Como resolver um problema insolúvel?

“Jesus olhou para eles e respondeu: “Para o homem é impossível, mas para Deus não; todas as coisas são possíveis para Deus”.
Marcos 10:27

Meu pai, se vivo fosse, diria: “O que não tem remédio, remediado está.”

Incrível como o velho conseguiu administrar sua vida, e em parte a minha, pelo menos enquanto vivi sob a tutela dele, usando essa vã filosofia, formada por ditados populares. E ele a conhecia como poucos, por isso tinha um dito para cada situação. Suas depressões duravam uma tarde ou manhã, no máximo. “Cobra só come bicho parado”, e lá ia ele de novo.

Há 18 anos vivo do trabalho de minhas mãos, com raros e breves períodos de trabalho como empregado e das contribuições voluntárias devido ao meu lado sacerdotal, embora isso tenha funcionado mais intensamente nos tempos em que precisávamos tratar do Thomas. Também não chegou nem para o mínimo necessário, e depois de sua partida, essa fonte secou, praticamente. Nada comparável às contribuições recebidas pelos condenados do mensalão pelas mãos dos companheiros de partido. Na próxima encarnação, ao invés de igreja, procurarei fazer parte de um partido de esquerda.

No trabalho por conta própria, tenho me proposto a fazer consultorias para organizações sem fins lucrativos (ONGs, igrejas, escolas, hospitais, creches, asilos, orfanatos, clubes, etc, não importa o nome dado a essas casas), em especial para aquelas cujo vinculo seja cristão, pois fui treinado para isso, embora tenha feito vários trabalhos com todo tipo de organizações. Minha especialidade é Desenvolvimento (comunicação e captação de recursos), mas sempre faço algo na parte administrativa, pois uma área depende da outra. Além das consultorias, montar, consertar, configurar, organizar, etc., computadores pessoais sempre ajudou a colocar comida na nossa mesa.

A consultoria, quando comecei era quase uma exclusividade. Ainda assim, era difícil conseguir clientes. Meu mentor, o Dr. Dale W. Kietzman me avisou dessa realidade. Esse conhecimento é raro e as pessoas nem sabem que precisam dele e, mesmo quando você esclarece bem do que se trata, a ignorância e ceticismo a respeito serão grande empecilho. “Fleming descobriu a penicilina muito tempo antes dela vir a ser usada e, apesar de muitas epidemias e milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas, a comunidade médica relutou em usá-la, pois não conhecia os efeitos dela”, me dizia o Dr. Dale. Ele mesmo me mandou um E-mail oferecendo todo o material dele, pois não o utilizava mais.

Apesar do mercado da chamada filantropia ter sido inundado de consultores, captadores de recursos e marqueteiros, geralmente recém saídos das nossas belas e inuteis faculdades ou velhos profissionais já em fim de carreira deserdados de seus empregos, ainda hoje os envolvidos não estão preparados para entender a necessidade de profissionalizar o serviço. Basta olhar para os times de futebol, se desejar entender melhor o que estou tentando demonstrar, invariavelmente dirigidos de forma amadora. Sim eles também são organizações sem fins lucrativos (ou deveriam ser).

No caso do trabalho em informática, o mercado foi inundado por jovens, todos capazes de entender essas máquinas maravilhosas rapidamente e me deixar a ver navios, portanto. Pessoal não liga muito para a experiência nessa área, também. Importante é rapidez e isso eu não posso oferecer mais. Sabe como é, né?

Eis-me aqui, as voltas com um problema muito parecido com algo impossível de ser resolvido, fora a pressão, pois os credores, sejam quais fores, públicos ou privados, não esperam e/ou possuem paciência bem curtinha. Fora as necessidades pessoais de todos em casa, incluindo a mim mesmo. Hoje participei de uma reunião em minha antiga igreja. Eles têm lá alguns projetos sociais e/ou de evangelização, isso aventou uma hipótese de desenvolvermos algum trabalho juntos e implementar esses projetos. Mas a reunião era para me informar que não ia dar samba, digo, gospel, entre nós.

Sabe, no fundo, o sentimento é de rejeição e exclusão pessoal, fora o possível preconceito contra a idade, ainda que as coisas fiquem no nível dos temas abordados, com desculpas esfarrapadas de falta de grana ou espaço.

Nessa altura do campeonato, imaginava nunca mais ser obrigado a engolir esse tipo de sapo, mas parece ser pouco provável. Muito possivelmente precisarei dar um jeito de espremer o tubo de pasta para ver se sai mais um pouco de creme dental dele, nem que seja para uma última escovada. Nesse caso, só usando os conselhos de Deus e de meu pai, ditos no início, se for capaz, pois está difícil achar mais um pouco de razão e sensibilidade, sem falar em vontade.

A solução para o não solucionável está dita, embora nem eu esteja muito convicto dela.

OPS: Caso você sinta alguma pena ou compaixão por mim, por favor, guarde esses sentimentos para você, ou tome um bom laxante se não passar, como diria Aristóteles. Nada pior do que perceber alguém sentindo pena o compaixão de você.