A Gruta do Lou

Cracolândia de Deus

Ontem fui ao centro velho de São Paulo e parei o carro quase em baixo do Viaduto do Chá, no vale do Anhangabaú. Enquanto a Dedé e o Pedro foram retirar um documento escolar, por ali, fiquei observando dezenas de moradores de rua que habitam aquela região. Aquelas pessoas precisam de ajuda competente. Como nós, estão clamando pela Gruta deles, se bem que inconscientemente. Por eles mesmos, sua situação não mudará, ou se mudar será para pior. Salvo Engano.

Nos últimos anos, acompanhei de perto o trabalho missionário com moradores de rua. Tanto o trabalho da ACAP aqui em Sorocaba (Adultos), quanto o das Casas Taiguara em São Paulo (crianças e adolescentes). Conforme as nossas leis, essas organizações limitam-se a convidar as pessoas a saírem das ruas. Elas não podem ser pressionadas. Aparentemente, isso esta correto, não fosse o fato de que eles vivem cometendo uma série de pequenos delitos. Não consigo aceitar de forma total a tolerância das autoridades quanto a esse ponto. Nem tanto pelas consequências, mas por saber quanto esses indivíduos estão perdendo enquanto vivem assim.

Não me lembro de Jesus de Nazaré ter deixado algum angustiado que cruzou seu caminho na mesma. Ele curava os enfermos e ainda dizia serem eles o objeto maior de sua missão, nesse mundo de Deus, mas sem ele. Se havia alguma lei proibindo ajudar essas pessoas, o Nazareno as descumpriu. Estava consciente de que eles não sabiam o que estavam fazendo e pedia ao Pai para perdoá-los.

Se andarmos pelo centro velho de São Paulo todo, encontraremos milhares de pessoas de todas as idades e tipos vivendo pelas ruas, miseráveis, maltrapilhas, sujas, revirando os lixos, esmolando, brigando, etc.

Em São Paulo acontece um dos maiores horrores do mundo, em que pessoas estão metidas no uso drogas, trafico e prostituição, especialmente crianças, é um lugar conhecido como Cracolândia. Testemunhei, várias vezes, o Daniel e o Luis Santos convidando essa gente a um banho, roupas limpas, um bom prato de comida quente e uma cama digna e eles sempre respondendo: não. É muito difícil tirá-los dessa situação, de forma voluntária.

Posso estar enganado, mas a Igreja foi enviada a essas pessoas. Deve ter escolhido um caminho muito mais longo e não chegou ao destino ainda. Quem sabe, em 2009, isso venha a acontecer. Pode ser o caminho de volta para a senda de Deus real. A esperança continua viva.

10 thoughts on “Cracolândia de Deus

  1. Sei não Lou, o povo gosta muito de carpete, poltronas confortáveis, ornamentação com flores, instrumentos musicais de última geração,pastores com seus lap tops, discursos arrebatadores, moças perfumadas em seus vestidos sensuais, belos rapazes “ministrando” o louvor, horários de culto pré estabelecidos, data show, estacionamento fácil, animadas conversas à saída, flertes e…esqueci alguma coisa?

    Só ser for a parte da grana. Pessoal adora comprar indulgências. Para grande alegria do clero

  2. Além do que a Bete disse, se é “difícil tira-los dessa situação de forma voluntária”, qual seria a forma “involuntária” que vc deixa implícita??? Jesus, ao que me lembre, sempre perguntou ao doente, ao pecador, “você quer ser curado?”, não é?

    Essa é fácil. Não sei como seria, mas creio que se pensarmos juntos encontraremos uma maneira inteligente para ajudar quem precisa mas não quer. Jesus foi mais feliz do que nós, pois no tempo dele, não havia ninguém intoxicado de crack, cocaína, heroína e todas essas porcarias.

  3. “Essas pessoas” nunca viveram a igreja em qualquer dos seus aspectos.
    Foram esquecidas por instituições que deveriam proporcionar o mínimo
    de dignidade.E o mais triste: são marginalizadas pelos seus semelhantes, que muitas vezes se acham melhores…
    É um abismo tão grande,resta saber em que lado ele está.
    Deus nos ajude, a continuar com a esperança viva, e nos inspire para
    tomada de atitudes efetivas.

    Sem dúvida a igreja tornou-se arrogante e se ensoberbeceu.

  4. Concordo com o que a Regina disse. A igreja nem se importa com isso,e a coisa rola solta. Mas,a IGREJA COM I MAIÚSCULO,pelo menos essa, espera-se que acorde! Onde ela está? Para falar a verdade Lou, conheci muita gente boa de Deus que trabalhou e trabalha em Sampa com moradores de rua, adultos, meninos e adolescentes, com uma margem razoável de recuperação. Introduzimos a alguns anos,aqui em Sorocaba o grupo Restauraçâo (de uma igreja Presbiteriana) no trabalho da ACAP. Eu mesma, ao longo de 14 anos, cuidei em minha casa, de aproximadamente cinquenta crianças e adolescentes em estado de abandono. Algumas poucas no meu caso, eram viciadas em algum tipo de droga. É um trabalho árduo, mas vale muito a pena. Com muita luta e muita misericórdia de Deus a maioria vai em frente e a grande alegria é vê-los recuperados, restaurados e “cidadãos de bem”, inseridos na sociedade. Agora, se mais pessoas se dispuserem em amor e de maneira inteligente, como diz você, haveria certamente resultados maiores e melhores, mesmo na Cracolândia ou em qualquer outro lugar.

    É o que estamos buscando, e para ontem.

  5. Em tempo: Muitos dos adolescentes não querem ser cuidados, pois além da falta da droga, a vida na rua proporciona certas facilidades que dentro de casa, ou até mesmo em uma instituição eles não têm.

  6. Peguei o bonde andando e deixo meu pitaco: aos possessos Jesus teve que agir meio que contra uma vontade cativa… Não tinha como perguntar a eles se queriam ser libertos, ou não?

    Isso é muito importante e requer maior desenvolvimento. Precisamos avançar nessa questão. Já ficou claro que o buraco é mais embaixo.

  7. Que a igreja é bastante relapsa quanto às situações que podemos ver diuturnamente nas ruas não podemos negar nem nos fecharmos nossa visão para essa triste realidade.

    No entanto, é impossível fazer alguma coisa da qual a pessoa não queira, várias vezes andei pela madrugada conversando com drogados, mendigos, travestis e prostitutas, o problema muitas vezes vai além da religião.

    Não é a igreja que pode resolver mas sim o cristianismo já dito por Lewis: puro e simples…

    Exato, estou com você.

  8. Não é só em São Paulo que existe forte resistência de moradores de rua a deixarem essa situação. Essa resistência deve nos dizer alguma coisa que eu ainda preciso entender.

    Perfeito. Precisamos entender essa resistência e talvez cheguemos a alguma idéia ou estratégia válida para ajudá-los.

  9. Alysson, do meu ponto de vista, essa resistência deve-se ao fato de eles não quererem estar conscientes (daí a droga) em momento nenhum, pois uma vez conscientes verão o mundo como está. Eles não querem o mundo como está. Sob um aspecto, foram até corajosos, pois tomaram a decisão, voluntariamente ou não, de deixá-lo.

    …ou, talvez, não queiram ver a si próprios, como estão…

  10. Vcs já viram a entrevista com o Cappeletti no youtube? Vale a pena.
    > http://www.youtube.com/watch?v=HryPbHx_9fk

    Sobre a resistência, não sei… suponho que é semelhante à nossa resistência de mudar nosso estilo de vida mesmo sabendo que estamos destruindo o planeta. Alguém, um dia, vai olhar pra nossa geração e pensar – que gente estúpida, devorando a si mesma, destruindo-se mutuamente, vivendo debaixo de fumaça, comendo todo tipo de químicos, morrendo de câncer, e não muda, não pára…

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