A Gruta do Lou

Em seis passos o que eu faria se ganhasse a eleição hoje

Todos os candidatos, independente do cargo pretendido, passaram a campanha toda fazendo promessas. Entretanto, talvez pelo fato de não ter um cadastro no Tribunal Regional Eleitoral, pelo menos, não na qualidade de postulante ou candidato, não fiz promessa alguma. Minha única contribuição, caso fosse eleito, seria implementar ou dar os passos contidos nesse documento.

Para começar, meu primeiro passo seria praticar a intolerância religiosa. Ao contrário do nosso atual presidente que, nos últimos dias, tratou de anunciar sua mais completa e irrestrita promessa de tolerância religiosa. A intolerância religiosa foi iniciada e propagada por Jesus de Nazaré, por causa dos desvios e desatinos dos religiosos e suas igrejas maravilhosas e sem deus. Sendo assim, nada mais apropriado em nossos dias do que seguir a velha prática inaugurada pelo filho do divino.

O segundo passo seria surpreender sempre, fazendo o que as pessoas não esperariam que eu fizesse. Já imaginaram a promessa? Prometo fazer algo que você não espera, sempre. Jesus foi absolutamente imprevisível, em sua estada lá pelos lados do Oriente Médio. Colheu onde não plantara, prometeu derrubar o templo e reconstruí-lo em três dias e ao invés de prometer construir hospitais ou quebrar patentes de medicamentos, curou os enfermos, simplesmente. Ao invés de construir mais escolas e hospitais, implementaria uma sonora desescolarização e incentivaria os pastores pentecostais a praticar suas curas charlatãs em massa.

Terceiro, tomando o Filho predileto de Deus por exemplo, de novo, trataria de falar muito sobre dinheiro, não em termos de algum tipo de bolsa ou benefício, apenas, mas de algo cujo significado não é essencial. Ao invés de sair por aí contemplando todo mundo com empregos e pequenas empresas, cujo fim está mais do que próximo, convidaria a todos para desfrutar tudo aquilo que temos de prazeroso e belo, como nossas praias, nosso bom humor e destreza com as bolas.

Enquanto isso, abriria mão de ser remunerado e levaria vida frugal e natureba, andando descalço na areia, tomando mais sorvete e diminuindo consideravelmente a possibilidade das pessoas conseguirem emprego ou o tal espaço no mercado de trabalho. Como ensinou Cristo, o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Pessoalmente, acrescentaria o sexo nessa equação. Sendo assim, acho que mandaria distribuir mais bolsas famílias, pelo menos bem mais elevadas, descriminalizaria o aborto e manteria a privatização represada durante meu governo.

Minha quarta passada me levaria a deixar minha zona de conforto. Ao invés das “famosas seguranças” procuraria convencer a todos do valor e da importância da insegurança compulsória. Vivemos em um mundo engraçado, pois buscamos as situações mais seguras, mas tudo que encontramos, ao longo da vida, é estarrecedor e frustrantemente inseguro .

Acredito que se deixarmos essas bobagens pela segurança e partirmos para uma jornada escura e temerária, para horror das mamães matronas, encontraremos do outro lado, a paz e transitabilidade presente no mar da intranquilidade. Para encontrar a paz é preciso liquidar o tédio e a solidez de uma vida cheia de alicerces e contas bancárias recheadas. Como ensinou Jesus: no mundo tereis aflições.

Em quinto lugar, procuraria convencer a todos da necessidade de permanecermos disponíveis. Andaria pelas ruas e praças pronto a responder a quem perguntasse sobre a razão e sensibilidade de um mandato, mais do que popular, qual seja, uma missão divina. Sem celular, escoltas ou batedores.

Procuraria conversar nas calçadas com os pescadores e lixeiros, tanto quanto com os banqueiros e membros das igrejas batistas e presbiterianas. Não evitaria os católicos e muito menos os espíritas. A todos daria meu “bom dia” e meu “Até amanhã”, sem nunca tirar o sorriso dos lábios.

Creio que as plantas, as árvores e tudo que nasce da terra deveria ser desimpedido de se criar. Não faria mais calçamento nas ruas e destruiria todos os que pudesse. A cidade seria libertada da propriedade privada e todos se tornariam proprietários de sua casa, sem direito a outra, de qualquer natureza.

Por último, buscaria me completar com toda a espiritualidade contida na Bíblia. Não sei se há um livro mais espiritual do que esse. Nele tudo é Espírito e metafísica. As palavras e sentenças estão cheias de significados submersos e postados em entrelinhas e parábolas cheias de nuances esotéricos.

Oraria de três em três horas, sempre voltado para Meca e prostrado ao lado dos muçulmanos. Me empenharia em favor da liberdade de culto, desde que não fossem institucionalizados. Nossos velhos teriam visões e nossos jovens profetizariam, ao nascer e ao por do sol. Traria todos os preteridos das igrejas, gente como eu, para cear comigo e lhes daria um sonoro abraço antes de despedia-los para voltar aos seus lares, logo após ministrar-lhes a bênção apostólica.

OPS: A estrutura desse texto tomou por base o excelente livro de Paulo Brabo, Em seis passos o que faria jesus.
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