A Gruta do Lou

Esses maravilhosos pessimistas de araque, mas ousados.

“Ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar é perder-se”.

Soren Kierkegaard

Não há um otimista autêntico. A mim, caras otimistas demais soam pedantes. Prefiro mil vezes ler ou ouvir um bom pessimista. Talvez isso explique a definição do Brabo a meu respeito, “um otimista em pele de lobo pessimista”. Geralmente, os pessimistas inteligentes expressam-se com graça, fazendo piada com suas próprias desgraças e rindo deles próprios. Soa simpático. O ator inglês Hugh Grant, pouco reconhecido por alguma virtude nas artes dramáticas, ao contrário da maioria dos atores ingleses, é um exímio utilizador da técnica de expressão pessimista e é faz disso a sua melhor oportunidade. Nesse caso, pouco importa se o sujeito é um pessimista autêntico ou charlatão, feito eu. Mesmo o cara mais pessimista do mundo, dificilmente o será completamente. Os autênticos morrem ou enlouquecem.

Alguém disse algo sobre a necessidade de arriscar-se. Paul J. Mayer, um dos melhores motivadores norte-americanos da história, adorava mencionar a história do João Mediocre, segundo Paul, a inscrição em sua lápide diz: um cara que nunca correu riscos e morreu assim, entrando para história como Mister João Mediocre.

Mencionar nossas mazelas, sem dúvida, é um método poderoso de comunicação. Essa pele pessimista nos empresta simpatia e humor. Em um blog onde os convidados são os últimos, os quais Jesus desejou transformar nos primeiros, diante da negativa dos outros (E ajuntou-se a ele todo o homem que se achava em aperto, e todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso, e ele se fez capitão deles; e eram com ele uns quatrocentos homens – I Samuel 22:2), se nos expressássemos feito um peru batendo as asas e gorgolejando otimismos arrogantes, nosso exército não seria formado por quatro, quanto mais por quatrocentos, diria nosso mestre em comunicação Davi.

Segundo o Ruben Cesar Fernandes, presidente da Associação Viva Rio, a Igreja Universal é o psicólogo dos pobres. Com essa afirmação ele acerta em várias itens, um deles, sub-repticiamente, esconde uma imensa verdade, nos itens desintegradores da igreja está presente, entre os maiores, a psicologia. Desde os tempos de Kierkegaard, pastores se arvoraram em psicólogos e vice versa. A boa teologia sumiu dos púlpitos dando lugar a teorias ocas sobre relacionamentos e origens equivocadas dos problemas. A maior delas, a culpa, conquistada com a farsa do conceito do pecado original, lançou a cristandade na maior angústia da paróquia. Em tempos modernos, doutrinas da prosperidade ultrapassaram os consultórios dos abomináveis psicólogos e vieram alojar-se na Igreja, na esteira das tolices freudianas, redundando na assertiva do Ruben. Nada contra o ensino otimista da prosperidade e tudo em relação a isso ser realizado em solo sagrado.

Mas na Gruta, não nos arvoramos a bestas. Aqui o negócio é sair da miséria, da tristeza e da doença. Nada melhor do que ler e estudar gente como Napoleon Hill, Emmet Fox, Dale Carnegie, Norma Vincent Peale, Catherine Ponder, etc. Aliás, a Bispa Sônia poderia vir a ser uma das nossas, ela costuma manter seu exemplar de “As leis dinâmicas da prosperidade” bem a mão. A Catherine foi mais uma a chupar as idéias do Hill sem dar-lhe os créditos. Mas nisso ela não é a única culpada, gente como Hagin, Warren, Mayer, Malafaya e toda essa gente otimista, estão com ela.

No fim, bastava só seguir o princípio do Kierkegaard: Ousar.

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