A Gruta do Lou

Dona Tereza

D. Tereza de Loures
D. Tereza de Loures

Quero apresentar-lhes Dona Tereza de Loures. Eu a conheci em 1994 quando estive em Portugal e passei um mês em Loures, embora minha dormida deu-se em Santo Antonio dos Cavaleiros. Certa noite, em culto na Igreja de Alvalade, o Pastor, hoje Apóstolo, Jorge Tadeu narrou um acontecimento envolvendo Dona Tereza. Disse ele:

– Certo dia, entrou em meu gabinete uma senhora aos prantos. Procurei acalmar a anciã (devia ter lá seus setenta anos) e perguntei a razão de tanto desespero. Então, ela me disse ter recebido a conta telefônica do mês, até me mostrou o documento bancário em nome dela, e quase morrera de susto, principalmente com o valor apontado para pagamento. Era mesmo uma conta altíssima. Logo perguntei o como ela fizera para ter gerado conta tão astronômica, interurbanos, chamadas ao Brasil ou o que? Entre lágrimas e soluços ela me disse com olhar desesperado: “Não Pastor, o senhor não está a entender. Não é  só a conta que está a me preocupar. Oh raios!” Então por que estás a chorar? Perguntei curioso. “Eu nem telefone tenho, nem nunca tive, respondeu a velha“.

Na hora, dei boas risadas junto a malta, mas confesso ter ficado com uma ponta de dó da velhinha. Passou, e nos dias seguintes mergulhei no trabalho de implantação das redes junto com o Rato e esqueci da mulher de Loures. Certo dia, almoçando no restaurante do Seu Amândio, sempre na companhia de Jorge Tadeu, esposa e filhos, lembrei do caso de Dona Tereza e resolvi indagar o futuro Apóstolo sobre a mulher. Ele me informou morar ela justamente ali, ao lado do restaurante e se desejasse, poderíamos tomar o cafezinho na casa dela, inclusive porque ela não cobrava, enquanto o Amândio… Achei estar ele a brincar, mas quando saímos do lugar, ele pegou-me pelo braço e me puxou até uma casa, alguns metros à frente. Bateu palmas e gritou: “Olha lá Dona Tereza, aqui está o Pastor Tadeu e uma malta para tomar seu café saboroso“.

Então fui apresentado à Dona Tereza de Loures, a última cristã crente ainda viva nesse mundo (pelo menos, naqueles dias). Naquela tarde, ficamos na casa dela menos de uma hora, apenas o tempo dela coar o café e servir a todos, com a ajuda da Christel, esposa do Jorge Tadeu. Mas notei ser ela uma senhora especial. Dava ao pastor, honras de servo de Deus e aos demais, nada menos. Quando o pastor nos apresentou, ela me disse: “Jesus Cristo o ama muito e está a zelar por si e por sua família lá no Brasil, pode confiar“. Fiquei encantado e fiz da ideia de tomar café com ela após o almoço ou o dia de trabalho, uma rotina diária, enquanto estive lá. Em troca, recebi pérolas de uma crença vinda, sabe-se lá de onde.

Pretendo contar as histórias e crenças de D. Tereza de Loures, quanto puder lembrar, pois não tive coragem de levar um gravador, à altura, em uma série de posts, intercalados, com seu nome como rubrica. Acompanhe.

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2 thoughts on “Dona Tereza

  1. A coisa promete. Mas a Dona era Tereza com “z” ou com “s”?
    😉

    Pois é, cheguei a perguntar a ela e isso fez com que me mostrasse documentos comprovando que era mesmo Tereza com z, como a Liza Minelli e eu que sou Luiz com “z”, também. Coisas de antigamente.

  2. aguardemos ….

    Sim, acredito que valerá a pena. Quando a conheci, lembrei logo da Velhinha de Taubaté, crédula, simpática e muito divertida.

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