A Gruta do Lou

Desejar

 

Um dos filmes mais emblemáticos em relação ao pecado, é o conhecido “Advogado do Diabo”. É triste, mas verdadeiro, infelizmente. O ser humano está à mercê do

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tentador e o roteirista captou essa ideia com louvor. O momento mais insinuante se dá quando o personagem principal, magistralmente vivido pelo ator Al Pacino diz: “Ah, a Cobiça, eu adoro esse pecado”.

Desde o início de nossa peregrinação bloguística tenho batido na tecla do estado de pecado da igreja cristã não católica, pois esta jaz no pecado há milênios e não sou eu quem o diz, você sabe. Como diria o finado Djanires, o diabo não dorme de toca. A igreja cristã protestante deu origem aos chamados “evangélicos” denominação fortalecida no Brasil pelo próprio demo. É um movimento bem recente, para os padrões igrejeiros, geralmente, seculares.

A Igreja protestante no Brasil, mesmo as chamadas históricas, tem pouco ou nada a ver com “Reforma” iniciada por Lutero e seus contemporâneos. Pelo menos, não se vê sinal dos pressupostos luteranos, Calvinistas, etc. em nenhuma delas. Os caras falam em indulgências, teses, eleição, predestinação, etc., só em dia de culto, e isso se for algum celebração especial. Praticar, nem pensar. Aliás, a maioria nem sabe direito quais seriam as práticas requeridas.

As filhotinhas dessas igrejas, com alguma inspiração pentecostal, também, começaram a crescer na esteira dos tais dons do espírito, uma heresia entre os históricos, e logo chegaram na tal teologia da prosperidade. Claro, nesse ponto, o diabo compareceu oferecendo as “oportunidades”. Como ensinou o apóstolo teólogo e matemático Thiago, em sua minúscula carta bíblica, o pecado tem sua equação devidamente formulada, lógico. Segundo ele, a fórmula do pecado seria:

desejo + tentação= pecado

Nesse caso, troque a palavra tentação por uma mais

moderna e promocional, por exemplo: “oportunidade”. Até adotei, como uma técnica, não dar ouvidos a nada acompanhado dessa palavra diabólica. Talvez eu a tenha usada em algum dos meus folders promocionais, se for o caso, me perdoe. Ninguém é de ferro.

Jesus com aquela conversinha marota sobre a oração, quando formulou a célebre oração do Pai Nosso, sobre a qual estou escrevendo um livro, como todos já estão carecas de saber, disse para seus seguidores pedirem a Deus para não deixá-los cair em tentação. Alguns pensam na possibilidade dele ter esquecido da primeira parte da fórmula de Tiago. Bobagem, Ele disse com todas as letras enigmáticas dele, pois para cair em tentação é preciso “desejo”. O tentador, seja o Al Pacino, a Nicole Kidman ou o Steve Jobs não existiria como tal se fôssemos desprovidos do ato de desejar.

Tive uma conversa com um desses pastores neopentecostais de origem batista, é eles existem sim e até fazem parte da convenção. Afinal ninguém teria coragem de abdicar do dinheiro deles. Aliás enviei um e-mail para ele outro dia e neca de resposta. Mas a tal conversa enveredou para esse terreno dos desejos. Não pense mal de mim, por favor. O cara começou a dizer coisas tais como: não, minha igreja é séria, mão tem as maracutaias neopentecostais, etc.

Então eu, do alto de minha sapiência teológica, não resisti e argumentei algo assim: A pedra de toque deve ser Jesus Cristo, ele dizia não ter onde repousar a cabeça, e todo mundo sabia ser a mais pura verdade. Ele não tinha carro, nem do ano, nem outro qualquer. O veículo mais luxuoso experimentado por ele foi um barco de pesca, fora outro mais bizarro, um jumento. Muito menos casa pra morar e/ou um bom cobertor humano para lhe aquecer nas noites frias do Oriente Médio. Dormia onde dava. Há referência a noites passadas navegando no mar de Tiberíades, orando no monte ou no Getsemani. Casa só quando algum dos amigos convidava para ele pernoitar e isso não parece ter acontecido com frequência. Nem Cristo recebeu a hospitalidade devida a um Deus, pelo jeito. E terminei a conversa com a temível pergunta: “O seu ministério se parece com o de Jesus, ou você dirige uma igreja rica, vive no luxo e não consegue ver os mendigos deitados nas calçadas adjacentes?”

Nunca mais conversamos depois disso. Não fui legal, reconheço, poderia ter pegado mais leve, mesmo porque, não sou muito melhor. Mas meu objetivo aqui é enaltecer a questão da luta a ser travada contra o desejo, seja lá qual for a forma apresentada. O diabo não precisou renovar seu estoque de diabruras ao longo desses dez ou doze milênios de sua missão na Terra. Desde então ele oferece, sexo, dinheiro e poder. É o suficiente. Se não houvesse desejo, ele precisaria ser mais criativo e inventar algo novo para nos fazer cair em pecado.

A minha proposta é simples, continue orando a oração do Pai Nosso, mas antes de pedir para Deus não deixa-lo cair em tentação, peça para Ele ajudá-lo a secar seus desejos. Faça um pequeno inventário dos seus atuais desejos e leve-os à presença de Deus em oração depositando-os aos Pés do divino. Vença seus desejos pelo abandono e não mais pela satisfação deles.

Estou certo de não haver êxtase maior em nossas vidas. Vencer os desejos sem ceder a eles, ou seja, cair em tentação, é um prazer inenarrável, sem falar na grande probabilidade de ser um dos desimpedimentos para uma possível vida eterna, também.

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