A Gruta do Lou

Discussões Jurássicas de um bando de privilegiados, inclusive eu.

Conversando com um pastor amigo, surpreendi-me ao dizer-lhe que abandonar as idéias de teologias causadoras de dependência e escravidão não era o ponto final, mas uma transição necessária para um estágio adiante, onde começamos a nos adaptar a crenças e idéias libertadoras. 

Incrível e triste verificar a existência de pessoas totalmente dominadas por dogmas equivocados e castradores. Para piorar as coisas, essa gente combate os que conseguiram libertar-se dessas amarras, geralmente propagadas por seitas fundamentalistas.  

Cunhei, ao longo da vida, um provérbio com o seguinte teor: Não há como diminuir ou denegrir moral e intelectualmente uma pessoa, sem obter proveito próprio. Para mim, as pessoas estão falando de si mesmas quando estão apontando as “falhas” ou incoerências dos outros. Como é cansativo ouvir ou ler alguém denegrindo outrem. Não é mesmo? 

Estou de saco cheio desse pessoal do Tonicodemus. Etâ gentalha reacionária! Filhotes da ditadura, como dizia o finado e imbecil do Brizola. Pior é ver esse pessoal usando o  santo nome de Deus em vão. Faz uns três dias que estou sacudindo meu Kildare para tirar o pó acumulado por tanta baboseira, gerada nas discussões jurássicas envolvendo calvinismo, arminismo e uma nova  chamada Teismo Aberto. Acho que o Gondim perdeu uma boa chance de ficar calado, também. Arrependo-me de ter me metido com essa  gente má da ortodoxia da reforma, ano passado. Naquela ocasião teria sido infinitamente melhor se ficasse com minha boca fechada, ou minha pena guardada. 

Essas pendengas parecem aquela, na época do dilúvio. Noé chamando todos para a Arca e o pessoal discutindo se era ético ou não chover. Todo mundo sabe o que aconteceu aos teólogos e filósofos de plantão. Nietzsche adverte-nos para consideramos os teólogos e todos que tenham sangue de teólogo no corpo como nossos maiores antagonistas. Diz mais: Quem tiver sangue teológico nas veias, já de início encontra-se distorcido e desonesto frente às coisas e mais, por toda parte desencavei o instinto teológico: é a forma mais divulgada, a forma mais peculiarmente sub-repticia da falsidade que existe sobre a terra. O que o teólogo sente como verdade deve ser falso: tem-se aí quase um critério de verdade. Ah! Eu me rendo, completamente, a essas palavras. 

Agora que fiquei mais velho, perdi a vergonha de divulgar minhas andanças pelo mundo teológico. Mas, durante muito tempo, andei escondendo essa verdade. Ainda persiste o fato de que não tenho o menor orgulho disso. Ao contrário, me arrependo, muitíssimo,.de minha militância nesse terreno. Boa parte de minhas desventuras vieram daí. Pulem fora dessa barca enquanto é tempo. Vocês não chegarão a lugar algum com essas bobagens. Melhor seria jogar tudo na latrina e dar a descarga.  Eles não gostam que mencione, mas o Ruben Alves demonstrou maior desapego e humildade ao admitir essa verdade.

A igreja urge por vida verdadeiramente inspirada. Duro é assistir sua agonia enquanto eu (e muitos) estou de mãos atadas. Pena mesmo. Jesus deve estar de luto, sentado ao lado direito do Pai. O que fizeram com a minha casa que devia ser chamada, simplesmente: Casa de Oração? No entanto a transformaram em covil de salteadores. Raça de Víboras. 

Prefiro, mil vezes, continuar com minhas reclamações mal (ou bem) humoradas sobre a vida de um cristão tolo e romântico, em que me transformei a voltar para esses trilhos rumo à terra do nunca. Tenho dito.

3 thoughts on “Discussões Jurássicas de um bando de privilegiados, inclusive eu.

  1. Sem dúvida a bandeira que alguns levantam é em proveito próprio. Muitos desses teólogos estão antes de tudo defendendo seu emprego. É uma questão de negócios. Quero ver fazer que nem a gente, defender heresias sem ganhar nada por isso.

    Uma abraço.

  2. Lou
    seu blog vive em mudança hein…
    Não sei se nessa “guerra” é melhor se calar ou escolher um lado e lançar a bomba, pq se calar pode ser motivo de jogarem uma bomba em nós….
    abraços

  3. Pingback: Lou Mello

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