A Gruta do Lou

Enfim, a solução para os problemas do trânsito de São Paulo

.

Trânsito Paulistano
Trânsito Paulistano


São Paulo durante o período escolar

 

O pessoal, mundo afora, hesita em conceder a São Paulo o título de maior cidade do mundo. Uns alegam que há cidades com maior população, ou maior extensão territorial ou ainda, mais cães por metro quadrado, mas de minha parte São Paulo é a maior cidade do planeta. Digo isso porque ainda não tive a oportunidade de conhecer outros planetas, apenas viajei por outros continentes e não encontrei cidade maior, nem aqui nem acolá. Encontrei sim, uma ou outra mais caótica, como Calcutá, Cidade do México e a Cidade do Cairo.

Os paulistas passam a maior parte do ano chorando por causa do trânsito, cada vez mais intransponível. Imbecis de plantão propõem a retirada dos autos das ruas, outros preferem proibir o trânsito de caminhões e há quem alimente o desejo secreto de liquidar com as motos, como esse que vos escreve. Pode não resolver o problema do trânsito, mas satisfaria meu desejo de vingança contra os motoqueiros, esses seres abomináveis.

Acontece que fui a São Paulo ontem via Rodovia Castelo Branco, primeiro fui até a casa de minha mãe, na zona sul da cidade, utilizando a marginal do Pinheiros, a ponte da Globo e a Av. Batizada com o nome do falecido dono da Globo e pimba, cheguei “on time”, bem na hora de filar a boia na casa da velhinha sacana. Foi preciso lembrar meu aniversário passado no último dia 8 para ela se coçar e me dar algo em nome de um presente alusivo à data, uma daquelas ninharias de sempre. Depois de me fartar de tanto comer, sai de lá e segui rumo ao Bexiga, onde participaria de uma reunião com o pessoal de captação de recursos das Casas Taiguara, utilizando o Av. 23 de maio, desde Av. Santa Catarina até a alça de acesso ao elevado Costa e Silva, uma antigo general dos tempos da ditadura militar. Depois da reunião, tomei rumo pelo elevado, Av. Francisco Matarazzo, Av. Pompéia e Marginal do Tiete, até a Rodovia Castelo Branco, por fim a bela de formosa Sorocaba.

Você não acreditará, eu sei, mas em todo esse trajeto sinistro, e os que conhecem a cidade sabem do que estou falando, não enfrentei um só segundo de trânsito intenso, que fluía como se São Paulo, além de maior e melhor cidade do mundo, não soubesse o significado da expressão “tráfego intenso” ou como prefere a Globo, “quilômetros de transito parado”. Qual seria a razão desse fenômeno? Será que todas as igrejas e seus membros teriam finalmente dobrado os joelhos e clamado clamor capaz de chegar as narinas do mal humorado criador de tudo?

Não, esse milagre não aconteceu e, infelizmente, não acredito que acontecerá. A razão do fenômeno São Paulo sem trânsito é a mais completa ausência de escolas, ou melhor, nas escolas. No momento em que me dei conta disso, não consegui evitar um pensamento conclusivo e obvio: “Eis a solução para o problema do trânsito, acabar com as escolas”.

O Ivan Illich escreveu “Sociedade sem Escolas” (à disposição em nossa aba de downloads, free). Portanto, se você acha que fiquei louco, houve quem enlouquecesse antes de mim. Hoje em dia, escolas não servem para mais nada, a não ser livrar a cara de pais que querem seu espaço, suas vidas de volta ou insistir em fazer parte do trabalho escravo e, claro, livrar-se da tarefa inglória de educar seus rebentos ou ainda, divorciar-se, simplesmente. Quando eles resolverem que são mal amados e entrarem para o mundo das drogas, cedendo finalmente aos apelos insistentes dos traficantes, os papais e mamães ainda poderão jogar a culpa na escola, que não soube educá-los. Vale lembrar que o bando de imbecis convencidos de que o diploma de uma dessas arapucas as quais chamam de “faculdades”, também fazem parte do problema. Até para ser presidente da qualquer republiqueta não é mais necessário qualquer diploma, pois a primeira coisa que lhe darão, logo após a eleição, é um desses pergaminhos escritos em letras garrafais, com formato do tempo do onça, para você pendurar na parede do quarto da empregada, que na prática virou depósito de lixo que ainda não foi para o lixão. As empregadas saíram de moda ou estão fazendo algum curso, supletivo ou superior. Para piorar, escolas causam trânsito e, no caso de São Paulo, centenas de quilômetros dessa aberração.

Claro que como sou um quase pastor, pois escapei dessa alcunha por pouco, tenho uma proposta menos radical e mais equilibrada do que a do fundamentalista Ivan. Poderíamos aprovar em regime de urgência urgentíssima (sic) uma lei que estabelecesse um limite máximo para alunos dessas espeluncas de saber, sabe-se lá o que, percorrerem. Por exemplo, um aluno só ter a permissão de percorrer dois quilômetros entre sua casa e a escola, ou entre sua casa, trabalho, escola, casa, circunscrevendo seu espaço de transitar a esse máximo permitido por lei. Em outras ocasiões, sejam quais forem, como visitas às mamães velhinhas ou reuniões utópicas em ONGs da cidade, quem sabe até um café na Starbook do Paraíso, continuaria o velho “liberou geral”, pois esses tipos de deslocamentos, não causam trânsito. Ah, lembrei agora, os meios de transporte de pessoas também agradeceriam, pois eles também sofrem grande esvaziamento, para tristeza de seus proprietários e parceiros políticos, quando as escolas permanecem como deveriam, vazias. Alguns partidos políticos até mandam matar prefeitos que discordem dos escolares obrigados a cumprirem longos trajetos nesses veículos.

Então é isso, você já entendeu, para solucionar o problema de quilômetros de trânsito em excesso de São Paulo a proposta é nunca mais voltar às aulas. Esvaziar a audiência global também poderia ser útil para complementar o processo. Ah, tornar o estado dos desnecessários que estão em férias, nesse período, em permanente também ajuda muito.

Obs. Finais: Tratei dessa questão, hoje, porque não sabia o que dizer às pessoas que perderam queridos e coisas queridas em alguma enchente ou desmoronamento desses que tem havido por aí, mesmo com meu aprimorado treinamento desnecessário para o ministério pastoral. Dizem que o mundo não se conforma com a morte do cãozinho daquela senhora que foi içada por uma corda por dois rapazes impenitentes. Não me surpreenderia se alguém, secretamente, estivesse acalentando a idéia de que eles deveriam ter salvo o cão primeiro e, se desse, a mulher. Ficou pior quando assisti estarrecido os caras da Globo virem com aquela história de que as chuvas são resultado do desmatamento da Amazônia. Desde que me conheço por gente, chove pra caramba em São Paulo e no resto do sudeste, nessa época, mesmo quando desmatar a Amazônia ainda era algo impensável. Conta outra Globo. Para evitar essas tragédias de início de ano, basta diminuir a população ou evitar que as pessoas habitem em áreas de risco, como beiradas de rios ou montanhas, se não me engano.

011314_0227_Variaesentr2.jpg

3 thoughts on “Enfim, a solução para os problemas do trânsito de São Paulo

  1. Rondinelly (para o pessoal de Patos e São Mamede): Tá vendo aí, galera, o LH tem a mesma proposta, só que com outros argumentos. Ou então, nós dois estamos loucos, por conta do Ivan Illich, quem sabe?! (Voltando-se para Luiz Henrique) A propósito, eu também não sei o que dizer a quem perdeu ou foi perdido nas enchentes.

    Fale do trânsito nas grandes cidades ou algo assim. 🙂 Quanto a desescolarização é só esperar para ver. Escolas, Igrejas, jornais, livros, revistas e mais um monte de coisas perdeu o sentido com a Internet.

  2. Querido, pois saiba q em breve estarão sobrando escolas no Brasil. rsrs
    Marcio Pochman do IPEA, em sua entrevista para a Caros Amigos: em 2008 o Brasil tinha 80 milhões de pessoas com 80 anos ou+. Em 2030 serão 20 milhões. (…) Estamos sem condições de repor a população. (…) A partir de 2030 o Brasil terá uma situação inédita, q é a redução absoluta de sua nação. O nº de nascidos será bem menor que o nº de pessoas que morrem.
    Parece q sobrarão escolas.

    Pois é, então já podemos avisar aos paulistanos que o trânsito melhorará consideravelmente em 2030, sem quaisquer medidas nesse sentido. 🙂

  3. Ensino à distância pela TV e internet, e provas no estilo concurso público. Mas lembrando do ENEM, sei não, é sonho… E sobre as chuvas, sempre vem em abundância dezembro/janeiro, o resto é falta de uma boa administração pública.
    Na verdade, sou mais radical do que as soluções que aqui passei… Mas é isso, se não complicam, não ganham por fora, essa é a realidade!

    Ué, vamos pregar o fim dos exames, provas, avaliações, etc. Que tal?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *