A Gruta do Lou

Cuidado com o Facebook, ele pode acabar com sua solidão

O Facebook foi concebido para ser um site de “paqueras” entre universitários norte-americanos. Mais especificamente, um nerd ultra programador motivado por uma rejeição explicita de uma patricinha qualquer, criando o espaço pelo qual acabaria detonando a manceba inoportuna e sem visão futura.

Pouco tempo depois, aqui estamos todos nós (esse post era, no início, mais uma daquelas simples mensagens de perfil no FB) , a maioria com o tempo de paqueras com prazo de validade vencido e, em realidade, apenas fazendo nosso curativo diário em nossas solidões, desempregos, sentimentos de inadequação, etc. De fato, foi prazeroso reencontrar uma pá de gente que, nem de longe, suspeitávamos que voltaríamos a encontrar. No meu caso, com uma ou duas raríssimas exceções, o reencontro não passou do FB. Mas, através dele, onde tenho passado uma parte expressiva do meu tempo disponível, pude apreciar muitos dos meus reencontrados se reencontrando, de fato, em festas, bares e até em lugares que prefiro não publicar.

Mas, como disse meu amigo Rubinho, “o Facebook toma muito tempo da gente”, roubando-nos de nossas angustias solitárias que antes eram supridas com TV a cabo, às vezes um livro ou batendo papo furado com algum vizinho. Eu ainda tenho comigo esposa e filhos, por mais que nos evitemos, sempre conversamos ou discutimos, principalmente a minha dieta, minha falta de ocupação empregatícia e minha incrível tendência ao calote, sem falar, que moramos e compartilhamos a mesma casa. Do meu ponto de vista, minha família me ama e expressa assim seu amor por mim, mesmo que eu não goste.

Deus estava brincando, como sempre, quando disse que um cara é bem aventurado quando não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores e não se senta na roda dos escarnecedores. Se não fizermos isso, faremos o que? Voltar para a TV a cabo e aquela programação eternamente repetida e insólita, ou aos livros velhos e gastos de tanto que já os lemos, ou ao papo furado dos nossos neighbors? Igreja nem pensar, clubes sociais não existem mais, ainda que não saibam disso e trabalho parece ter desistido de mim em todas as versões (se interessar, veja post específico aqui).

Aliás, o salmo citado (1) define bem o que é o Facebook. Fizeram uma pesquisa na Califórnia, incrível como aqueles caras gastam dinheiro pesquisando inutilidades, apesar da crise em que estão metidos; sobre o nível de prazer que as pessoas sentem ao gastar tempo em algum site da Internet e o Facebook seria um dos mais acessados. Segundo a pesquisa, quando estamos no Facebook liberamos um hormônio que dá prazer capaz de substituir o sexual, durante o tempo de estada ali. Alguns devem estar tendo orgasmos múltiplos, pois a gente entra e sai e os caras estão sempre online. Com certeza essa descoberta deu algo a mais ao Mark Zuckerberg, coisa que nem ele jamais teria imaginado. Da minha parte, posso afirmar que não senti nada diferente até hoje, a não ser, uma sensação frequente de estar desperdiçando minha misera vida, pecando na rede.

Nos tempos de igreja, havia um dito popular entre nós assim: “se você não encontra tempo para orar por estar ocupado demais com um monte de atividades, largue todas elas e vá orar”. Hoje, eu diria a você, se você não fica mais tempo no Facebook por se ocupar com um monte de coisas sem graça, largue tudo e vá para o Face agora, inclusive porque deixei um novo recado no meu perfil, bem bonitinho com quadrinho e tudo, que espero ver você curtir.

Não deixe a solidão te derrubar, Facebook nela.

2 thoughts on “Cuidado com o Facebook, ele pode acabar com sua solidão

  1. Tô conseguindo alguma coisa. Nâo deixei o FB mas já estou com mais tempo em outros afazeres… até comentar aqui deu tempo!!!
    Minha esperança é que tudo é pendular. A gente tá demais no FB, mas logo logo o pêndulo volta e as coisa se equilibram… até aparecer outra coisa que nos roubará tempo e vida. E assim vamos vivendo, né?

  2. Se o FB atrapalhar você para comentar aqui, então largue-o imediatamente. Bom, em minha opinião absolutamente imparcial, claro.

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