Confúcio era um idiota
Scarlett Johansson


Se foi ele quem disse para ensinar o necessitado a pescar ao invés de dar-lhe o peixe, ele foi um energúmeno. Jesus estava certo e, provavelmente, pensando em Confúcio quando contou aquela história do Bom Samaritano. Foi o jeito cortês dele mandar Confúcio para o inferno, ops, para algum lugar distante.

Não tem jeito pior de destilar mesquinhez do que dizer: “deixa ele se virar se não ele não aprende nunca”. Isso é conversa de mão de vaca que não quer dar a esmola. Albert Schweitzer e eu temos aprendido essa dura lição. Entramos na vida com a missão de esmolar para poder ajudar os necessitados e viver. O Albert tinha uma vantagem sobre mim, tocava Bach, no orgão, bem melhor que eu. Fico tentando fazer graça, que é a única coisa pertinente a um palhaço. Às vezes, levo o aparelho de som para perto do órgão, ligo o Bach e fico fazendo de conta que estou tocando. Funciona até o povo se aproximar e descobrir a falcatrua. Não é fácil correr com um órgão nas costas (ou como dizem os sorocabanos, na costa).

Quando estou na dureza (como agora) faço o que qualquer um faria. Ligo para todo mundo, enquanto o telefone estiver funcionando. Além disso, faço visitas aos amigos. Geralmente não aviso, pois aprendi que os amigos costumam não estar para os esmoleiros. Você não acreditará se eu contar as coisas que já me disseram. Daria um bom livro daqueles de curiosidades: “O que as pessoas dizem quando você lhes pede uma esmola”. Começa desde o velho “Vai trabalhar vagabundo” e termina com algo que prefiro não mencionar. Tudo com muita sutileza, claro. Uma vez meu “amigão” Douglas Mônaco me sugeriu a nobre profissão dos garçons. No primeiro momento fiquei ofendido. Como um sábio e honorável consultor de ONGs poderia sujeitar-se a algo tão infame. Depois fiquei com vergonha do meu preconceito. Nunca imaginei que tinha preconceito de ser garçom e me esborrachei de tanto rir, imaginando-me na função, com meu proverbial jeitinho em trabalhos manuais. Adorei o conselho e fiquei com uma vontade incontrolável de jogar umas coisas na cara dele. Mas me contive.

Descobri ainda, que anúncios de emprego de jornal não oferecem emprego. Geralmente, funcionam mais como propaganda enganosa, com raras exceções. Sem falar no Jeremy Rifkin e seu livro “O fim dos empregos”. Como disse o meu grande amigo e companheiro Leonardo Boff, “para cada cinco arrimos de família hoje, há um emprego”.

Também sou formado em Educação Física. Pensei, um milhão de vezes, em abandonar as ONGs e voltar para os exercícios e os esportes. Mas essa alternativa sempre acaba quando olho para o espelho e vejo o que fiz com meu corpinho sarado de outrora. Também, vá escolher mal as profissões assim, lá longe. Consultor (ou administrador) de ONGs e Professor de Educação Física, não tem nada pior. Na verdade tem, psicologia e direito são bem piores, sem falar em assistência social, medicina, engenharia, mecânica, açougue, etc.

Na próxima vez (em outra encarnação) escolherei melhor. Política ou pastorado, sem dúvida. Ah, e não cairei nesse golpe de cristianismo onde roubar é pecado. Se casar, não será com uma esposa cristã, dessas que acreditam nas bobagens bíblicas, também. Pastores são como os diabos, eles conhecem a bíblia, mas não crêem nela, salvo engano.

Não estou culpando os pastores por minhas dificuldades. Elas são o resultado das minhas incompetências. Taí algo que consegui fazer sozinho, sem a ajuda de ninguém. Ou melhor, minha mãe me ajudou nisso, um pouco.

Agora, poderia viver sem esse mentecapto do Confúcio. Né não?