resume em sempre fugir do alvo em algum navio contrário qualquer, para pular em alto mar e ser engolidos por algum peixe monstruoso, que nos vomitará exatamente onde devíamos estar para servir alguém aflito. Não sem antes suplicar por nossa redenção.

Nasci em lar católico, me converti em uma Igreja Pentecostal e depois me transferi para a Igreja Batista e não me importo se chamam-me cristão, evangélico, vagabundo ou peregrino. Sei o que sou, um evangélico maltrapilho, a condição que me permite orar e servir.

15 thoughts on “Evangélico maltrapilho

  1. Isso é humildade cristã: se colocar na condição de igualdade com os rejeitados e excluídos deste mundo.
    Pode ter certeza meu irmão que isso sim é ser luz.
    Deus o abençoe com sabedoria e entendimento
    para conduzir este ministério.

  2. Jonatas
    Uma percepção do evangelho muito bem sacada pelo Manning no excelente livro Evangelho Maltrapilho. A ideia do Mestre foi clara: “Quem quer ser o maior sirva aos outros”, em outras palavras, não há lugar para maiores ou hierarquias reducionistas e autoritárias. Só há lugar para tratar aos outros como desejamos ser tratados. Obrigado por suas palavras e comentário.

  3. Pra falar a verdade…ultimamente, eu nem sei se posso me enquadrar em alguma coisa,tipo: cristã,evangélica,vagabunda ou maltrapilha…o último barco que eu entrei,está à deriva…faz tempo que eu não piso em terra firme.

  4. Raquel
    Realmente você não precisa se enquadrar em nada disso, necessita sentir certeza do que você espera, apenas. Continuamos aguardando e orando pelo melhor para você. Deus te abençoe

  5. Só pra mostrar que estou vivo, apesar de ausente.
    É uma das características do maltrapilho, não? Aparece quando menos se espera e some sem motivo algum…

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