Considerações melancólicas de um incorrigivel sonhador

Resolvemos fazer como o Mino Carta: vamos criar nossos próprios empregos.” Disse um dos entrevistados. Os dois resolveram criar uma nova revista.

Gostei da idéia, criar meu próprio emprego. Faz tempo que a venho perseguindo, mas sem sucesso. Ao ler essa frase algo me veio à mente como um raio. Eles estão juntos, são dois ou mais. Quando um enfraquece, pode apoiar-se no ombro do outro e quando os dois estão fracos, dão se as mãos e seguem juntos, apoiando-se mutuamente.

Onde está meu amigo?

Isso ocorre porque sou um fraco e nosso mundo foi feito para os fortes. Eles não sabem o que é melancolia, compaixão ou depressão. Isso é coisa de maricas, essa gente que faz poesia, músicas e filosofia. Pior ainda, são os teólogos, pois querem creditar tudo na conta do maior perdedor da história: Jesus Cristo, segundo suas crenças niilistas.

Minha melancolia é ainda pior porque não tenho virtudes para canalizá-la, como o grande jogador de futebol Garrincha que a afogou no copo ou o poeta lírico e musical Renato Russo que a enforcou no sexo irresponsável e homossexual. Tem o Cel. Slade de Perfume de Mulher, na pele do ator Al Pacino, também, outro bosta e cego, ainda por cima. Os exemplos estão por aí, às centenas. Todos uns bocós de mola como eu, apenas mais talentosos.

Passo os dias na esperança de ser ajudado. Quem sabe o Chapolim sai dos DVDs do Thomas e vem me socorrer: Eu o Chapolim Colorado! Talvez a loteria federal que pratica falsidades ideológicas contra os simplórios sob os auspícios da lei. Pior é a ilusão religiosa, onde me agarrei tanto tempo, sem querer admitir a verdade: era tudo mentira.

Ah! Mas tem o bem e o mal, o bom e o mau. Para ir para o céu tem que ser bom e fazer o bem. Os outros irão todos para o inferno. Agostinho sabia o que estava fazendo ao combater o maniqueismo com a própria vida. O santo argumento dos crápulas e falsos. Não há lugar para nós nesse mundo de Deus. Aqui pode mais quem chora menos.

Onde arrumarei forças para me tornar um forte, se olho um menino das ruas, descalço em dia frio e choro lágrimas sinceras. Meu patrão falido jamais precisará humilhar-se em me dizer que não pode me pagar o salário devido. Muito antes eu já o terei deixado, para evitar envergonhá-lo, isso se não concordar em continuar a trabalhar sem paga alguma. Não sou bonzinho, sou um baita trouxa, um irremediável cristão protestante e fundamentalista. Um derrotado.

Os recem convertidos sabem mais do que eu e estão cheios do espírito. Eles não tem idéia de quão tolos são. Pior é ter que aturá-los em sua quixotesca aventura de tentar me convencer do contrário. Também vivi tudo isso e fiz as mesmas idiotices que agora fazem.

Não sei como matarei a minha melancolia, posto que não tenho a opção do suicídio. Sou covarde demais para um ato tão nobre.

Consigo apenas isto: Falar pelos meus leitores melancólicos como eu e isso já é muito.

Não deixe de ver a cena abaixo:

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