A Gruta do Lou

Consultoria maquiavélica

Grande parte dos meus clientes, se não a maioria, vem a mim para obter informações sobre a implementação de algum negócio sem fins lucrativos ou até com, e acabo convencendo os caras a desistirem de suas idéias. Certa época, cheguei a pensar em ligar para o Zenon imaginando estar sofrendo de algum dano cerebral, capaz de desorganizar minhas idéias e/ou emoções. Afinal, clientes devem ser cooptados, custe o que custar. A melhor cartilha para se tratar esses otários é a de Maquiavel, pelo menos parece ser a utilizada em nosso mundinho globalizado, sem dor na consciência.

Então, como fiz ontem, marco hora e me arrumo, a Dedé faz café (e que café!!!) o cara entra conversa comigo uma hora e meia, sentado no meu sofá devidamente gambiarrado e sai, decidido a não fazer porcaria nenhuma, mas me fazendo severos elogios. Mas não me sinto mal como antigamente, mais. Desde que comecei a encarar minha tarefa como uma via na contra mão da história, ou seja, ao invés do Príncipe, Spinoza passou a ser o caminho mais ético, e resolvi falar a verdade a todos, doa a quem doer, e geralmente dói mais em mim, ficou ainda mais difícil comprar o leitinho das crianças.

O fato é, dificilmente alguém deveria começar um negócio desse tipo (ou qualquer outro) hoje em dia.  Se você tem grana, vá correndo para a praia, tome muitas caipiroskas, olhe as garotas do pescoço para cima e nunca olhe os rapazes, etc…  antes do tsunami final.  Se preferir um conselho mais evangélico, siga as orientações de Jesus, aquele alarmista da Galiléia, em Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21 (capítulos escatológicos dos evangelhos) e faça tudo o mais rápido possível.

Se o governo encontrasse alguma decência em sua cara, me daria a aposentadoria a que faço jus e eu trataria de gastar meu tempo escrevendo nos blogs, convencendo a todos sobre a relevância do Projeto Coração Valente e fazendo outro mestrado ou quem sabe até um doutorado, sem contar nada a ninguém, claro. Acalentei, durante muito tempo, utilizar meus sábios conhecimentos sobre Desenvolvimento de ONGs (em inglês é só Development) em benefício de alguma causa justa, talvez em favor de crianças, mas fui vencido pelos moinhos de vento. Agora estou internando os adeptos de emoções fortes geradas por meios químicos ou etílicos em clínicas de recuperação, só os ricos, óbvio, e fazendo da desgraça deles a minha alegria. Ainda está devagar, mas prometo tirar muitos deles de circulação, devolvendo-os ao convívio social completamente caretas, com bíblia em baixo do braço e cartão de afinidade da Renascer no bolso. Vocês que andam tomando todas, cuidado comigo.

O pior não é isso, acredito piamente ter sido uma porta aberta por Deus. Certa noite, sem sono, fiquei assistindo as pessoas darem seus testemunhos aos repórteres pastores da Universal e todos eles terminavam dizendo: Peça a Deus para ele lhe abrir uma porta. Pelo sim, pelo não, fiz isso e pimba, a porta está aberta. Se bem que toda a parte burocrática ficou por minha conta. O velhinho CO do céu só dá as idéias.

9 thoughts on “Consultoria maquiavélica

  1. “…decidido a não fazer porcaria nenhuma, mas me fazendo severos elogios”.

    Já passei por isso (e como sou grato). Só não tive o prazer de provar o café da Dedé.

    Abraço.

    O café está a sua espera, sempre.

  2. Consultoria com direito a café da Dede? eu também quero pô…

    E eu trataria rapidinho de fazer uma consultoria com a própria Dedé, porque essa vitoriosa aí sim, é que deve ter muito conselho pra dar…

    Creio que logo você virá provar o café da Dedé, em nossa nova casa em S. Paulo. Certo? Não esqueça o Notebook.

  3. Pimba! Ganhou um projeto pronto?Agora é só desenvolver.

    Mas,pensando melhor,o Velhinho poderia ter lhe mandado um assistente
    também…para cuidar da parte burocrática.

    E não é?

  4. Xiiiiiiiiiiii,Lou,é isso que dá velho.Tenho a impressão que entendo você.Como disse nossa querida Madre Teresa de Calcutá: “Não devemos temer ser sinal de contradição para o mundo”. Arregaçar as mangas,é parte nossa meeeesssmoooooooooo. Num dá pra fugi.

    Mas, pelo menos de vez em quando, poderia soprar algum vento noroeste na nossa horta, né não?

  5. Derruba tudo Lou!!! É dessas coisas que aprendemos a ser um Rambo na vida!
    Vou para rua agora ver as garotas até o pescoço.
    Abraço!

    Eu disse do pescoço para cima. Olha lá, não me comprometa!

  6. Lou, entendo bem o seu sentimento de “num dianta fazer nada”…
    Afinal, o sonho é nosso e ninguém parece querer partilhar deles, ou até querem, mas muito pouco…

    Esta consultoria às avessas é bem interessante, um verdadeiro banho de realidade!!!

    Já fui consultada algumas vezes sbre o “ser enfermeira” e, apesar dos meus conselhos, as moçoilas acabaram por enveredar pelo caminho da enfermagem… Acho que não fui convincente o bastante, quem sabe…

    Acho que você poderia abrir um curso de “como ser convincente em suas consultorias”. ou algo assim… rsrsrs

    Boa idéia! Já estou pensando no conteúdo.

  7. Dos cositas:
    Sigo teu conselho, vou pra praia ver a chuva e o pescoço das garotas;
    Terei cuidado contigo, pois tomarei todas.

    Preste bem atenção! Eu disse: acima do pescoço. Nada de olhar o pescoço delas.

  8. Não preciso te alertar quanto ao perigo de andar com Spinoza, Dom Quixote, enfim, com toda essa gente da estirpe de Nazaré.

    A Gruta é como um botequim, ou seja, nós não escolhemos com quem beber, eles nos escolhem.

  9. Concordo com a Carmen, eu sempre digo às moçoilas: não tenham filhos, não façam isso! Mas a mulherada insiste em que ter filhos é uma forma de realização, e embarriga. Não estou sendo convincente, vai ver que é porque amo meu filho.

    Também não consigo convencer as moçoilas a não terem filhos. Por enquanto, sucesso só em convencer o pessoal a não começar ONGs. Entretanto, creio que teria uma argumento consistente, caso tentasse. Mas confesso, também acho que elas devem ser mães, ao menos uma vez.

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