A Gruta do Lou

Cristianismo Irrelevante

A irrelevância do cristianismo nos dias de hoje tem dois aspectos preponderantes. Antes de mais nada, grande parte da proposta espiritual contida foi engolida pela tecnologia e depois porque a maioria das pessoas tem mais o que fazer do que ficar vivendo pela vida eterna, pouco provável e sabidamente inventada pelos padres do século XVI, perdendo tempo em cultos cujo fim único é deixar a sua carteira mais vazia, quando não é a conta bancária mesmo e seguindo pastores hedonistas sem qualquer conteúdo relevante para os dias atuais e subsequentes. Todo mundo já sacou a relevância da necessidade inadiável de lutar com todas as forças pelo pão nosso de cada dia, sob o risco de depender de algum fenômeno exótico do tipo Fome Zero e/ou Bolsa Família, sem falar no sopão que algumas igrejas insistem em distribuir em seus criativos copos de fundo de garrafas descartáveis.

 

Em outras palavras, o cristianismo perdeu o bonde da história e isso não é privilégio dessa religião, apenas. Outras manifestações religiosas e populares, como futebol e política, também estão cada vez mais em decadência. Além dos fatores apontados, o tempo, as mudanças ecológicas, a decadência econômica, a nova moralidade e outras tantas novas posturas estão contribuindo para desvalorizar crenças e valores.

A economia precisa cuidar-se, pois está colocando-nos à beira de uma revolução econômica com contornos inimagináveis e imprevisíveis. Se bem que, outras guerras foram feitas para preservar o controle econômico por parte de A ou B e, se necessário, pode-se fazer outra, com a vantagem de poder experimentar alguns artefatos nucleares, biológicos e climáticos.

 

No meio da segunda metade do século vinte, o Billy Graan, sempre ele, o único com peito e dinheiro suficientes, levou milhares de pastores ricos do mundo capitalista para Lausane, aquela cidade suíça, e forçou-os a conceber um plano para o futuro próximo do cristianismo. O Evento redundou no tal Pacto de Lausane que só o John Stott e o Caio Fábio continuaram propagando, depois do encontro, o Stott por razões coletivas e o Caio por razões pessoais. Até eu, o menor dentre todos, convidado para preletar uma grande convenção missionária tupiniquim, fui lá e preguei improfético pacto, afinal éramos signatários dele, pelas canetas Mont Branc de nossos irmãos mais ricos, imaginando não haver mais nada a fazer, além daquilo.

Acho que os 33 presentes foram confrontados de forma inesperada, tanto é que correram à livraria local em busca do livro editado pela ABU (in Evangelho e Responsabilidade Social) e descobriram que a única edição estava esgotada e não havia previsão para outra. Dois ou três conseguiram me convencer a fornecer-lhes uma cópia do meu exemplar, xerografada. Agora, nem isso é necessário, basta ir ao Google ou clicar no link do pacto e ler.

 

Nem perca tempo em baixá-lo, pois ele está 100% obsoleto. Deus parece ter esquecido de ler Uma Vida com Propósitos ou levantar algum escritor norte americano obeso e com camisa modelo havaiano, respingada de Cola-Cola e enfeitada com migalhas de biscoitos meio mastigados, para escrever novos propósitos para os cristãos do século XXI em diante; as bíblias pessoais jazem em alguma prateleira empoeiradas; Cristo sobrevive, apenas, no mundo capitalista, a milhares de quilômetros de seu berço grutal em Belém, sendo mercantilizado de todas as formas e qualidades; não há nenhuma criança capaz de recitar a natureza do evangelho, pois estão todas entretidas com seus Ipads, vídeo-games e o longo aprendizado para tornarem-se aptas a serem aprovadas no ENEM, se até lá ele ainda existir essa insanidade; a responsabilidade social cristã restringe-se à distribuição das malditas cestas básicas, na mesma toada do resto das sociedades; enquanto a Igreja abriu mão de vez de sua missão evangelizadora, sucumbido aos encantos da prostituta e sua cama bem arrumada, com lençóis de linho e cheiro bom. O resto vai nessa balada.

 

A Igreja católica, para não ficar ainda mais para trás, resolveu modernizar e introduziu mudanças “relevantes” como música nas missas, padres cantores, um pouco de pentecostalismo e mais algumas bobagens risíveis. Pelo menos conseguiu conter um pouco do êxodo que ameaçava as orgias romanas do e no Vaticano. Meu nada onde só entra gente de um  único sexo pode ser confiável, saia fora de exército, escolas que não sejam mistas, clube do bolinha ou da luluzinha, sindicatos, partidos de esquerda, mosteiros, time de futebol, etc.

 

No final do ano passado (2010) houve uma tentativa de re-editar o encontro de Lausane, com um evento meio bizarro chamado Encontro de Lausane na África do Sul. Sentiu o paradoxo? Como se previa, era mais uma realização com fins lucrativos do que algo com propósitos santo ou sacro. O que se viu foi uma ampla demonstração competitiva de Notebooks, Iphones, Ipods e todas essas modernas máquinas maravilhosas. Não dá para confiar em um evento de natureza dita espiritual cuja estrela mais sacrossanta presente seja o Rene Padilha e seu ultrapassado evangelho de viés marxista.

Fiquei chateado porque algumas pessoas conhecidas e sérias, comprometidas com Jesus Cristo, gastaram tudo o que tinham e mais algum doado por irmãozinhos pobres para participar de algo tão exótico e sem conseqüência alguma no futuro do cristianismo em nosso planeta. O fato é que, atualmente, os melhores líderes cristãos vivos não servem para desatar os cordões dos sapatos do Billy Graan, apesar dos pesares. O Jonh Stott tá velhinho, o Shedd também e estamos bem arrumados com Rick e seus imitadores baratos.

 

Sempre sobra a esperança de que Deus resolva reassumir o comando do barco, digo, do planeta e sua criação que não deu certo e envie algum outro filho errante para por ordem da casa. Mas será necessário um que seja capaz de superar Steve Jobs, Bill Gates, Zucherberger, Larry Page, com aquele chip implantado no coração, igual ao que Jesus tinha, quando se fez homem, capaz de curar câncer só com uma olhada ou uma passada de sua sombra, transladar-se intercontinentalmente, e ser capaz de ler os pensamentos de todos os presidentes e seus assessores econômicos . Se não, ninguém lhe ligará à mínima. Agora, quanto à mensagem, sei lá, acho que será preciso um novo evangelho e um novíssimo novo testamento, talvez, sem toda aquela mitologia do século XVI e, muito menos, as atuais.

 

 

 

 

1 thought on “Cristianismo Irrelevante

  1. Como diz o profeta Beto Guedes:
    “Quem perdeu o trem da história por querer /Saiu do juízo sem saber/ Foi mais um covarde a se esconder /
    Diante de um novo mundo.”

    Abraço Lou.

    Gustavo
    O Beto Guedes é um músico e poeta excelente. Boa lembrança, obrigado.

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