A Gruta do Lou

Avacalhação na Prática

Anarquista

Libertário; pessoa que segue o anarquismo, defendendo a liberdade individual e a redução do poder e do tamanho do Estado, se possível, na totalidade, em toda a sociedade. Anarquistas da gema, nunca lançarão mão de violência. ”

Lou H. Mello

Aniversário é momento punk. Mais uma sacanagem desse mundo, sobretudo para os mais velhos. Só foi legal quando completei dezoito anos, na perspectiva de poder fazer um monte de coisas impróprias a menores de dezoito anos. Não que já não as fizesse, mas não precisar me preocupar mais com essa bobagem.

Sempre na contra-mão, já dirigia os carros lá de casa há um tempão. Deus resolveu me fazer umas surpresas naquela noite, aliás começou à tarde. Um dos meus “amigos” demonstrando todo seu apreço por mim, resolveu desligar a energia elétrica da minha casa, desconectando a chave geral.

Fui lá, todo compreensivo e pedi para ele não fazer aquilo e tal. Votei para dentro e a luz apagou de novo. Saí pensando em pedir para ele ir embora ou algo assim. Quando cheguei perto do cara, segurando uma pilha das grandes na mão, me deu um soco inesperado.

Foi premeditado, deixando claro todo o rancor, inveja, ciúmes, etc., que nutria por mim, sem que eu tivesse a menor ideia disso. Uma surpresa de aniversário bem atípica, sem dúvida. O alvo era o meu olho, mas consegui esquivar um pouco e pegou ao lado, não afetando o olho, mas  a região ficou bem traumatizada.

Mais tarde fui levar outro amigo para casa. Não era longe. Quando parei na frente da casa dele, uma perua estranha parou atrás do meu carro. Desceram vários homens armados, com metralhadoras e tudo. Apresentaram-se como policiais.

Solicitaram meus documentos. Do carro eu tinha, mas não era habilitado, ainda. Estava completando dezoito anos, naquele dia, digo, noite. Pra falar a verdade, nem estava preocupado com isso. Me levaram até em casa, com carro e tudo.

O Comandante daquilo, um tal Inspetor Ladeira, chamou meu pai. Não deu para entender bem o que ele queria. Meu pai tentou contemporizar, oferecendo bolo e algo para beber e deixar aquilo pra lá, afinal era meu aniversário.

Pelo jeito, o objetivo não era bem esse e fomos todos para o Detran, onde meu pai teve que pagar duas multas: 1) A primeira por eu estar dirigindo sem habilitação. 2) A segunda por meu pai ter dado a direção a pessoa não habilitada. Cada uma no valor de um salário mínimo da época. O velho desembolsou na boa e em espécie.

Se não estivesse completando 18 anos naquele dia, haveria uma terceira multa, referente a entregar a direção do auto a menor de idade. Isso ajuda a entender porque os caras colocam dificuldade para reduzir a maior idade penal.

Nessas horas, agradecíamos a Deus por estarmos no Brasil e o salário mínimo ser um dos mais baixos do mundo, onde quer que essa aberração exista, ainda.

Então voltamos pra casa e meu pai fez questão de que eu fosse dirigindo. Ele devia ter alguma “confiança” para agir assim.

Ao chegarmos em casa, percebi já estarmos no dia 9 de janeiro e no gozo dos meus plenos dezoito anos de vida. Assim sendo, nenhuma outra surpresa surgiu, pelo menos naqueles dias. Quanto ao resto dos meus dias, vocês já sabem o tanto de surpresinhas Deus tinha preparadas para mim.

Apesar da idade, sempre fico meio apreensivo com cada novo ano a mais que me vai sendo acrescentado. Não consigo deixar de pensar nas tais surpresinhas divinas. Vai saber o que o Magnânimo tem em mente, dessa vez.

Engraçado é o fato de, embora tendo cometido meus pecados, a meu julgamento, nunca fui dos piores. Não sou violento, pelo menos não me vejo assim, ao contrário, sou da paz, fujo de encrencas. Todo mundo sabe que costumo ter palavras apaziguadoras, geralmente, alegres e pacíficas na maioria das situações.

Meu maior defeito deve ser o fato de não acreditar em quase nada e o paradoxo é eu acreditar em Deus, Jesus e suas ideias anárquicas. Mas se olharmos bem, isso tem a minha cara.

Só que em vez deles (Pai, Filho e Espírito Santo) me protegerem, ampararem e me darem força, eles só me sacaneiam. Tá bom, às vezes eles me aliviam um pouco. Deve ser para evitar que eu desista. Pior é eu ser resistente, teimoso, insistente, sei lá.

Um detalhe, que jamais deveria revelar, aqui ou acolá, é que um avacalhador do meu naipe (não confunda o conceito chulo de avacalhação com anarquia) não se emendará nunca. Ele vai continuar tentando e eu continuarei suportando sem jamais arredar pé.

A minha vantagem é que sou finito e Ele não. Ele sabe disso e o tempo está a meu favor. Quanto mais aniversários comemoro, mais perto da vitória estou. Hi, hi.

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