A Gruta do Lou

Delírios sabatinos: a terceira idade

011109-1544-novosvelhin1

Em meus delírios sabatinos: a terceira idade e entre os temas, novamente, em meio a uma de minhas últimas conversas, apareceu o problema da morte. Mencionei o meu provável tempo de vida útil, calculado no tempo de vida dos meus ancestrais (sic) e na média de vida dos brasileiros, salvo imprevistos e passei a planejar para mais uns doze o quinze anos, no máximo. O que vier depois será lucro e esse tempo extra, se houver, deverá ser vivido em atividades apropriadas a um ancião. Nada de pintar cabelo, usar peruca, fazer plástica e todas essas aberrações às quais as pessoas se submetem tentando disfarçar o indisfarçável.

Velhinhos devem fazer seu tai-shi-shuan logo cedo, depois voltar para casa com o pão quentinho e o jornal do dia, tirar uma boa soneca depois do almoço e, três vezes por semana, participar da hidroginástica lá no SESC. Nos outros dias, jogar truco ou buraco com os outros velhinhos da vizinhança. Em casa, permanecerei mudo. Velhinhos malandros não falam em casa e se fazem de surdos na presença dos familiares. Tudo isso em alguma cidade do litoral e ao lado de minha companheira.

Talvez, eu continue blogando, se os espertinhos não derem um jeito de acabar com a nossa diversão. No início achei o Twitter interessante, mas desconfio que não seja para o meu bico. Não sou muito ambicioso e em ambientes competitivos me sinto mal, com náuseas e uma irritação perigosa. Portanto essa atividade será encerrada em breve, creio. Sem chances de fazer parte da minha terceira e última idade. Quem sabe uma rede social mais apropriada à gente experiente possa ser incluída em minha aposentadoria. Mas o negócio de palestras, workshops, pregações e entrevistas serão encerrados de vez. Não quero ser um Saramago falando bobagens por aí. Santa pretensão.

Claro que minhas palestras continuarão acontecendo em cidades e localidades do tipo de Azaré, as pregações em cultos familiares enquanto o chefe da família ronca e a esposa dele pede licença para preparar o café e as entrevistas continuarão sendo auto didáticas e postadas no Youtube, pois ninguém me procura agora, imagine nos próximos doze anos. Mas tudo isso tem data certa para acabar de vez e me permitir entrar em minha idade do descanso, pré vida eterna.

Mas, sempre que menciono esses planos, parece haver uma surpresa geral. Escrevi sobre isso, não faz muito tempo, aqui. Na verdade, acredito que todos deveriam fazer seu plano realista de vida. Fico pensando em gente como Kierkgaard, por exemplo, que viveu trinta e sete anos e deixou uma obra fantástica, boa parte dela ainda considerada avançada para os nossos dias. O Steve Jobs está com cinquenta e quatro (idade considerada jovem, nos dias de hoje) e já virou o mundo de cabeça para baixo. Sem falar no imprudente Jesus Galileu, que viveu ainda menos, e abalou o mundo para sempre.

Sou apenas um pobre miserável, muito mais que um nada, tentando deixar filhos, um livro e algumas árvores plantadas. Tentarei produzir uma nova edição do meu livro, a edição revista e atualizada, com mais algumas páginas além das oito atuais. Minha mãe já fez uns vinte downloads dele para eu pensar que foram vinte interessados. Não faz mal. Daqui uns cem anos, serei reconhecido. Isso seria um grande feito.

O Mestre embora conhecidíssimo e com todo seu poder de abalar as sociedades, ainda não chegou a ser compreendido e ele não escreveu livro algum, não plantou arvores e não fez filhos. Só ficou falando lá e cá, depois foi violentamente assassinado pelas forças reacionárias. Isso é o que dá falar demais. Mas ele precisava falar.

Continuo não vendo nada demais em meu plano, aparentemente curto, mas extremamente preocupante. Você não faz ideia da minha angústia em relação a esse tempo que ainda precisarei viver. Não tanto por mim, mas pelos filhos que gerei, por meu livro e minhas árvores. Gostaria de saber o nome do idiota que inventou essa bobagem. Alguém poderia mudar nosso plano de vida para algo mais inteligente. Quanto a isso não tenho sugestões. Pior é que ainda gosto do que fiz.

Capricornio PB

2 thoughts on “Delírios sabatinos: a terceira idade

  1. Questionamentos sobre o tempo que nos resta, são uma realidade
    em determinada fase da vida,acho que todo mundo faz, cada um com
    a sua fórmula.
    Às vezes, o cálculo fica mais exato, a expectativa já é definida
    com precisão…tem as suas vantagens, a gente pode eliminar cer-
    tas besteiras rapidinho, por exemplo:
    Se eu tenho dois anos de expectativa,de cara, já descarto a nova
    regra de acentuação que tem quatro anos para ser consolidada…
    e assim vai…

    Não importa o tempo que me resta, eu decidi que será muito melhor
    que aqueles anos todos que eu não tinha certeza de nada.

    Vivo cada dia como se fosse o último,pois um dia ele será mesmo…

  2. Lou,do céu, tô com uma preguiça hoje de comentar que você nem imagina…ou deva imaginar devido as bobagens que tenho escrito…rsss
    Em pleno sábado você vem me estragar tudo falando em terceira idade,ou
    melhor,da melhor idade.Será que é melhor?Ainda estou um pouquinho longe dela,mas os dias vêm a galope.
    Eu não,não quero fazer plano nenhum.Gostaria de viver os meus dias intensamente.Claro que cumprir com minhas responsabilidades,mas sem planos.Alguns sonhos…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *