Autores, teólogos, Olimpíadas e eu

Tenho por Nietzsche enorme respeito e admiração. Sinto que ele tenha chegado tarde à minha vida. Diferente da maioria, destaco “Ecce homo” e o “Anticristo Maldição do Cristianismo” em relação a “Além do bem e do mal” e “Assim Falava Zaratustra”, embora goste bastante de todos os escritos dele. A gente vai lendo e, de repente, topa com algo soberbo e inusitado. Ele não gostava dos teólogos e entendo o lado dele, afinal os conheceu pessoalmente. Felizmente ou infelizmente a experiência das pessoas nunca é igual, inclusive entre dois escritores renomados feitos ele e eu. E não me venham com piadinhas sobre isso.

Aprendi muitas coisas boas com vários teólogos. Destaco os “Bs” (Bonhoeffer, Barth, Berkouver, Bultman), mas a lista é muito maior, sem dúvida. Admito que alguns teólogos modernos me irritam e não consigo ler nada deles. Sinto falta de quem faça teologia brasileira da gema. Quase tudo em que cremos ou abominamos vem de fora. Na época da Teologia da Libertação apareceram alguns, ao menos isso, e fiquei animado. Pena que o negócio passou e levou os caras junto. Agora eles são simples lembranças, quando não viraram escritores de fábulas inspiradas em documentários da TV Discovery com “A Águia e a Galinha” do ex-frade Leonardo Boff, paradoxalmente, autor de livros teológicos excelentes como São Francisco de Assis: Ternura e Vigor e Igreja Carisma e Poder, para horror do atual Papa, ou abandonaram a teologia para naufragar na pedagogia, como é o caso de Ruben Alves que agora se vê, nos anos finais de sua vida, obrigado a contar lindas histórias de seu tempo de menino em Minas Gerais para poder sustentar a casa e se declara a Adélia Prado em público e na presença dela, sem falar naquela história antropófaga dos Yanomamis como um símbolo da eucaristia.

Infelizmente sou obrigado a concordar com Paulo (o apóstolo), ou seja, é bom que o homem não toque em mulher, mas por causa da imoralidade, cada um deve ter sua esposa e cada mulher o seu próprio marido. Pior é que eu vou muito além do apóstolo, pois prefiro infinitamente ter a minha esposa a fazer e/ou ler teologia. Pena que Deus tenha errado a mão ao nos conceber e nos fez com o vírus do envelhecimento e da morte. Sei que sou antiquado e machista nesses pontos, o que me salva é saber-me entre os menos radicais. Entretanto consigo ver Deus além da poesia, embora reconheça a contribuição inegável dos poetas nesse fazer. Em verdade vos digo, sou tão babaca em ver Deus em toda parte que acabo vendo-o em tudo, até nos livros da turma dos propósitos. Difícil mesmo é encontrar o bom velhinho nas igrejas de nossos dias. Freqüentei igreja e gostava, havia prazer em tudo aquilo e até alguma espiritualidade, ou como diria o panaca do Douglas Mônaco: não gosto de muita coisa, mas reconheço algo de Deus ali.

Bíblia noves fora, aprendo muito sobre Deus com Nietzsche, especialmente no como não se deve crer. Claro que superei o mestre ao conseguir aprender e descobrir o Criador em escritos teológicos. Gênios são assim mesmo. Eu me amo. Uma vez fui preletor em um acampamento, lá no Palavra da Vida e achei melhor me apresentar, julgando que a maioria não me conhecia. Então gastei vinte minutos de meu tempo enaltecendo-me e elogiando-me. Acho que não gostaram, pois embora não tenham reclamado, nunca mais me convidaram. Aqui funciona melhor acabar consigo mesmo, aí o pessoal te acha o máximo, especialmente se tiver razão.

Bom, para um sábado chuvoso e apesar do sofrível desempenho de nossos atletas nas Olimpíadas, está ótimo. Superei-me de novo.

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4 respostas para “Autores, teólogos, Olimpíadas e eu”

  1. Bete

    Faz algum tempo que parei de fazer os cultos dominicais e você é a primeira a lembrar o fato, salvo engano. Alem de todos os meus motivos para preservar um desânimo crônico, a sensação de que aqueles posts não estavam agradando ninguém, a não ser a mim mesmo, me levaram a deixar a idéia de lado. É preciso considerar o histórico que inclui o tempo em que me convidavam para fazer palestras e eu usava o método expositivo para compor meu roteiro e depois fazer a narrativa. Chegou o tempo em que os convites se esgotaram. Nunca recebi uma única manifestação a favor da continuidade daquele trabalho e concluí, com humildade, que não estava agradando. Gente como eu não nasceu para essas coisas. Mas sob sua gentil lembrança, prometo pensar em voltar a fazer, embora a Bíblia diga que são necessários dois, pelo menos.

  2. O bom do post é que podemos ser seletivos e escolhermos um único ponto para darmos opinião hehehe

    Dou destaque à citação de Nieschtze, com ele também aprendi a como não crer a como observar humanos como humanos e não como super-homens criados pelo pseudo-cristianismo…

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