A Gruta do Lou

Cadê meus óculos?

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Em conversa com um pastor amigo, que talvez leia esse post, ouvi-o a me aconselhar os ensinamentos de gente bem sucedida no ministério como Edir Macedo e Mike Murdock. É difícil aos mais jovens perceber que macacos velhos como eu já caminharam pelos quatro cantos da floresta. Todavia, depois da conversa, tratei de ouvir as últimas mensagens desses dois senhores bem sucedidos no ministério e na vida, seja lá qual for o significado verdadeiro de sucesso.

Pelo que pude extrair dessas oitivas, os dois continuam utilizando conceitos muito comuns nos livros de Autoajuda. O Edir fala insistentemente sobre Acreditar em si mesmo, que não passa de tentativa de reforçar a autoestima das vítimas, entre várias cacetadas desorganizadas entremeadas ao objetivo principal. O Murdock é mais enrolador, mescla mais passagens bíblicas, mistura exemplos pessoais e histórias da vida alheia, mas no fim, seu propósito é o mesmo: motivar, levantar o moral do pessoal, etc.

Não que seja ruim, provavelmente, o que as pessoas buscadoras de igrejas mais precisam seja esse tipo de força. O Ruben Cesar Fernandes, presidente da ONG Viva Rio disse, certa vez, que a Igreja Universal é o psicólogo dos pobres. A classe média vai à terapia e a pobre à Universal do Reino de Deus. Nos dois lugares encontram psicologia medíocre, métodos comportamentais de segunda ou pior. Afinal, poucos tem a sorte que tive, de ter o Zenon como terapeuta. Pelo menos, ele assumidamente trata as pessoas com métodos comportamentais, mas usa o que há de melhor, porque conhece. Acredito que as igrejas tradicionais ou neo-tradicionais estejam utilizando psicologia demais também. Faz muito tempo que não assisto uma boa pregação teológica, é um inferno.

O problema da autoajuda é que prevalece a velha história do pastor que chega na casa da irmã deprimida e pergunta se ela está lendo a bíblia e ela responde que não porque perdeu os óculos; o pastor procura pelos óculos e os acha depositados sobre a bíblia dela. Pessoalmente experimento isso, tendo aprendido métodos comportamentais como Gestalt, Logoterapia e Análise Transacional, matérias onde nado de braçada, se utilizasse esses conceitos em meu dia a dia, melhor, eles somados a princípios bíblicos que domino como poucos e mais um monte de histórias da vida real, as quais sou capaz de passar noites a dentro narrando-as, seria mais bem sucedido do que o Bill Gates. O problema é que nunca encontro meus óculos. Gente como eu, susceptível às depressões eventuais ou crônicas, não pode parar de ler ou escutar essas lorotas motivacionais todas. É o nosso Biotônico Fontoura, ou nosso crack, somos dependentes desses ensinamentos, mas ao contrário dos dependentes químicos, quando mais precisamos deles, tratamos de nos afastar e repeli-los, paradoxal mesmo. O Napoleon Hill está há semanas, aqui do lado, olhando para mim, dia e noite e não lhe dou a mínima.

Uma boa forma de manter a mim mesmo é dirigir grupos de auto-ajuda, pois isso me mantém enquanto mantenho minhas vítimas. O Zenon sempre me usava para substituí-lo em seus impedimentos. Claro que ele ficava com os grupos do Morumbi e me passava o pessoal da Praia Grande, como diria o Nivaldo Nassif. Mas funcionava, além de manter a renda em alta, me mantinha são. Só que desde nossa vinda para Sorocaba, fiquei afastado dessa possibilidade. Aqui o pessoal não entende a minha língua e muito menos minhas propostas e planos. Costumam dizer que sou muito teórico, um eufemismo de “não entendo nada do que ele fala”. Descobri, tardiamente, que eles não conheciam o significado de metade das palavras que costumo usar em meu vocabulário normal. Coisas de sorocabanos, gente boa e muito simples. Como me diria Pedro: “as muitas letras te fazem delirar”. Pior, talvez nem seja tanto assim, pelo menos não em meus critérios. Talvez possa reiniciar algum grupo assim que me estabelecer de volta em São Paulo. Isso me faria muito bem e, de quebra, seria útil aos participantes, também.

O Alex Fajardo acaba de me convidar para fazer um mestrado com ele lá na Metodista. Seria bom, depois só ficaria faltando abrir uma igreja em algum bairro rico de São Paulo, talvez a Igreja Batista de Moema ou a Igreja Metodista Betesda de Higienópolis. Uma vez me convidaram para pastorear uma Igreja Missionária em Indianápolis, mas desisti achando que a Dedé não toparia. Essas coisas você só pode assumir se toda a família estiver de acordo.

lousign

5 thoughts on “Cadê meus óculos?

  1. Só faltou dizer que antes de “todos nós” vc tentou ser pioneiro, tentando o mestrado lá na Metodista em 1997. (nessa época eu tava iniciando a graduação).

    Mas invés de fazer mestrado para abrir igreja, o caminho lá é por outro nível. Nem todo bom estudante é pastor, e vice-versa.

    Se eu tivesse um pouco dessa competitividade e ambição, buscando as primasias na vida, hoje não estaria aqui quase mendigo. Só citei esse fato por mera curiosidade, uma neura cujo objetivo é provar o quanto sou perdedor, afinal não fui capaz de levar a coisa adiante. A menção a abrir igrejas depois (antes ou durante) do mestrado na Metodista foi só mais uma ofensa vertical aos nobres pastores ricos de nossos dias. Na atualidade, o não seminário forma muito mais pastores do que a Universidade Metodista e suas congêneres.

  2. A pessoa chega no pastor e pergunta: To passando por problemas, preciso ouvir a voz de Deus… não aguento mais ficar sem ouvi-lo, senti-lo pastor!
    E quando o pastor pergunta se esta pessoa ja leu a biblia pra procurar resposta, ela responde: Puxa pastor, é que estou tão sem tempo…

    Isso cabe a também ao meu eu hipócrita

    Os pastores nem precisariam se dar ao trabalho de nos lembrar sobre a importância da leitura bíblica. Soa como chover no molhado, mas deve estar incluso no pacote do juramento deles fazer esse tipo de cobrança.</strong>

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