A Gruta do Lou

De abismo em Abismo

Como informei, a pouco, sou ignorante quando o assunto é Fernando Pessoa. Entretanto, ao lado do canhão com o Tejo ao fundo, lembrei-me dessa:

Abismo
Fernando Pessoa

Olho o Tejo, e de tal arte
Que me esquece olhar olhando,
E súbito isto me bate
De encontro ao devaneando —
O que é sério, e correr?
O que é está-lo eu a ver?

Sinto de repente pouco,
Vácuo, o momento, o lugar.
Tudo de repente é oco —
Mesmo o meu estar a pensar.
Tudo — eu e o mundo em redor —
Fica mais que exterior.

Perde tudo o ser, ficar,
E do pensar se me some.
Fico sem poder ligar
Ser, idéia, alma de nome
A mim, à terra e aos céus…

E súbito encontro Deus.

7 thoughts on “De abismo em Abismo

  1. Não tive nenhuma intenção. Mas, como diria o Freud, à vezes um canhão é só um canhão.

  2. olá!
    hoje pela manhã enquanto estava com minha comunidade, lembrei-me de ti, ao ler o salmo 40…
    Deus te abençoe.

  3. Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo; pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos; E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão e temerão e confiarão no Senhor.

    De onde me virá o Socorro? De Deus, via Portugal. Obrigado Flávia.

  4. Tenho lido o Pessoa com frequência.
    Ai que prazer
    Não cumprir um dever,
    Ter um livro pra ler
    E não o fazer!
    Ler é maçada,
    Estudar é nada.
    O sol doira
    Sem literatura.

  5. Pingback: Lou Mello

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