A Gruta do Lou

Dia do holocausto

Dia de Holocausto

Calma aí. Estamos em pleno domingo de eleições presidenciais (2º turno) e ainda falta cerca de três horas para a votação ser encerrada. Como no caso do blog do Corinthians Yes, não gosto de escrever depois do resultado do jogo já ser conhecido. Prefiro nadar nas expectativas e apreciar o resultado em relação a elas, depois.

No primeiro turno, recebi críticas por fazer apologia às minhas preferências assumidamente anarquistas, então decidi manter minha postura em segredo de família, nessa etapa eleitoral. Tenho uma vaga impressão de minha opção não interessar à mínima, nesse caso. Jesus nunca se deu bem com os Herodes e acabou morto e sepultado sob Pôncio Pilatos. Como insisto em ser um seguidor avulso desse senhor emblemático, que teria vívido no início dos anos de um seu homônimo, no mínimo, seria natural ser tão “desajustado” quanto foi esse meu referencial. Por isso, peço que me desculpem.

Sabe, tenho enorme dificuldade em acreditar nesses senhores e senhoras, postulantes a cargos públicos. Sempre fico com a sensação de que mentem deslavadamente, ou acreditam no velho clichê: “uma mentira dita muitas vezes, acaba virando uma verdade”. Algo parecido com essa crença atual de estarmos em melhor situação financeira em relação há algum tempo atrás. Outro dia, em uma dessas conversas na padaria, tive a oportunidade de lembrar um contingente enorme de brasileiros que, como eu, não estaria experimentando tal realidade, talvez a maior parte dos manos brazucas.

A grande verdade é que desprezo hierarquias. Não consigo ver nenhum benefício nelas, a não ser preponderâncias, submissões compulsórias, explorações, assédios, muita chantagem emocional e outras cositas do tipo. Como nunca estive desse lado, tendo a rejeitar peremptoriamente essas excrescências totalitárias e/ou tirânicas.

Se não me engano, meu mestre e senhor, também, sofria desse mesmo mal. Basta-me ser obrigado a prestar serviços, cujo resultado final enriqueça às minorias dominantes em detrimento das maiorias dominadas, com um certo ar perverso na cara.

Mas isso é do tempo em que dançar era algo que se fazia em companhia de uma bela dama, ao som de uma boa música e bem agarradinhos. Fazer o que, se não dá para mudar o sistema globalizado desse mundo e a serviço do capeta, um cara todo neoliberal, só nos resta a opção fácil. Pessoalmente, me acho um liberal à moda antiga.

Confesso que nunca fui muito com a cara de John Lennon, mas o cara saiu do mundo logo após de escrever a sua obra prima (por isso não escrevi a minha ainda), uma música cuja letra falava de um mundo sem fronteiras, religiões, etc., e todas essas coisas desagregadoras, capazes de  fazer o senhor Jesus revirar-se na tumba há dois milênios. Espero que ninguém me venha com aquelas ladainhas a respeito de uma suposta ressurreição e esses mitos neo testamentários.

Nesses temas, os grandes concílios fizeram um péssimo serviço e gente como eu e o Lutero abominamos aquela gente e suas máquinas maravilhosas. Aliás, nem sei por que não me chamaram Martin Luther King II ou algo parecido. Talvez por eu não ser nem branco nem negro, mas esse ser pálido inexpressivo.

O imprudente apóstolo Paulo chamou nossa herança cristã de eleição. Nada mais inapropriado, nesse caso a salvação seria algo compulsório, nada parecido com um criador todo amoroso e despojado. Eleições, na teoria, deveriam dizer algo em termos de livre escolha, liberdade e fraternidade. Nada disso se parece com o que estão fazendo nesse dia. Somos todos ovelhas, bois e judeus a caminho do matadouro, um verdadeiro holocausto.

Para terminar, sinto certa dor por toda essa gente ludibriada com promessas de m…, migalhas dessas que caem das mesas de lideres sindicais em forma de cartões amarelos ou vales para obter coquetéis medicamentosos. Preferia que todos recebessem suas pagas em justiça, generosidade e, no porvir, a tal vida eterna, se é que isso seja lá algo a esperar. Na segunda guerra mundial, as pessoas entravam, voluntariamente, em filas certas de irem tomar um banho desinfectante, quando, na verdade, estavam caminhando para a morte definitiva. Fala sério!

morcego-12

3 thoughts on “Dia do holocausto

  1. “Pessoalmente, me acho um liberal à moda antiga.”

    Eu tbm!

    retuitarei! Boa semana Lou… abraço!

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