Desonestos Intelectuais


“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. 2 Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. 3 Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará. 4  Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha. 5 Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. 6 Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá.”  Salmo 1

Deus exalta os rebeldes, se tiver dúvidas, leia e releia o salmo acima. Mas aviso, ele não apita na Terra.

Fui duramente acusado de praticar um negócio chamado “desonestidade intelectual”. Meu amigo Hernan, petista de carteirinha, me ajudou a entender o que viria a ser o significado desse palavrão com a seguinte definição: “Se você não se enquadra em uma das personalidades aceitas socialmente, está apto a ser acusado de várias coisas, entre elas desonestidade intelectual”.

Como disse a ele, já andava desconfiado de algo nessa linha, afinal sou um cristão que não quer pertencer à nenhuma igreja, tenho algumas ideias de esquerda e não tenho e nunca tive a menor intenção de fazer parte de qualquer partido dito de esquerda. Em outras palavras, sou um baita rebelde e segundo meu novo amigo (não o Hernan, que já é amigo velho), mas o que me xingou desse negócio, um desonesto intelectual.

Se o palavrão fosse ao contrário (Intelectual Desonesto) ainda faria mais sentido, né não? O que não falta na praça dos blogs, twitters, Facebooks, Orkuts, etc., é gente dessa laia. Aplica-se a mim também, pois não perco oportunidade de fazer isso, pior é que costuma ser por pura diversão. Agora, desonestidade intelectual nunca me havia passado pela cabeça. De repente, até pode ser interessante. No fundo, acho que me esforço para não ser aceito ou enquadrado em qualquer personalidade socialmente aceita. Lembro-me quando era anunciado para ocupar o púlpito de uma igreja qualquer como Pastor Luiz… Nossa subia a serra e minha primeira frase na prédica era: Por favor, me chamem de Luiz ou Lou, e não me esculachem. Não gosto nem de ser chamado de senhor, de tio então já deu briga várias vezes.

Entretanto, ocorre-me que não se adaptar aos papeis ou personalidades oferecidas no grande enredo da vida pode ser um problema e, na maioria das vezes, um dos grandes. Se eu estivesse conversando com o Arjuna, agora, diria a ele: “Meu agarre-se com unhas e dentes aos papeis que a vida lhe oferecer e trate de representar o melhor que puder. As pessoas chamarão os rebeldes de desonestos intelectuais, enquanto os cordeiros obnóxios no céu irão morar.”