A Gruta do Lou

Educação Participativa na Igreja

123011_1524_EducaoParti1

Ontem o Miguel Silva postou essa foto da turma dele no Seminário do JV (Jovens da Verdade) capturada em 1988. Apareço entre o pessoal pois, nesse dia, havia dirigido os estudos do pessoal, provavelmente sob o tema Missões.

Logo que a foto apareceu no Facebook, a maior parte do pessoal registrado nela foi aparecendo rapidamente e acabou fazendo muito sucesso. A tal ponto que resolveram criar um grupo deles no FB e, além de juntar toda a turma deles, incrementar com mais fotos, testemunhos, históricos, etc.

Com essa, saí ganhando de várias formas, primeiro por matar a saudade desse pessoal. Sempre fui daqueles médicos que se apaixona pelos doentes, ou melhor, professor apaixonado (no bom sentido) por seus alunos. Ganhei novos elogios e fotos inusitadas e importantes para mim, em algumas com a minha figura peculiar.

Um detalhe que me chamou a atenção, em especial, foi o fato de perceber quase todos ainda envolvidos com o ministério e em instituições sérias, alguns com grande destaque, inclusive. Uma vez, em viagem aos Estados Unidos, fui visitar o Paul McCoy a pedido do Volney. Ele fora um dos professores do Palavra da Vida, durante um tempo e estava dirigindo a Junta de Missões Mundiais da Igreja Presbiteriana norte americana, então. Eu o conhecia vagamente. Nossa conversa começou com a troca de informações pessoais e depois que apresentei as minhas credenciais ele fez um comentário que nunca mais esqueci: “Acho que dei minha pitada de contribuição, ainda que minúscula, na sua formação”, isso porque vários dos meus mentores, Volney inclusive, foram alunos dele.

Minha passagem pela escola de formação de obreiros dos “Jovens da Verdade” teve suas polêmicas. Naquela época, eu já acreditava na máxima socrática adotada por Galileu Galilei em termos de educação: “Não posso ensinar nada a ninguém, no máximo ajudar as pessoas as descobrirem Deus (tudo que existe) dentro delas mesmas”. Soma-se a isso minha total adesão a princípios dos tempos do Vocacional, tais como: Livre pensar, trabalho em equipe, estudo do meio e vai por aí. Dra. Louise Mackney dera uma pincelada na minha formação professoral me convencendo que a pessoa mais importante em uma sala de aulas é o aluno, jamais o professor e o abandono completo e irrestrito das aulas expositivas (não confundir com sermão expositivo).

No dia da formatura dessa turma fui convidado para ser paraninfo e meu discurso (não sei se eles se lembram) foi a leitura da tradução da letra de “Imagine” de autoria de John Lennon ao som da música original. Tudo fora dos padrões para a época, imaginem.

Olha, posso estar enganado, mas poucas turmas tiveram um aproveitamento tão grande quanto essa. Pode ser coincidência, mas acredito que tudo isso teve impacto muito positivo na formação deles. Os outros professores da época contribuíram, o Jasiel e a Ivone (diretores da escola) também ajudaram com o jeito despojado e dedicado deles, certamente. Vejo minha participação nisso como a do Paul McCoy foi para mim, uma pitada de contribuição na formação desse grupo.

A conclusão quase obvia é que vale a pena apostar na educação (e/ou formação) participativa. É uma pena que os métodos de Educação adotados nas escolas brasileiras, de todas os níveis, seja o modelo pós Revolução Industrial, cujo único objetivo é criar mão de obra para trabalhar nas linhas de montagem de suas fábricas. A Igreja pode estar como está, em grande parte, devido à educação equivocada empreendida pelas escolas teológicas e ministeriais. Afinal, como ensina o Max Weber, o capitalismo criou-se na esteira do protestantismo (no caso dos EUA e da Europa).

lousign


6 thoughts on “Educação Participativa na Igreja

    1. Luis
      Obrigado pela visita e pela pergunta.
      Já exerci formalmente tanto o pastorado, o trabalho missionário dentro e fora do Brasil e outras atividades como o ensino em várias escolas bíblicas e de formação para o ministério, recuperação de dependentes químicos e direção de creches. Nos últimos anos exerci a atividade ligada ao fundraising de ONGs, agências missionárias e Igrejas. Se entendi bem sua pergunta.
      De outro lado, sempre me senti parte do ministério universal da propagação do amor Agape de Deus, através de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Em qualquer tarefa que esteja envolvido procuro exercê-la antes como um serviço ao Senhor, seja formal ou informal, tentando fazer o que Jesus faria se estivesse em meu lugar, guardadas as devidas limitações, e amando ao próximo como a mim mesmo.

      1. Olha Luis, não sou um desiludido típico. Não curto hierarquias, monopólios, confrarias e todos os mecanismos criados pelo homem para subverter o próprio homem. Sinto cheiro desses caras de longe. Não demorou para os dois lados perceberem que não dava para namorarmos. Então cada um seguiu seu caminho. Só isso. Repito, continuo me sentindo um pastor e missionário, só que agora trabalho direto para o chefe, sem intermediários.

  1. Caramba Lou q legal…virei seu fã ehuaheuahueah…mais vc se desiludiu de seguir ministérios pastoral ou missionário?

    1. Luis, fique tranquilo, a gente se vê por aí ou no céu, se eu for para lá, pois às vezes tenho minhas dúvidas. Até Madre Tereza tinha, por que não posso ter, também? Feliz ano novo para você e sua família, também.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *