Se a igreja não clamar, as pedras clamarão

Querido Lou

Minha esperança e fé é de que você, Dedé e as crianças (sic) estejam bem, dentro do possível. É véi, o tempo passou… Laila e eu já somos avós de dois netos, isso porque nossos filhos são adeptos do planejamento familiar. Embora você não esteja mencionando mais na Gruta ou em seus E-mails, o fato de vocês ainda estarem em Sorocaba é uma evidência clara de que estão sofrendo muito. Pois é, naquele dia em que nós dois saímos daquele mar, vivos, milagrosamente vivos e, ajoelhados na areia da Praia em Ilha Bela, oramos e dedicamos nossas vidas ao serviço do Senhor, pois naquele momento mesmo sem trocar palavras, sabíamos que nosso Senhor estava nos dizendo: Sigam-me, implicitamente assumimos sofrer com Ele. Assim, não há porque reclamar, só aceitar nosso desígnio.

Vocês sabem que minha vontade era tê-los aqui conosco, alias, não só minha, mas todos aqui os amam muito e vivem perguntando quando é que virão passar mais algum tempo conosco, para matar as saudades enormes. Até o Peter Miller, agora nosso presidente da missão, lá de Londres vive me cobrando o dia em que conseguirei trazê-lo para cá, com escala na matriz, lógico. Ontem, como fazemos todos os sábados, celebramos nosso shabat, sempre com o toque magistral dos judeus convertidos, a maioria entre nós. Li seu post sobre a páscoa para todos e depois praticamos o perdão. Cada um disse em voz alta o que estava perdoando e alguns aproveitaram para pedir perdão por um pecado ou outro. Foi um momento lindo e emocionante. No final, para minha surpresa, um deles propôs levantarmos uma oferta para enviar a você. Cara, eles são convertidos, mas foram todos educados na cultura judaica, portanto, fui testemunha de um grande milagre. Não deu muito, afinal são todos missionários, a começar por mim, entretanto, esse mês você receberá uma porção dobrada. Afinal era sábado e agora você não deve sair para colher. Todo mundo riu muito com suas ideias, como sempre, mas trataram de assimilar tudo com grande respeito.

Sei muito bem que isso não fará grande diferença em sua necessidade. Minha mãe me inteirou dos fatos e vocês precisam muito de nossas orações além de nossas ofertas, que não cessarão enquanto estivermos vivos e sua necessidade persistir. Você sabe muito bem que eu choro cada vez que o inimigo te impede no serviço ao Senhor, obrigando-o a fazer bicos e serviços para pagar as contas e suprir tudo, embora sempre falte muito. Nada me entristece mais do que não ter você por inteiro no trabalho para Deus. Você se lembra aquela vez que estava para assinar contrato com uma empresa, salário ótimo e Deus me mandou sair daqui de Jerusalém e ir a São Paulo para dizer-lhe: Não faça isso? Como sempre, você já sabia qual era a vontade de Deus e, por um momento pareceu-me ter feito uma viagem cara e inútil, até que percebi que o alvo era eu. Foi mais uma lição na matéria “Ouvir a Deus”, na qual você é Mestre. Talvez o propósito do seu sofrer seja nos manter em pé, embora isso nunca me conforme.

Não se iluda, sabemos muito bem que assisti-los em suas dores nos mantém humildes, por isso sei que vocês sofrem por nós, também. Viu como suas aulas sobre Corpo de Cristo foram contundentes? Por aqui, seus estudos sobre o ministério de Cristo nessa região são famosos e a turma não se cansa de pedir para você vir repetir a dose. Cara, aquela narrativa do Evangelho de Marcos em sintonia com o livro de Atos ainda está ecoando em nossos ouvidos. Pena que o pessoal por aí não lhe honre como profeta. Santo de casa…

Bom, imagino que as coisas por aí não estejam nada bem, para Deus estar nos fazendo sentir tanto peso em nossos corações por vocês. O Peter me informou que as contribuições do Brasil caíram vertiginosamente e isso é um indício de fraqueza de nossa igreja, no mínimo. Que saudade dos anos oitenta, quando a igreja cristã no Brasil se engajou… Mas os lobos devoradores fizeram um serviço muito eficaz e conseguiram esse resultado lamentável. Ah, encontrei o Tony na cidade velha, ele quase passou por mim sem me cumprimentar. Quando perguntei se ele ainda mantinha contato, respondeu que não se lembrava de vocês. Fiquei perplexo! Na mesma hora, lembrei de você, lá em Lisboa, abrindo sua carteira e dando a ele todo o dinheiro que havia nela. Eu jamais esqueceria uma pessoa que fizesse isso por mim. Confesso que senti ódio do cara.

Olha Lou, sei que você não gosta de fazer propaganda de sua generosidade, mas eu gostaria que você publicasse esse meu E-mail em seu blog, algo me diz que deve ser assim. Entende?

Todos aqui enviam beijos e abraços apertados à família e a você de forma especial. Mesmo tão longe, estamos com vocês, sempre.

Laila e eu, sempre com amor incomensurável,

Seu irmão e amigo

Khalil

De fé em fé


“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego, visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O Justo viverá pela fé.” Romanos 1:16 e 17

Dia desses, um pastor amigo encomendou um livro sobre a fé e, embora ele tenha me passado (verbalmente) seu roteiro, comecei a pensar no assunto, mais demoradamente. De saída, lembrei desses versículos e fui conferir na minha bíblia NVI e, pasmem, não estavam mais lá, quero dizer, estão, mas não do jeito que deviam estar. Sabe, tenho um segredo e revelarei para você agora: Tenho mania de checar o texto bíblico vertido para português com o texto original, não importa a versão. Estou falando do Novo Testamento, pois não tenho originais do AT, nem mesmo uma reles septuaginta. No caso citado o texto original diz: de fé em fé (sse isso faz muita diferença.

Aprendi, logo no inicio da caminhada bíblica (Volney, isso te lembra algo?) que viver pela fé é um exercício. Em outras palavras, a fé carece de ser exercitada. Sei que a maioria já ouviu isso, mas tenho a sensação de que o verdadeiro significado ficou para trás, em alguma Lan House da vida. Esses dias, lembrei o significado orignal da Páscoa; contido lá em Êxodo 12, em um texto espetacular que, considerando o volume de manifestações via comentários, só o Rubinho, Juber e eu tivemos o privilégio de verificar, enquanto o resto do pessoal se fartava em chocolates; e de como o povo foi violentamente retirado de um sistema capitalista neoliberal e introduzido em uma nova proposta econômica, a saber: a economia da fé. Nesse ponto, voltamos à questão do exercício da fé, que a NVI tentou subtrair-nos.

No deserto, o povo não foi aconselhado a arranjar um emprego, como meus irmãos em cristo, conspirados aos meus parentes idólatras, vivem me aconselhando. Irresponsavelmente, contrariando os maiores psicopedagogos da paróquia e os chineses com a história da varinha com anzol, Deus informou a todos que iria suprir suas necessidades, começando pela comida. Ao povo caberia viver pela fé, no caso, esperar que chovesse maná e codornizes a cada novo dia e, depois da chuva estranha, apanhar aqueles alimentos sem cair na tentação (falta de fé) de guardar qualquer resto para o dia seguinte. Quem não gostou nadica dessa ultima parte foram os fabricantes de freezers e geladeiras, da época.

Eu não teria problemas para exercitar minha fé, afinal faço isso há anos,  mas segundo o modelo econômico de Deus, o maná só choverá amanhã, nem mais nem menos. Agora, a minha vizinha, com certeza, trataria de juntar maná e codornizes, não apenas para o dia seguinte, mas para o resto do ano, argumentando que Maria (a mulher de Deus) viria com aquela conversa mole e manipulativa, no recôndito do lar divino, que o povo não presta, vive construindo ídolos de barro e ouro, vituperando o templo, etc., e, no dia seguinte, não haveria “niente pio” para comer, ainda mais, com todos os maridos da rua desempregados, graças as insanidades de Moisés, Arão e o chefe deles.

Olha, Deus estava começando a ensinar o povo a exercitar sua fé, certamente, depois da comida, o Divino incluiria novos itens na história, de tempos em tempos. Penso que assim devem fazer todos os que tiverem coragem suficiente para andar segundo a Palavra de Deus. Incluir novos exercícios de fé, a cada novo dia.

Em minhas andanças recentes em busca de subsídios para o livro do Pastor amigo que escreverei, resolvi dormir mais tarde ainda, e fiquei assistindo ao programa do Malafaya, na noite em que o pregador era o Murdock, que figura! Não viraria as costas para esse cara, nem por reza brava. Mas a conversa me interessou muitíssimo, o pregador estava tentando convencer os incautos assistentes, como eu no caso, a dar uma oferta especial de R$ 1.000,00, cada , para o coitadinho do Malafaya cumprir a missão evangelística dele  Eles pretendiam convencer mil pessoas a dar essa ofertazinha, em uma primeira estocada. Olha, por pouco o cara não me convence, só não conseguiu porque não tinha o dinheiro, nem cartões que me possibilitassem fazer a oferta e, pior, sou macaco velho. Aliás, a Madonna é muito melhor que o Murdock, não só cantando e dançando, mas em captar recursos, pois ela esteve no Brasil dois dias e levantou doze milhões (de dólares), doados por três ou quatro empresários apenas. Sei que é tudo para o mal, mas eles usam a economia da fé ensinada por Deus, inegavelmente, só que em proveito próprio e devidamente deturpada.

Isso tudo levou-me a pensar, pô! Porque não posso fazer a mesma coisa, com a ligeira diferença que meus propósitos (sempre eles) são muito melhores do que os do Malafaya e seu amigo gringo com cara de mafioso russo, pelo menos é o que dizem batistas e presbiterianos. No meu caso, ofertas são utilizadas para pagar as contas da casa (aluguel, carro, luz, água, telefone, banda larga, comida, saúde, vestir, lazer, guardadas as devidas prioridades) e, se sobrar alguma coisa, tocar o Projeto Coração Valente. Pensei, se uns três ou quatro contribuintes desses de mil, que o Murdock queria fisgar, desviassem a ofertinha deles para o papai aqui, talvez até fossem mesmo abençoados por Deus. Todo mundo que me ajuda a viver segundo a economia da fé costuma experimentar isso, segundo os próprios. Sei que os leitores da Gruta não costumam ouvir ou muito menos ver Malafaya e Murdock e, dificilmente teriam o perfil esperado por eles, mas fica aí a idéia.

Voltando à questão de exercitar a fé, vivendo de fé em fé, creio que exigiria dos seus optantes, não deixar passar um dia sem exercício e, a cada nova experiência de fé, elas iriam tornando-se cada vez mais intensas e crescentes em importância e significado, até chegar ao ponto máximo, conforme o texto citado, ser justificado pelo evangelho, nessa prática de fé em fé, da fidelidade à fé. Então entrar no nível sonhado pelo imprudente e quase incrédulo apóstolo, ou seja, no patamar em que: “O Justo viverá pela fé”, exercício ensinado originalmente pelo profeta Habacuque, outro maluco irresponsável. Então, queremos ou não estabelecer um mundo mais justo, ou definitivamente justo? A receita é divina: De fé em fé.

Esperança que ainda respira

Embora eu esteja cheio de fé e esperança, pensando positivamente e decretando todas mais maravilhosas bençãos sobre a minha vida e de todos em minha casa, com a casa inclusa, ando preocupado com as nuvens negras rondando o pedaço.

Estou falando da Gruta e todos os sites e blogs que abrigo em minha super revenda de hospedagem. Obviamente, não quero nem pensar em ficar sem eles, mas sou obrigado, pelo menos por uma questão ética, a me sentir mais desconfortável, caso a gloriosa Locaweb venha a bloquear os serviços, com meus clientes. Muito embora, nenhum deles tenha dado pelota aos boletos que lhes enviei com tanto carinho e, até agora, não tenham dado qualquer notícia. Claro que estou falando de todos os dois.

Agora, em termos éticos, o prejuizo maior ficaria por conta do blog/site do Projeto Coração Valente, já bloqueado pelo Registro Br, mas ainda funcionando precariamente como uma sub-pasta em um dos meus blogs. Isso porque ele funciona como um site de informação aos familiares dos cardiopatas congênitos, aos médicos e dentistas interessados, também. Ainda não entendi bem a vontade de Deus em relação ao projeto, mas se ausência de contribuições significar “feche esse negócio”, então o projeto já era.

Bom, a maioria dos leitores já sabe qual é a rota de escape em caso de calamidades providenciadas pelo gerente do universo, mas por via das dúvidas, o endereço alternativo da Gruta é www.luizhmello.wordpress.com, onde mantenho uma Gruta 2, um blog estepe, armazenado nos computadores wordpress, para tais eventualidades.

Prevenir acidentes é o dever de todos (frase retirada do meu inconsciente remoto).

Origem da Páscoa

Ontem, domingo chamado de Páscoa, olhei alguns textos que abordavam esse tema. Não encontrei muitos, entre os blogs relacionados em meu Bloglines, mas todos, sem exceção relacionavam o evento à uma prática cristã envolvendo a Jesus Cristo.

Sem dúvida, o Filho Unigênito de Deus tem tudo a ver com ela, mas ele não criou o fato, apenas o consumou.

Em nossa cultura e religião, adotamos o estranho hábito de comer chocolates em formato oval que deveriam ser trazidos durante a madrugada do sábado de aleluia para o domingo pascal, por algum super coelho maluco com capacidade de transportar uma carga imensa, talvez usando algum truque de magia. Um pouco por isso, mantivemos em nossa casa, por seis anos, uma coelho, mas ele não se mostrou adepto dessa prática, ao longo do tempo. Negócio dele era ração e água, sem falar em suas mordidas, nada prazerosas.

Aqui em casa, os tais ovos de chocolate não apareceram, cheguei a verificar a caixa de correio e a rua na frente de casa e não havia nada. Parece que a única forma de obtê-los teria sido a tradicional via capitalista e neoliberal, ou seja, algum supermercado (ou mini super mercado – sic) da vida. Na páscoa, o povo judeu (depois de cear , na verdade, um cordeiro macho sem defeitos, do qual tiveram que saborear tudo, inclusive a cabeça, as patas e as fressuras, sem deixar nada para o dia seguinte, conforme instruções prévias dadas por ninguém menos que o Pai de Jesus, via Moisés/Arão) foi liberto do cativeiro egípcio, deixando as terras de Faraó através de um inverossímil ato de abertura do mar ao meio, a fim de dar lugar à travessia do povo escolhido preconceituosamente pelo Criador, para ganhar o deserto e um novo modelo de vida.

No deserto, Deus liquidou com o modelo capitalista e neoliberal egípcio no meio de seu povo. Nada de produção em massa, transgênicos ou confinamentos. Ao invés dessas práticas destruidoras de planetas, iniciou um novo modelo econômico onde ele era o produtor de maná, codornizes e água de pedra, produzidas em algum canto do céu, e fornecia tudo ao povo grátis, ou pela graça se assim preferir, durante seis dias, sendo que no sexto dia, mandava dose dupla para cobrir o necessário ao sétimo dia, também e evitar que, nesse dia, o povo tivesse que sair para apanhar seu suprimento e, ao invés disso, descansasse. Igualzinho ao método bolado por Adam Smith e sua turma, né? Bom, se quiser se aprofundar ou verificar esses dados, você encontrará tudo em Êxodo 12 e nos textos correlatos indicados por sua bíblia, se ela não for uma dessas bíblias mixurucas feito a NVI que tenho aqui em mãos. Se preferir, espere sentado pelo livro que pretendo escrever a respeito.

Nesse ponto você deve estar pensando algo do tipo: Então a Páscoa não é só o negócio da ressurreição de Jesus ou o comércio de chocolates ovais? Exatamente, seria a resposta adequada à sua pergunta tão perspicaz. Embora Jesus tenha tudo a ver com ela, afinal no imaginário sacerdotal cristão ele foi ou é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, embora eles não enfatizem muito a parte de que o cordeiro deva ser comido inteiro, inclusive as partes duras de engolir (cabeça, pernas e fressuras), a páscoa deveria significar muito mais. Mais ainda? Aqui caberia mais um “exato”, como resposta. A Páscoa poderia ser a grande chance de nos libertarmos da escravidão egípcia exercida em nossos dias pelo capitalismo (Estados Unidos, Tigres Asiáticos e União Européia) e outros modelos escravizantes (vide China, Cuba, Coréia do Norte, Irã, etc).

Para seguirmos de uma economia neoliberal de mercado para essa economia mais bíblica, bastaria cearmos na páscoa o cordeiro macho sem defeito, em nosso caso, Jesus Cristo, deixando o chocolate de lado, e sairmos em direção ao deserto das incertezas onde não haveria supermercados, bancos, cartões de crédito, shoppings centers, notebooks, etc., e trabalho, muito menos. Nosso sustento cairia do céu ou sairia da pedra mais próxima, Just like that, desde que no sábado, aceitássemos descansar e comer a porção dobrada colhida um dia antes. Mas qual mente culpada suportaria viver sem chocolate e ainda ser obrigada a descansar um dia inteirinho, sem falar no ano sábatico e no jubileu, onde o descanso era anual.

Tá bom, não precisa me xingar. Nem o povo judeu viveu assim por muito tempo, logo eles voltaram à escravidão neoliberal, esquecendo as diretrizes bíblicas divinas ou deixando-as para lá. Entre outros motivos, Deus acrescentou a essas excentricidades coisas do tipo, perdoar as dívidas dos devedores no ano do jubileu e devolver as terras adquiridas a preço de banana de devedores de auto-estima ruim. Aos poucos eles se afastaram disso e também da provisão e voltaram à velha prática capitalista da produção em massa às custas do trabalho escravo dos incautos. Hoje em dia, como é sabido, nem esse privilégio, o trabalho escravo, eles querem manter. Estão substituindo homens por máquinas sem explicar quem consumirá seus produtos maquinofaturados.

Bom, agora sairei ao campo para colher minha porção diária. É rápido, meia horinha e estou de volta.

A Paixão desnecessária

E DIZENDO: TU, QUE DESTRÓIS O TEMPLO, E EM TRÊS DIAS O REEDIFICAS, SALVA-TE A TI MESMO. SE ÉS FILHO DE DEUS, DESCE DA CRUZ. Mt. 27:40

Afinal, Deus teve misericórdia de sua criação e em supremo ato de amor perdoou a todos, indiscriminadamente, enviando seu Filho Jesus Cristo para anunciar a Boa Nova da salvação ampla, total e irrestrita, considerando todos os capazes de acreditar nessa notícia inclusos em sua conseqüência salvífica, em um ato liberal e incondicional ou teve alguma recaída teológica de última hora e teria voltado à velha prática pagã do sacrifício, enviando o próprio filho ao matadouro, dessa vez?

Essa questão me intriga. Jesus mesmo pareceu-me absolutamente perplexo quando constatou que ser vituperado e assassinado em uma cruz humana e tosca era inevitável: Pai, por que me desamparastes? Esqueceu sua certeza de poucos dias atrás quando declarou à polícia e ao ministério público que se o matassem, em três dias, estaria de volta, rijo e forte, vivinho da silva. Eram todos jogadores e pagaram para ver. Salva a ti mesmo, se és filho de Deus, desce dessa cruz.

Me parece ser a questão fundamental o problema da teologia e sua cria cheia de defeitos congênitos, a psicologia. As duas não existiriam sem o pecado original e tudo o que veio depois. “O poder imaginativo que vimos em ação reaparece, de modo muito lógico, em outro ponto da dogmática, na Redenção. É ensinado que Cristo trouxe a redenção à humanidade pelo pecado original. Entretanto, que aconteceu a Adão, o que introduziu no mundo o pecado original? O pecado original não seria um pecado atual em Adão? Ou, ao final das contas, será que tal pecado assume para Adão significado idêntico que para outro qualquer participante do gênero humano? Neste caso, contudo, o conceito explode. Ou terá sido pecado original a vida inteira de Adão? O primeiro pecado que praticou não teria feito nascer nele outros, isto é, pecados atuais? O vício do raciocínio anterior mostra-se aqui com maior clareza ainda: Adão é exilado para fora da História de maneira tão fantasiosa, que, no fim, ele será o único a não se beneficiar com a redenção. … Explicar o pecado de Adão é dar a explicação do pecado original: ou explicar este, sem explicar Adão, nada vale. Seria tarefa impossível, aliás, e a razão profunda de tal impossibilidade está na própria essência da existência humana; o homem é um indivíduo e, assim sendo, é ao mesmo tempo ele mesmo e toda a humanidade, de maneira que a humanidade participa toda inteira do indivíduo, do mesmo modo que o indivíduo participa de todo o gênero humano.”*

Com o pecado original e seu criador, o infeliz Adão, que veio ao mundo carimbado com a sina de ser o primeiro ser humano vivente e, conseqüentemente, ser transformado no primeiro pecador, a porta por onde o pecado entrou para contagiar toda a raça humana, veio a culpa, a maior vilã de todos os tempos. Graças a ela, cada um de nós perdeu a inocência, ou não éramos inocentes antes de pecar?  Nessa não dá nem para recorrer a algum genoma da vida, a não ser que Deus fosse matéria como nós. Em outras palavras, o pecado original tirou a nossa inocência e nos encheu de culpa. Agora, se tudo isso é dogmática, portanto teologia, se outro ramo qualquer tentar tratar do pecado, o conceito tornar-se-a obscuro. Como diz Kierkegaard: É o que sucede, para retornar ao objeto de nossos cuidados, quando os psicólogos se imiscuem.”

Creio ser grande a possibilidade de que Jesus, o profeta da Galiléia, não tivesse nenhuma dúvida em relação a tudo isso, e considerasse apenas o estado psicótico e cheio de transtornos bipolares da humanidade gerados por uma (ou mais) teologia falaciosa que encheu a criação de culpa e angústia. Talvez ele estivesse dizendo a verdade quando afirmava: “Quem crer em mim e for batizado será salvo”. Sua morte antecedida pelos horrores tão bem reproduzidos por Mel Gibson não significariam mais do que um brutal assassinato cometido pelos defensores da teologia vigente e, em nada, significativa à redenção da humanidade. Nesse caso, a redenção seria um ato voluntário e todo amoroso de Deus, apenas, e incondicional.

Certamente, os defensores do pecado original e mantenedores da mente culpada e angustiada tão propícia às manipulações e interesses de gente que não serve nem para joio, não concordarão comigo. Não tem importância, destruam esse templo e eu o reconstruirei em três dias.

*Soren Kierkegaard em O conceito de Angústia

De volta à Terra Santa, pena que ainda não foi em definitivo
São Paulo
São Paulo

“Cada provérbio, cada livro, cada máxima que sirva de auxílio e conforto certamente lhe chegará através de caminhos diretos ou tortuosos. E todo amigo de alma grandiosa e gentil o prenderá em seu abraço.”

Ralph Waldo Emerson

Ontem peregrinei na Terra Santa, a saber: a minha São Paulo. Até a tempestade é mais charmosa lá. Entre outros, ao me apresentar para uma reunião de negócios na Editora Garimpo, encontrei com o grande Ariovaldo Ramos. Acho que a reunião dele se estendeu e só terminou quando cheguei. Quando subi para a sala de reuniões, ele estava na porta e, quando me viu, fez a apresentação dizendo: “Esse é o Lou da Gruta, ele é quem escreve o blog”. Por falta de tempo, entre uma reunião e outra, os caras ficaram sem almoço, creio e achei melhor entrar logo para a minha reunião sem dar maior atenção ao Ari, mas o tempo e o quanto nos conhecemos permite tais deslizes.

Sabe, sinto orgulho dessa re-invenção de mim mesmo. Gosto de ser o Lou da Gruta e se isso me deu algum crédito positivo, quero dividir com você, afinal não mereceria essa honra sozinho. Meu pai tinha razão, mais uma vez: “uma andorinha só não faz verão”.

Estava na minha agenda na ex-terra da garoa, hoje lugar onde manam raios e trovões em profusão, durante as tardes noites, visitar uma ou outra livraria. Esse é um ritual místico e religioso para mim, como já disse, costumo orar logo que chego a um desses templos da escrita e sempre peço a mesma coisa, que Deus faça chegar às minhas mãos o livro certo.

Depois de outras andanças, encontrei o Volney no Café Suplicy. Sempre um grande e necessário papo. Assistimos o tape do TAD que ele está traduzindo e resolvemos a maioria dos problemas do mundo e da Igreja. Claro que evitamos resolver nossos próprios problemas, afinal, nenhum dos dois tem qualquer coisa de bobo. Logo chegará o dia em que serão obrigados a nos convocar para consertar alguma estação espacial quebrada e que só nós somos capazes de fazê-lo. Nem quero pensar como comemoraremos esse dia. Aprendi um pouco mais sobre os Nativos Digitais, um projeto que ainda vai dar muito o que falar. Depois de um sanduba na Galeria do Pão, um comércio fast food que faz pizza com o marketing, segui rumo à Castelo Branco, de volta à Sorocaba.

Mas não deu tempo para passar em uma de minhas livrarias prediletas. Mas já está na agenda da próxima.  Não foram os livros dessa vez, o divino fez chegar as pessoas certas.

Durante todo o dia, cruzei São Paulo em diversas direções sem usar as grandes avenidas, para constatar, sou um verdadeiro paulistano e essa terra é mágica.

030314_1721_Quaresma5.jpg

Nosso novo template chamar-se-á: Quero Justiça!

Tempos atrás, quando fazia minhas mudanças no blog, recebia muitas reclamações e alguns chegavam a chorar, agora a maioria não chega a reparar que os móveis mudaram de lugar e as paredes estão com outras cores. Pena nossa lei de militância em blogs ser tão frouxa. Por isso reina essa impunidade horrorosa dos traidores blogais.

Li em algum lugar, menção pertinente à recente onda de populismo presente nesse mundo de Deus. Pior, ela invadiu a Igreja inclusive. Inacreditável, entretanto parece haver fundamento na informação. Essa coisa, um misto de chavismo, lulismo, moralismo até a novidade obamismo vem ganhando força e os caudilhos se multiplicam em todos os cantos e continentes. Na Igreja não é diferente e estamos diante do prazer de testemunhar gente narcisista e arrogante pululando nos púlpitos conservadores, com suas bíblias da prosperidade, evangelicals e liberais.

Mas o que não tem remédio, remediado está. Prefiro deixar essa gente desprezível um pouco de lado, hoje. Quero lhes falar sobre algo que anda me incomodando um pouco. Durante metade de minha vida acreditei ser necessário escrever uma nova constituição. Naquele tempo, não poderia imaginar menos apropriada para essa tarefa do que a classe política.

Se não me engano, nossos políticos são os piores do mundo. Podem haver iguais por aí, mas pior que os nossos, duvido. Imaginei uma nova constituição sendo escrita por gente honrada, temente a Deus e idônea, se bem que tudo isso me parece redundante. Aí, deu no que deu, acho que falei demais e a tal nova constituição acabou sendo escrita e justamente por esses senhores e senhoras quase nada confiáveis. Como se não bastasse, desde a promulgação da nova carta, em 1989, os caras não pararam mais de constituir. Agora querem mudar o sistema de governo para algo, digamos, mais venezuelano old soviético. Há uma câmara de magistrados reunida para mudar o Código Civil, reformado há poucos anos, com alterações do arco da velha, como diria meu finado pai.

Antes que os caudilhos da Casa de Deus tenham a idéia, gostaria de propor uma reforma imediata na Lei de Deus. Por exemplo, onde está escrito: “Não matarás”, poderíamos criar algo mais ou menos assim: “Não importa se matarás ou não, quando decidirmos que alguém matou, produziremos as provas necessárias à punição milenar, através de meios  ditos científicos à moda CSA disponíveis e ponto”. A isso, juntaremos um júri teleguiado por nossos magistrados, a fim de que não tenham a mínima condição de contrariar nossas intenções e, dessa forma, enviaremos os pobres diabos  culpados desde o princípio para Tremembé ou algum desses lugares existentes para esses fins e que nem a morte pode superar em sofrimento e dor. Aliás, de agora em diante, ninguém mais morrerá de outra forma que não seja assassinado. Morreu, encontraremos um culpado e acabaremos com a vida do miserável, de preferência junto com a mulher e os filhos. Tudo isso com a benção de Deus, é claro.

Quanto à lei “Não roubarás”, poderíamos modificá-la para algo mais leve ou menos incomodo, quem sabe, alguma coisa do tipo mensalão. O texto poderia ser um libelo do tipo: “Ninguém suponha que o pastor está a roubar o dinheiro da casa de Deus, sob pena de virar inquilino do governo, em Tremembé”. Além de mais moderno é menos agressivo ao Anjo do Senhor e, igualmente, produtivo.

Outra lei a ser mudada á aquela contrária à prática da mentira. Não fica bem a um servo de Deus ser incomodado com aborrecimentos provenientes de desconfianças inoportunas e mentes retrógradas dessa gente reacionária ou de esquerda, nos chamando a torto e direito de mentirosos e essas coisas feias. A lei poderia receber um texto parecido com esse: Quem ousar pensar que seu pastor mente, é réu condenado compulsoriamente e deve ser enviado sem delongas para Tremembé, a viver com assassinos e ladrões. Não precisa nem conselho comunitário. Já repararam como tiranos e ditadores adoram fazer novas leis? Todo ditador populista é extremamente dogmático.

Às outras leis constantes na Lei do Divino, bastaria revogar, como aquelas disposições contrárias que sempre são revogadas quando fazemos novas leis mais apropriadas. Na falta de algo melhor a fazer, continuarei a mexer no template da Gruta, já que sou um legislador incompetente, como se vê.

Missões pós modernas

Acompanhei, sem muito ânimo, algumas escaramuças entre o pessoal adepto do que eles chamam de ortodoxia e alguns dos nem tanto ortodoxos. Reparei não haver entre os dois grupos ninguém com sintomas de decisão inequívoca para lá ou para cá. Ficou evidente o medo que ronda a todos, medo de estar equivocado e de ter feito a escolha transversa.

Enquanto isso, a Igreja da qual falam e arrogam defender, continua sua caminhada resoluta para o inferno. Sou do tempo em que as pessoas acreditavam que as portas da casa de Satã não prevaleceriam contra a tal Casa de Deus. Não sei se o demo venceu ou o Deus da casa cansou, o fato é que não há esperança dando sopa por aí.

A maioria está buscando sobreviver, e por que não com alguma sobra ou até abundância. Faz tempo que os pastores pobres cheios de orgulho por viver pela fé se foram e não nos deixaram herdeiros, pior, levaram com eles a honra pelo status. Agora, gente que exerce essa função anda de Lacoste  e rolex em seus carrões, coleciona diplomas e experimenta o vento no rosto, montados em suas super motocicletas importadas. Perderam o charme e o respeito, trocando tudo isso por pratos de lentilha em forma dessas futilidades.

Nem faz tanto tempo assim, havia grandes eventos onde reuniam-se multidões formadas por gente disposta a servir o Criador por nada. Acreditavam, inocentemente, em cumprir uma utopia que denominavam “A Grande Missão”, cujo significado era, simplesmente, ganhar o mundo para Cristo. Muitos sairam mundo a fora proclamando o ano aceitável do Senhor. Sei de um idiota que chegou à Albânia ateista com essas utopias e, depois,  escalou a África pobre.

Mas isso se foi, perdeu-se em loquacidades frívolas. Estamos muito mais interessados no novo plano de saúde do Obama e no PAC da dupla Lula/Dilma enquanto ficamos de olho no BBB. Quem levará o prêmio de hum milhão e meio (se não for isso, me perdoe)? Quanto à igreja, tentamos preservar alguma dignidade reclamando do mercantilismo que a tomou de assalto, dos desvios dos líderes e pastores, totalmente enfeitiçados pelos prazeres da carne, lamentamos o distanciamento do povo em relação ao livro sagrado, cada vez mais patente, enquanto saboreamos uma Heineken geladinha ou um chianti encorpado, devidamente afastados da Casa do Senhor.

Parece não haver mais volta. Missõeszinhas como as minhas, coisas simples como dar uma força aos cardiopatas congênitos, já que fomos premiados com essa praga, e aos dependentes químicos, não sensibiliza quase ninguém. Pessoal investe dinheiro em ministérios que, de alguma forma, lhes prometem retorno multiplicado e imediato, de preferência em espécie. Pouco interessa  o que isso possa ter a ver com a tal missão. Mal sabem eles que cada centavo depositado em meu ministério redundaria em retorno mil vezes superior em comparação aos outros. Embora o pagamento só viria a acontecer em outra vida, caso isso venha mesmo a existir. Se eles soubessem apostar, saberiam que os azarões sempre pagam muito mais. Barbadas pagam o mínimo. Deus é um grande gozador.

Dois anos atrás, ainda consegui algum apoio para minhas quixotescas aventuras de cavaleiro andante cristão. Agora, ninguém se detém para limpar minhas feridas e me colocar na estalagem, cada um cuida de si. Alguns ainda pensam consigo, esse vagabundo que se lasque, a fim de aplacar suas consciências. Mas o missionário, o profeta moderno, precisa se expor; é desígnio de Deus para evidenciar a podridão dele e do povo. Estamos discutindo o planeta e a igreja enquanto aguardamos na fila cujo destino é o lago de enxofre, onde haverá choro e ranger de dentes.

Help Coração Valente

Infelizmente, coube a mim comunicar que o site do Projeto Coração Valente só poderá ser acessado pelo endereço HTTP://www.lhmbrasil.com.br/cardio , desde ontem. O Registro Br, órgão do governo encarregado de gerenciar os domínios “.br” resolveu congelar o domínio oficial do site (cardiovalente.com.br) por razões estritamente contidas no contrato correspondente.

Embora todos nós que entendemos a importância do site, sobretudo depois que ele se tornou um excelente meio de comunicação e intercessão, principalmente para as famílias atingidas por cardiopatias congênitas complexas e graves, estejamos perplexos e envergonhados com essa situação.

Não sei precisar, mas o domínio oficial do site voltará a funcionar, no que depender de mim.

Peço perdão a todos os amigos e usuários que precisaram ou precisarem das informações contidas no site, por essa falta.

Darei um jeito, prometo.

Lou Mello

Montes ao Mar

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, pois dele procedem as saídas da vida.”
Prov. 4:23

Na bíbla, em muitas passagens, as palavras coração e mente se confundem. Entretanto, sabemos onde estão nossos pensamentos e podemos entender o autor de provérbios em seu apelo quase desesperado no sentido de guardarmos a fonte de nossos pensamentos, pois dela depende a nossa vida.

A tendência é deixarmos nossos pensamentos andarem soltos como se fossem uma manada desgarrada. Uma qualidade comum nas pessoas mais organizadas e bem sucedidas é a capacidade de controlar o que pensam.

Anos atrás, jogava paciência no computador com grande freqüência. Chegava a anotar o total de pontos e o tempo gasto a cada tentativa e percebi que parecia haver um limite máximo que nunca conseguia ultrapassar. De um computador para outro havia alguma diferença no desempenho, mas nada muito significativo. Certa tarde, comecei a jogar e percebi algo diferente, pareceu-me ter conseguido abrir uma nova e desconhecida porta em minha mente e, de repente, comecei a atingir uma performance inacreditável no jogo, dobrando e até triplicando os pontos em menos tempo, para cada tentativa. Fiquei perplexo com aquela experiência. Concluí ser possuidor de alguma capacidade desconhecida e até senti um pouco de medo de descobrir o que seria.

Nisso encontrei uma certeza, essa nova capacidade começava no mesmo lugar onde meus pensamentos eram gerados. Logo após essa experiência, perguntei-me sobre qual poderia ser a utilidade dessa capacidade e veio a mim a lembrança de alguns fatos que havia arquivado sob a tag “coincidência”, tais como encontros inesperados com pessoas com as quais sonhara na noite anterior, embora não as visse há tempos, a conquista de coisas aparentemente impossíveis de forma não usual, como aquela bike Caloi que desejava ardentemente, momentos felizes na vida que sempre pareciam fugazes, etc., talvez estivessem relacionados a essa ou alguma capacidade interior, embora existente, eu não pudesse controlar.

De outro lado, a vida me reservava, de forma constante, uma série de dissabores que eu desejava ardentemente não experimentar. Aí descobri uma constante, embora estivessem na contra mão de minhas preferências, continuavam sendo desejos e acaba dando de cara com eles em algum momento, igualmente. Pensamentos, desejos, crenças, fé o que será tudo isso?

Jesus deixou todo mundo encafifado com aquela história da figueira omissa, aquela que não tinha frutos e o mestre anti ecologicamente secou na frente de todos. Pior foi o que ele disse depois, enquanto os caras estavam morrendo de pena da árvore incompetente e embasbacados com seu ato incrível:Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito”. Mat. 21: 21 – Quem acreditou nisso nesses últimos dois mil anos? Essa parte de secar figueiras parece que o pessoal entendeu bem, basta uma olhada rápida para a Serra do Mar e agora para a Amazônia. A dúvida ainda persiste no lance de jogar montanhas no mar.

Quem sabe o apóstolo errante estivesse pensando em tudo isso quando aconselhou: “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tud o que for correto, tudo o que for puro, tudo que for amável, tudo que for de boa fama, se houver algo excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim. E o Deus da paz estará com vocês.” Fil. 4: 8 e 9 Talvez esse seja o caminho para a realização do projeto “montes ao mar”.

Leis que triunfam

Nos útlimos dias, tenho conversado intensamente com o Bob Proctor, ninguém menos que o criador e gerenciador do “Segredo“, aquela proposta (ou programa) de vida sob a ótica da “Lei da Atração” ou “Thoughts become things” (Pensamentos trazem as coisas), muito em voga nos últimos anos. Não sei como, talvez o cara tenha conseguido ler meus textos avacalhando o negócio dele. Na verdade, nunca tive a pretensão de contestá-lo. Apenas disse que não funcionou comigo e relacionei meus argumentos embasadores. De repente, tornei-me um desafio e ele abriu o arquivo e começou a me enviar textos e vídeos com o objetivo de me conquistar para seu time. Já pensou se der certo?

Não nego, em um ponto ele acabou conseguindo minha atenção, hoje de manhã, quando abri minha caixa postal, achei um E-mail enviado pela secretária dele onde ela entrega o cara, digo, o chefe. Segundo ela, Bob Proctor começou sua caminhada na trilha do pensamento positivo ou dos pensadores de possibilidades depois de ler “Quem Pensa Enriquece” do Napoleon Hill (veja o vídeo indicado acima). Não tem erro, Napoleon e Peale (Norman Vincente Peale autor de “O poder do pensamento positivo”) estão na base da pirâmide de todos esses movimentos. Perdi a conta de quantas vezes receitei esses livros a deprimidos e perdedores que me procuraram. Embora meu personagem seja um caso perdido, acredito que a mudança comportamental é a melhor solução para os grutenses, enquanto eles viverem na Gruta.

Um dos discipulos mais conhecidos do Proctor, um tal de Mike Dooley chegou ao extremo de ter lido os mesmos livros que li como Psychocybernetics do Maxwell Maltz e O Método Silva de Controle Mental, além do Hill. Fico mais puto quanto descubro pessoas do outro lado do mundo andando pelos mesmos caminhos que andei e, nesse caso, com um agravante, tendo achado a saída, enquanto meu personagem e eu continuamos engrutados divertindo-nos com as nossas sombras filosóficas e teológicas.

Uma mulher chamada Alexandra Bruce escreveu um livro chamado “Desvendando o Segredo” e, claramente, sua maior preocupação era com o fato desses caras do Segredo e seus antecessores serem adeptos da Igreja Cristã Unitarista, muito comum nos Estados Unidos. Não é o caso do Peale que era pastor metodista. Mas o fato de toda essa gente ter um pé no cristianismo chama a atenção. Quem sabe um dia alguém não dirá que eu também tinha um pé no cristianismo, apesar de minhas inconsistências? Estou ciente que terei muitos motivos para inquietar-me depois de vencer a morte, essa senhora a quem temo desesperadamente, nem tanto por mim.

O que creio ser absolutamente correto, como Paulo o apóstolo também cria, é o que não quero que me sobrevenha, me acontece muito mais facilmente do que o contrário. Mas não posso negar que algumas coisas boas também vieram a mim de forma espantosa, durante minha vida. Lembro sempre do Martin Claret, aquele da editora homônima, dizendo: “tudo que desejo acaba vindo a mim, de uma forma ou de outra” e o engraçado é que, a primeira vez que o ouvi dizendo isso, foi na ocasião em que lhe emprestei meu exemplar de “A Lei do Triunfo” o outro grande livro do Napoleon Hill, um dos poucos caras certos nascidos na América do Norte. O Martin nunca mais me devolveu meu livro e nenhum dos livros com os quais me presenteou substituiu A Lei do Triunfo.

Imitando a Cristo

No último domingo, dei andamento ao meu projeto imitação de Cristo, que consiste em imitar o Ricardo Barbosa, que imita o John Stott, que imita o C. S. Lewis, que imitava a Paulo, que imitava Cristo. Imitar o que? Na atitude de colocar-se à disposição de Deus e do filho único dele, caso precise de alguém mais desprendido para um sacrificiozinho básico e, para tanto, lemos a bílbia e oramos diariamente ou sempre que possível, vamos à igreja aos domingos (às vezes), especialmente naqueles em que há celebração da ceia, de forma discreta, para não dizer camuflada. Ah! Não há uma igreja definida para tanto.

Sendo assim, me camuflei de Lou Mello e fui. Bom informar que combinei  previamente minha missão secreta com o pastor da igreja, um amigo, e ficou acertado que assistiria o culto escondido atrás de alguma coluna e ele sugeriu a sala de mídia (M3), onde só entram os autorizados e você tem ampla visão de tudo que acontece. Essa é só uma igrejinha na periferia em Sorocaba, perto da minha casa atual. Se bem que o pastor me citou umas vinte vezes durante o serviço e me convidou para cantar com ele um hino em espanhol, no fim do culto, convite que declinei, obviamente.

O profeta de Nazaré da Galiléia era um mestre errante; não era membro de uma igreja definida, não portava uma bíblia (nem aquela da prosperidade  ou uma NVI), não cumprimentava com a paz do Senhor e era meio “low profile”. Praticou a ofensa vertical, intensamente. Bastava os caras serem bem sucedidos nos meios eclesiásticos para ele chamá-los de raça de víboras. Mas orava como gente grande, lia a bíblia em sinagogas, as quais visitava discretamente de forma esporádica. Provavelmente, trazia a palavra em seu peito e mente.

Como se vê, o privilégio não é meu, nosso irmão mais velho deu o tom há mais de dois mil anos. Gente com pouca credibilidade como o Ricardo Barbosa, C. S. Lewis, John Stott e Paulo perceberam esses detalhes. Sou apenas um reles imitador.

Gruta, matrix vergonhosa de Cristo

Dia desses mencionei dois políticos brasileiros póstumos, Juscelino Kubichek de Oliveira e Adhemar Pereira de Barros, citando-os como dois exemplos positivos em sua área de atuação. Independente de nossas opiniões, era só uma armadilha para provocar alguma discussão nesse marasmo que anda o blog. Só o Rubinho mordeu minha isca, mesmo assim, com a prudência que lhe é peculiar.

Na última sexta-feira, jantei com o Daniel Fresnot em um daqueles exóticos restaurantes franceses que ele conhece como ninguém, programa de pobre lógico e, às tantas, mandei minha isca de novo e ele caiu feito um patinho. Em segundos me lembrou o quão corruptos eram esses senhores e, em contrapartida, enalteceu os adversários deles da época, a saber, Jânio Quadros, Carvalho Pinto e Prestes Maia. Era só o que desejava ouvir.

De dentro da Gruta, nossa noção da realidade é totalmente distorcida. No meu post citado, acrescentei links nesses nomes que levariam a vítima a conhecer um pouco das realizações de cada um, segundo o Wikipédia. Claro, também não sabemos se essas informações são totalmente confiáveis, mas elas são interessantemente contrárias às do meu amigo Daniel, mais adepto dos jornais favoráveis aos fanfarrões populistas que precederam os políticos atuais. Se bem que, ele também está na Gruta e suas fontes não passam de sombras.

Quinhentos anos antes de Cristo, Platão percebeu a temerária rede de referências dele e de seus pares da época. Sem querer, profetizou a vinda do profeta de Nazaré da Galiléia, na figura do cara que escapa da caverna para conhecer a realidade luminosa e volta para ser morto pelos incrédulos prisioneiros da Gruta.

Nós não acreditamos na possibilidade da nossa visão não ser real, mas sombras deturpadas por uma luz opaca e insuficiente. Somos grutenses e não acreditamos em conspirações. Muito menos admitimos a possibilidade de um tal Reino de Deus. Entre nós, formam-se pequenas igrejas que se julgam grandes por estarem a oeste da maioria ou por caminharem sob alguns propósitos. De outro lado ajunta-se a turma da prosperidade, ficando sem eira e nem beira gente como o Brian Mclaren e eu a espera de algum sucesso da turma da emergência ou com coragem para deixar a Gruta e encarar a luz.

Mas ainda somos todos grutenses, vergonha de Cristo e desqualificados para viver à direita do mestre.

Quem nos livrará dessa gruta?

Significado Pessoal de Gruta

Lendo Fernando Pessoa encontrei a definição do que significa A Gruta prá mim…

A montanha por achar

Há de ter, quando a encontrar,
Um templo aberto na pedra
Da encosta onde nada medra.

O santuário que tiver,
Quando o encontrar, há de ser
Na montanha procurada
E na gruta ali achada.

A verdade, se ela existe,
Ver-se-á que só consiste
Na procura da verdade,
Porque a vida é só metade.

Fernando Pessoa

Graça Serrano em: O que a Gruta significa para você, na Rede Gruta.

Quem acredita em tradição, constância e permanência cibernética?
Fim da Internet
Fim da Internet

O Fábio Adiron, consultor competente e super antenado, recomenda-nos a leitura desse post aqui
onde o autor levanta a bola sobre a possível diminuição de interesse dos internautas brasileiros pelas redes sociais, blogs e internet em geral. Se não me engano, o escritor orientou-se por informações originadas pelo IBOPE, fonte na qual demonstra certa desconfiança e nisso, ele tem minha solidariedade total.

Não vi nenhuma pesquisa, do IBOPE ou outra qualquer, sobre o tema. Leio por aí sobre a expansão web em várias direções e todo mundo parece não se cansar de evidenciar a contundente participação brasileira nessa história, apesar dos políticos brasileiros, com a taxação via FAPESP, provedores e empresas de banda larga; a própria banda larga é ridícula quando comparada às de muitos países, além de lenta e inconstante, consegue ser uma das mais caras do mundo, no que é acompanhada por outros itens rentáveis, como o celular, combustíveis e eletrônicos em geral.

Minha avaliação é muito mais doméstica, tomando por base meu blog, as redes sociais que participo e as atividades que desenvolvo na Internet. A Gruta, embora tenha alcançado boa freqüência por parte de visitantes, os quais considero como leitores, nunca foi pródiga em comentários. Não sei exatamente qual seja a razão, mas a proporção entre visitas e comentários sempre foi extremamente baixa. Talvez seja a temática, meio perdedora e baixo astral, ou minha intransigência com as igrejas e pastores das elites.

Responder aos comentários pode ser uma faca de dois legumes, também, pois se você tem aqueles comentadores que se ofendem se seus comentários não são respondidos, do outro lado há o pessoal que morre de medo das minhas respostas irônicas e estes podem estar em número muito superior aos primeiros.

Também houve o episódio em que algumas leitoras resolveram sair da esfera digital e intervir na esfera real, inconformadas e com o propósito de ajudar o personagem central da Gruta a deixar de ser um pobre sofredor grutense e não receberam bem minha atitude de cortar esse grande mal pela raiz. Sou pobre e orgulhoso. Além do que, prefiro mil vezes estar só em minha Gruta preferida do que assentar-me na roda dos escarnecedores ricos e prepotentes.

O fato de não gostar do Lula presidente também deve dar sua parcela de contribuição nessa questão, afinal as pessoas não se conformam com um cara meio de esquerda adotar essa postura. Mas acredito na bíblia e ela me ensinou que o povo padece sob o governo dos incompetentes. Isso não isenta todos os governos anteriores, talvez com uma ressalva, de Juscelino Kubitschek de Oliveira, que junto com Adhemar de Barros seriam os dois únicos melhores políticos que já pisaram nosso solo nada sagrado, com os defeitos inclusos.

Bom que se diga, aprendi com uma pobretona mãe de uma das crianças da Creche Municipal Fernão Dias onde fui diretor que todo pobre vive de olho na oportunidade de enricar e, embora isso dificilmente aconteça, quando acontece, leva a figura de mala e cuia, transformando-a em uma tenaz perseguidora dos pobres e sofredores.

Um velho amigo costumava lembrar que todo bom cobrador é um potencial mau pagador, quando não o é de fato. Estou querendo dizer que ricos esnobadores de pobres, muito provavelmente, vieram da ralé. Esse fenômeno, por mais paradoxal que pareça, acontece no seio da Igreja tanto quanto em qualquer lugar. Temos um bom exemplo disso na presidência atual.

Assim sigo com o livro do Napoleon Hill (Pense e Enriqueça) entre os meus livros de cabeceira e como um dos que mais leio e cujas recomendações tenho seguido e percebido boa diferença. Se enriquecer, apesar do pouco tempo que me resta, já tenho uma boa lista de pobres que pretendo perseguir.

Mas, voltando ao tema central, minhas barbas sempre andaram de molho em relação a essa marca registrada bem tupiniquim de não esquentar banco em lugar nenhum e não será a Internet que irá nos mudar. Isso ficou muito claro para mim nos tempos dos boliches, uma casa de diversão onde o objetivo principal é jogar boliche, um jogo danado de gostoso de jogar.

Tenho certeza que todas as pessoas de minha geração sabem do que estou falando, o fato é que lá pelos idos dos anos setenta até meados de oitenta, abriram milhares de Boliches em São Paulo e no resto do País e quem não jogasse boliche, naquele tempo, era considerado um pobretonas doidivanas. Os boliches sobreviveram pouco, infelizmente. Então, não me surpreende essa evasão de comentários, a perda de interesse pelo Orkut e daqui a pouco pelo Facebook,  Twitter, bem como pelos blogs, em franca decadência.

Bom que se diga que sinto muito a falta de alguns comentaristas. De outro lado, também deixei de comentar em muitos blogs, um pouco por falta de tempo e outro pouco pela falta de reciprocidade.

O Orkut foi legal um tempo, principalmente por possibilitar muitos re-encontros, mas com o passar do tempo, a máxima de que é melhor deixar os mortos no cemitério prevaleceu e a rede foi para o espaço ou está a caminho. As outras terão esse fim, também, inclusive a recém criada  Rede Gruta. Espero que seja eterna enquanto dure.

Esse assunto está longe de ter um fim, pararei por aqui, certo de que poucos chegarão a tanto, embora ainda houvesse muito a dizer.

Danem-se os constantes e suas tradições ridículas

030314_1721_Quaresma5.jpg.

A Gruta precisa ser uma Rede Social

Hoje esse post estará espalhado pelos meus blogs. Se precisasse escolher entre manter o blog tradicional ou a Rede Gruta, sem dúvida a Rede seria a minha escolha. Pena que o pessoal fique hipnotizado sem saber se adere ou não. Não perca tempo, saia do armário e faça seu registro na Rede Gruta. Na verdade, nós (leitores, comentaristas, anônimos, etc.) já somos uma rede. Falta conhecermo-nos, conversar, fazer eventos, fóruns, whatever.

Não sei se a Bíblia profetizou as Redes Sociais explicitamente, mas tenho sérias desconfianças de que ela contém pistas dessa ferramenta incrível, presente em nossos dias. Particularmente, vejo a Rede Social trabalhando a serviço da Igreja, não especificamente daquele prédio horroroso onde seu pastor mandou escrever Igreja dos Santos dos últimos dias ou algo assim e onde acontecem aqueles sacrifícios dominicais, tão agradáveis a Deus, particularmente naqueles em que a tal irmãzinha resolve fazer um solo enquanto o pastor baba.

Mas não é só a Igreja que pode beneficiar-se delas, mas todos os segmentos, como saúde, educação, governo, meios de comunicação, etc.). A educação será revolucionada a partir das redes sociais, no meu modesto entender e a igreja idem.. Não tem sentido mais a escola continuar com o monopólio dos diplomas, já que o conhecimento está sendo pulverizado via redes.

Hoje está acontecendo um grande congresso envolvendo esse tema, também. Eu deveria estar lá, mas o capeta não o permitiu. Ele morre de medo de me dar liberdade de ação. Abaixo o vídeo da entrevista onde o Augusto Franco, um dos principais ativistas das Redes Sociais, no país, fala sobre o evento. Acho que você deveria gastar os próximos dois minutos vendo e ouvindo o que ele disse a respeito.

Abração

Lou Mello

Vinhas da Graça

030810_1413_VinhasdaGra1

Algumas frases de Jesus Cristo arrebentam com a lógica de doutrinas teológicas, uma delas, entre as minhas preferidas, é: “Porém, muitos dos primeiros serão os últimos, e muitos dos últimos, primeiros.” Ela aparece duas vezes, em exemplos aglutinados por Mateus, o do jovem rico e dos trabalhadores na vinha (caps 19 e 20), afinal muitos serão chamados, mas poucos escolhidos, completa.

Nunca saberemos, ao certo, o que o mestre desejou dizer com esse final, no máximo conseguiremos especular com nossas ideias tacanhas, sem nunca chegar a arranhar sua verdadeira intenção. Mas gosto de pensar que Bill Gates, Rick Warren, Ed e Ricardo, hoje primeiros, serão os últimos a receber e ainda receberão o mesmo que eu e a maioria dos leitores da Gruta, no final. Num ponto, se não em todos, ele estava certo, boa parte dos chamados nunca serão escolhidos, pelo menos nesse plano, onde o valor é concedido na base das realizações, da beleza, da cor e da capacidade de adaptação aos sistemas vigentes.

Por alguma razão, sem explicação, nasci com defeito congênito, não um desses mesquinhos e sorrateiros que roubam a vida de nossos filhos e amigos corroendo-lhes o corpo, mas nasci sem a capacidade de me adaptar. Não me adaptei aos meus pais, nem à escola e muito menos ao sistema trabalhista de meu país. Mesmo nos momentos em que estive subjugado em uma dessas masmorras, interiormente nunca me dobrei aos senhores da grana. Claro, o preço disso é óbvio, mas nunca houve um não alinhado que não tenha pago uma conta ácida por sua opção liberal e desalinhada.

O jovem rico e os trabalhadores que foram convidados ao trabalho, logo no início do dia, eram adaptados e, talvez, nunca suportassem a dúvida e muito menos o despojamento das pessoas humildes e dissidentes. Jesus mencionava esses detalhes de olho no Pai e sua implacável justiça inerente.

Aos que me condenam por minha vagabundagem não opcional, ofereço o meu Deus e sua maneira peculiar de avaliar os fatos. Ele nunca pisará um tribunal humano ou, muito menos, participará de uma daquelas sessões que ocorrem nessas casas de horrores. Simplesmente dirá ao jovem rico: ” vai, vende tudo o que tens e dê-o aos pobres, e terás um tesouro nos céus”, sabendo que ele jamais o fará.

Aguardarei até o fim do dia, certo de que ele virá, ainda que quase na hora undécima e não só me chamará para o trabalho, como me pagará o mesmo que foi pago a quem passou o dia todo na vinha.

030314_1721_Quaresma5.jpg

Deus estava em seu retiro de carnaval

Perícia Médica
Perícia Médica

A grande verdade é conhecida, ou seja, boa parte do discurso político é pura cascata.

Ontem, levamos nosso filho ao INSS, onde estava agendada uma entrevista com uma Assistente Social. Posteriormente, ele deveria passar por uma “perícia médica”. A finalidade de tal tentativa é conseguir alguma independência para ele, sobretudo, manter o próprio plano de saúde. Apesar de todo nosso esforço e a ajuda de alguns amigos e parentes, não chegamos a conquistar uma estabilidade. Além da mensalidade, é preciso uma poupança que permita arcar com os custos eventuais não cobertos pelo governo ou o plano de saúde.

O INSS melhorou muito em termos da estratégia de atendimento. Agora você agenda seu atendimento e isso excluiu as imensas filas que costumávamos ver antigamente. Bom, a assistente social nos atendeu assim que chegamos e o fez com graça e consideração. Depois de completar o serviço dela, agendou a perícia para dali a dez dias. Entretanto, antes de nos dispensar, resolveu verificar se era possível realizar a perícia médica, ontem mesmo. Voltou feliz, pois lograra êxito.

Depois de uma espera de quinze ou vinte minutos, ocasião em que testemunhamos pessoas que saiam das salas dos médicos insatisfeitas, nosso filho foi chamado. Pelo sim, pelo não, eu levara a pasta com resultados de exames dele comigo, embora desatualizados. Vale lembrar que o problema dele é congênito e anatômico, ou seja, ele não tem só um problema patológico (uma doença) mas um grave e complexo problema anatômico que causa uma patologia complicada e de alto risco.

Logo que entramos na sala, o médico (como soube, tratava-se de um ortopedista) me dispensou. Argumentei que eu era o arquivo de meu filho em termos do problema e o cara preferiu me deixar ficar.

– Então, qual o seu problema?

– Sou cardiopata.

– Desde quando?

– É congênito.

– Que tipo de cardiopatia?

– Meu pai explica…

– Uma Dupla Via de Saída do Ventrículo Direito, com transposição dos grandes vasos, estenose na pulmonar, CIVs múltiplos, distúrbio valvar, etc…

– E o que aconteceu?

– Passei por duas cirurgias…

– Quando?

– Uma aos oito meses e outra aos oito anos.

– Posso ver o laudo médico?

Então iniciou-se uma dança estranha, entreguei o laudo da médica responsável pelo atendimento aos cardiopatas congênitos de Sorocaba e região, tanto do Estado quanto da Prefeitura, datado em outubro de 2009, o mais recente que possuíamos e mostrei-lhe um Raio X, a última tomografia (2007) e o último Eco (2008), também. Como o problema é congênito, ou seja, está lá desde o nascimento, há vinte e um anos, e a última cirurgia aconteceu em 1996, esses exames garantem que ele tem um problema e tanto. Estoicamente o médico resolveu medir a pressão e precisou procurar o aparelho que não estava à mão e depois perguntou se ele tinha alguma dor. Informado do desconforto nas pernas, pediu para levantar as pernas da calça e viu o estado crítico delas. Chegou a fazer um diagnóstico precipitado e equivocado de trombose.

A seguir fez duas afirmações preocupantes:

– Os exames são “todos” muito antigos.

– O laudo do RX diz que está normal.

Isso me deixou inseguro quanto à liberação do benefício. Tenho certeza que é esse senhor quem decide tudo. Saberemos em uns quinze dias o que ele decidiu.

E Deus ainda não voltou da pescaria de Carnaval. Dizem que ele faz isso, todos os anos, para livrar-se dos tais retiros, uma chatice.

030314_1721_Quaresma5.jpg

Tratar dependentes químicos causa dependência

Recém formado pela Faculdade de Educação Física de Santo André, consegui meu primeiro emprego fora do circuito das pré-escolas particulares, era uma clínica de “recuperação para dependentes químicos”. Meu trabalho era fazer os caras se mexerem, promovendo as trocas gasosas (um exercício meio em desuso, se é que isso seja possível) e um pouco de relacionamento com espírito esportivo.

Não demorei muito a perceber que, em termos de causar melhora absoluta e eficaz, meu trabalho tornara-se imprescindível. A ele somava-se a alimentação rica em carboidratos e o sono abundante. As intervenções psico, sejam lógicas ou átricas contribuíam negativamente no processo, apenas causando demora e inviabilizando os recursos naturais.

Entretanto, com o passar dos anos, o corpo de psicólogos e psiquiatras cristãos ou não agiu corporativamente e convenceu a sociedade de que essa demanda, cujo crescimento continua em ritmo geométrico, lhes pertence, apesar de seus métodos sem comprovação científica e seus medicamentos paliativos, como informa o médico palhaço Pat Adams.

O tempo passou e depois que deixei aquela clínica, por razões paradoxais e capricho divino, o diretor à época foi assassinado por traficantes, provavelmente por dívida referente à aquisição de drogas.  A chácara onde funcionava virou cidade fantasma, até que Estevan e Sônia Hernandes foram levados ao local pelo advogado herdeiro do espólio que inclua o lugar, e eles o transformaram em um centro para acampamentos e convenções da Igreja Renascer.

Em minha caminhada acabei sendo convidado pelo Pr. Inácio Marchette a trabalhar no Esquadrão Vida de Sorocaba. Agora você já sabe como vim parar nessa cidade maravilhosa, para os sorocabanos. Minha função seria restrita à área de comunicação e marketing, especialidades que acrescentei ao meu currículo a partir dos anos oitenta. Mas o Inácio mostrou-se um cara dinâmico e extremamente pragmático e tratou de concentrar seus investimentos no lado do marketing de tratamento, para a qual eu não tinha nenhum treinamento. Como me ensinou o Dr. José Cândido de Mello, meu avô paterno, contra a força não há resistência, então voltei ao tratamento de dependentes químicos e acabei dirigindo uma clínica na região de Piedade, aqui perto. Depois de um ano, consegui fechar o lugar a bem da ciência da recuperação.

O Inácio deixou o Esquadrão Vida para os evangélicos e iniciou uma clínica com fins lucrativos. Com sua habitual competência para os negócios, cresceu rápido e voltou a ser um expoente no negócio de recuperação. Devido à minha militância nessas paragens, tornei-me uma referência e continuei sendo procurado para ajudar a solucionar casos críticos. No Brasil, o tratamento começa um pouco antes do fim, o do não há mais jeito. Em linguagem de recuperação: a um passo do fundo do posso poço ou nele, propriamente dito.

As clínicas do Inácio e as outras grandes promovem tratamento onde os psiquiatras e psicólogos são as estrelas e os profissionais de outras disciplinas os coadjuvantes. Seus métodos consistem em injetar tóxicos farmacológicos, psicotrópicos e cascatas terapêuticas, em detrimento das trocas gasosas, um sistema natural para expelir toxinas do corpo humano. Os “pacientes” passam três ou quatro meses nessas casas se preparando para voltar à ativa, em breve. Sem alternativa, sou obrigado a enviar dependentes para lá, algumas vezes a fim de ganhar tempo. Gostaria muito de fazer um trabalho via digital que atingisse escolas, igrejas, sindicatos, etc. para fazer a prevenção em tempo de evitar a dependência. Esse é o melhor tratamento para a dependência química.

Onde colocar as fichas

Com dica do excelente blog do Fábio Madia, uma boa idéia de como anda o mundo digital, enquanto fazemos uma pausa em nossa cruzada anti mauricinhos do evangelho. Se algum segmento ou militante ainda tem dúvidas, coisa que não acredito, sobre o “por quem os sinos dobram” em termos de comunicação no século XXI, espero que essa animação em vídeo ajude a esclarecê-lo.

JESS3 / The State of The Internet from JESS3 on Vimeo.

Só uma questão de princípios


Bill Gates é um cara pouco querido. Talvez seja pelo fato dele ser detentor da maior fortuna pessoal dentre os habitantes do planeta. Sabe, isso leva muitas pessoas com idéias de esquerda a odiarem o dono da Microsoft, pois seu sucesso indica o sucesso do viver capitalista e desacredita os contrários. Imagino que o pai dele disse muitas vezes aquela frase odiosa, a mesma que meu pai costumava me dizer, ou seja: “em um mundo capitalista, o ideal é ser capitalista”. Coitado do velho, o meu lógico, ele nem sabia direito o que estava dizendo, mas esperava que eu assimilasse a idéia. Como todos sabem, não deu certo e sou da turma que atropelaria o Bill na boa, esse excomungado. Se pensou em vida eterna, esqueça, a essa altura o Bill já comprou todas as indulgências disponíveis no mercado e irá para céu, enquanto você e eu nadaremos no lago de enxofre, onde há choro e ranger de dentes.

Um dos detalhes insuportaveis nele é o fato dele fazer Jesus Cristo parecer um ser mitológico e utópico. Dia desses, o Allyson descolou um texto sobre finanças na bíblia e publicou no blog dele, excelente, por sinal, desses que a gente não pode deixar de ver e ler, denominado Fé e Economia. Ched Myers é o autor, um fanático, teólogo menonita que escreve sobre uma coisa estranha chamada enviromentalismo. Imagine que ele inventou um trem chamado Economia Sabática, cujas bases ele encontrou na Bíblia. Segundo ele, no sábado (que não precisa ser um dia da semana, necessariamente) os credores deveriam perdoar as dívidas de seus devedores, segundo ele, foi por causa desse pecado (não perdoar os devedores no sábado) que Israel foi para o brejo. Depois você confere no post e na sua bíblia. O fato é que tudo que ele diz, procede, dentro do contexto bíblico judaico cristão.

Tão fanático quanto o Myers, ensinei meus alunos no seminário sobre o perdão sabático, anos atrás. Meus alunos não gostaram nadica. Era uma exposição da oração ensinada por Jesus e afirmei que o Mestre estava se reportando ao perdão sabático quando ensinou a seus discípulos aquela frase quase promíscua: “perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.” Alguns chegaram a se exaltar, especialmente os que tiveram educação religiosa mais calvinista (espero que o Fábio não leve isso em conta), como aconteceu nos comentários lá no blog do Allysson.

Outro dia, uma mulher, ligada aos serviços de proteção ao crédito, comentava indignada sobre certas pessoas que ficam ensinando os devedores a não pagar suas dívidas, faltar às audiências e, jamais, caírem na cilada de renegociar suas pendências. Ela não leu os livros do Myers.

Mas não se zangue, depois de viver a reboque do sistema durante anos, resolvi deixar as idéias subversivas de Jesus e do Myers de lado e aderir aos princípios do Gates. Grande cara o Bill. Para começar, sou um consumidor absolutamente contumaz dos produtos Microsoft, com exceção do Explorer Internet, afinal ninguém é de ferro. Depois decidi seguir os princípios do Gates à risca, inclusive porque eles são muito mais engajados ao capitalismo perverso de nossos dias do que as infantilidades de Calvino, que pareceria um menino aprendiz perto do Bill. Pouco tempo atrás, o Bill e eu escrevemos um post a quatro mãos, lá no meu blog-site de negócios o LHM Desenvolvimento, contendo esses princípios. Claro que o Bill não faz a menor idéia sobre esse post, mas a parte dele é autêntica e a minha também, embora não tenha nada a ver com as dele, no caso.

Das onze regras do Bill, tenho particular apreciação pela oitava:

Regra 8
“Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola, está despedido… RUA !!!!! Faça certo da primeira vez!

O conjunto da obra é o oposto às pieguices infantilizadas evangélicas tipo: Buscai primeiro o Reino de Deus e as outras coisas vocês serão acrescentadas. Acreditei nisso e me dei muito mal, enquanto alguns colegas de seminário preferiram o conselho do meu pai e do pai do Gates. Trataram de criar e/ou copiar doutrinas dos propósitos e abriram igrejas no Morumbi e na zona oeste de São Paulo e agora vestem Prada. Estou decidido a me pautar pelas diretrizes do Bill e ponto, para horror do Steve Jobs, do Brian Maclaren e do Myers, sem falar no filho de Deus.

Desculpe, mas vou parar por aqui, pois está na hora da minha devocional, ler a bíblia e orar. Nada melhor para uma segunda-feira feia como essa.


Rede Gruta
Rede Gruta
Rede Gruta

Se você desejar fazer um velhinho muito feliz, sem precisar gastar nem um centavinho, venha participar da Rede Gruta.

Trata-se de uma Rede Social, cujo diferencial é não ter outro interesse que não seja o relacionamento entre as pessoas amigas da Gruta. Funciona como as outras, você faz seu perfil, insere sua foto mais recente, retocada ou não, suas fotos familiares, seus vídeos, bate papo on line com quem desejar, escreve seu blog (sem precisar cancelar seu blog habitual) e muito mais.

Ah! Além de aderir, gostaria de incentivar você a convidar seus amigos (gmail, MSN, Yahoo, etc) a fazerem parte, também.

Ah 2! A Gruta blog segue como sempre. No blog existente em meu perfil lá na Gruta Rede, escreverei coisas pertinentes à rede only.

Gostaria de ver (e conhecer) todos os leitores da Gruta blog lá, inclusive os anônimos.

Espero você lá.

Beijo estalado em vossa bochecha.

Lou

022314_1932_ODalaiLamad2.jpg

Outra mensagem

 

A Message from Obama
A Message from Obama

“Por muitos anos tenho andado à procura de algo. Podem chamar isso de busca espiritual ou talvez até de obsessão pessoal.

O objetivo da minha exploração é o de compreender Jesus — e especialmente sua mensagem. Não, de modo algum acho que ela poderia caber por inteiro em minha mente limitada.

Não se trata de tentar fazer com que sua grandiosa mensagem caiba por completo dentro de mim, mas de tentar me colocar por inteiro dentro da mensagem de Jesus”.

Brian D. McLaren

Também li Mateus 6:33 e decidi buscar o Reino de Deus, mesmo sem saber o que e onde. De repente, me toquei e comecei a perguntar se estava na direção certa. Já fiz coro contra muitos, os quais julgava estarem em rota equivocada, mas há uma grande possibilidade de eu mesmo estar caminhando na direção contrária a Nínive. Trabalhei como professor de Educação Física, fui diretor de creches, tive empresa, dei aulas de teologia e fui pastor de congregações batistas, além de missionário em missões internacionais e virei consultor, e no meio de tudo isso devo ter anunciado o evangelho errado, pois não tinha captado o sentido completo da mensagem do Mestre.

Sempre desconfiei haver algo mais por trás dos atos e palavras descritos nos evangelhos em relação a Jesus de Nazaré. Entendo que o Brian está certíssimo quando concluí ser necessário inverter o processo e buscar colocar-se por inteiro dentro da mensagem de Jesus. Não é um processo de adaptar a mensagem a mim, seguramente. Requer mudança, e bem lá no âmago de cada um.

Nisso, só posso falar por mim. O Alex Fajardo citou o tema das palestras de carnaval do Pr. Ricardo Barbosa na igreja do Ed : “Hábitos que Transformam“, onde ele cita uma entrevista feita com o John Stott por ocasião de sua segunda vinda ao Brasil, em 1989 e algo marcante que o velhinho teria dito: “Leio a Bíblia e oro todos os dias, vou a igreja todos os domingos e nunca falto à celebração da Eucaristia.” No mesmo texto, ainda, cita Tozer: “Deus fala com o homem que mostra interesse’. Isso me fez lembrar o C. S. Lewis frequentando persistentemente uma pequena capela durante anos, onde se postava atrás de uma coluna para não ser notado. Nestes anos todos de rebeldia contra a igreja organizada, nunca me faltou vontade de fazer minha devoção anonimamente, e acho que fiz, não com a constância de um Stott ou de Lewis, claro, mas pretendo melhorar nesse ponto.

Talvez tenha chegado a hora de incluir mais dessas práticas em minha agenda e deixar claro ao divino qual seja o meu propósito, quem sabe Deus não resolve dirigir-me algumas palavras, sobretudo, deixar claro minha disposição de adaptar-me à mensagem, especialmente, encontrar a mensagem real em meio a todas aquelas palavras, aparentemente, desencontradas. Creio firmemente que a tarefa não seja tão complicada, mas torna-se impossível se não me disponho a aceitar novos paradigmas e ideias, para posterior reflexão e conhecimento. Jesus foi absolutamente inovador e mexeu nas bases do templo, e não falo só do templo de pedras, mas do templo do novo testamento, construído com pedras vivas, principalmente.

Essa mensagem está presente nos evangelhos e preciso da ajuda divina para enxergá-la e coragem cheia de fé para divulgá-la. O mundo costuma rejeitar a mensagem verdadeira.

022414_1556_Omachadonoc2.jpg

A janta tá na mesa

Sentado nas cadeiras de espera em uma agência da Caixa Econômica Federal, de repente, bati o olho em dois senhores na fila de retirada de senhas. Aparentemente não se conheciam, mas eram parecidos. Provavelmente com dez anos mais do que eu, tinham a cabeça toda branca, eram magros e portavam um imenso chaveiro preso ao cinto da calça. Fiquei imaginando quais suas possíveis atividades e, embora não tenha chegado a conclusão alguma sobre isso, uma coisa é certa, os dois estavam completamente convencidos de suas tarefas, como se o fim da vida não estivesse se aproximando inexoravelmente.

À noite, como costumo fazer às segundas-feiras, postei-me na frente da melhor obra do diabo no Século XX, a TV, para assistir a mais um programa Roda Viva. Coincidentemente, o entrevistado era o pianista – maestro João Carlos Martins, hoje um grande ativista da música clássica junto às classes menos favorecidas. Às tantas ele declarou: “decidi re-inventar minha vida aos sessenta anos, depois de descobrir que não poderia mais tocar piano”; fez mais, disse que seu pai vivera 102 anos e não tinha porque desejar menos e sentia-se cheio de energia para, aos setenta anos, estar cheio de planos.

Nos dois casos, o que se vê são sistemas de crenças parecidos. Embora a limitação tênue da vida seja liquida e certa, vivemos como se tal não fosse. Para os cristãos e as religiões adeptas da Vida Eterna parece haver certa confusão ou mesmo negação em relação à morte, como se ela fosse a falácia. Mas isso ainda não me parece ser o pior, o que mais me surpreende é nossa absoluta redenção aos moldes da sociedade pós-revolução industrial. Casa – emprego – igreja – casa para os adultos e casa- escola – igreja – casa para os menores. Aqueles dois senhores no banco, o maestro pianista e eu poderíamos estar em uma praia, de papo para o ar, tomando uma geladinha até quando o sol permitisse e depois à sombra deitados em boas redes observando o formato lúdico das nuvens, até alguém com voz feminina gritar: a janta tá na mesa.

E quem pagaria a conta? Os três velhinhos, digo quatro, do meu ontem e todos os seus similares, todos crentes em vida eterna.

A penúltima tentação de Cristo

Em entrevista, Humberto Maturana, atual guru dos adeptos das redes sociais, relata sua experiência durante um exercício de meditação em que observou esse quadro de Jerônimo Bosch e concluiu que as figuras em volta de Jesus seriam tentações em formas humanas. Cada um desses personagens representariam uma tentação como, a superficialidade, o valor, a cobiça e por último, que só lhe ocorreu tempos depois, a certeza.

O saber implica em certeza e vivemos em um mundo onde o saber está altamente valorizado. Para Maturana, a diferença entre saber e conhecer é justamente a questão da reflexão e afirma: quem sabe não reflete. Em outras palavras, não questiona os fundamentos de suas certezas. Se não pratico a meditação, não saberei a diferença entre saber e conhecer. O saber nega a reflexão. Quem pensa saber muito, não reflete, diz.

Segundo ele, no mundo atual o saber concede poder e não refletimos para saber se os fundamentos que temos são adequados ou não. Os cientistas e os militares não refletem sobre o fazer porque isso modificaria seus atos. Se questionar seus fundamentos, certamente modificará suas atitudes e questionar meus fundamentos é um ato libertador.

Perguntado se Jesus teria caido na tentação da certeza ao afirmar que era o caminho, a verdade e a vida, cita duas passagens do evangelho, primeiro a do Reino de Deus ser como um grão de mostarda que quando semeado torna-se uma árvore frondosa onde os pássaros se aninham, significando o valor do desapego, pois o apego nos impede de refletir e a outra quando Jesus diz à mulher: a tua fé te salvou. Jesus estaria dizendo, foi você e não eu.

Isso me lembra a questão dos impulsores, matéria obrigatória no discipulado à moda Zenon Lotufo Jr. São eles:

Seja Perfeito

Quando essa mensagem soa em nossas mentes, esforçamo-nos para atingir a perfeição em tudo o que fazemos. Mas não há limites para atingir a perfeição, nada nos parece suficientemente bem feito, o que impede que nos sintamos satisfeitos com nossas realizações. O impulsor pode, também, dirigir-se para fora, isto é, exigir perfeição dos demais. É comum ele soar: Ah, se eu fosse perfeito!

Seja Forte

Essa mensagem faz com que a pessoa bloqueie seus sentimentos autênticos, ela proíbe que nos mostremos fracos ou necessitados de ajuda.

Apresse-se

As pessoas submetidas a este impulsor necessitam fazer todas as coisas “nesse mesmo momento”; são impacientes e não toleram nenhum tipo de espera.

Agrade Sempre

A pessoa que tem esse impulsor em posição de destaque tem grande dificuldade de afirmar-se diante dos outros. É quase impossível dizer não, para eles. A aprovação dos demais é de vital importância para ela. São os que costumo chamar de obnóxios.

Esforce-se mais

A mensagem interna diz que tudo é difícil de fazer. A pessoa que tem esse impulsor tenta, tenta, mas raramente leva a cabo seus empreendimentos. É muito comum nos procrastinadores.

O Zenon e eu, em nossas conversas, costumávamos definir as pessoas pelos seus impulsores característicos, por exemplo, o Ricardo é um tremendo Seja Forte, o Ed, aquele Seja Perfeito ou o Lou, esse baita esforce-se mais. O fato é que, todas os impulsores são negativos e podem levar as pessoas ao manicômio ou ao suicídio. Sob o olhar do Maturana e suas tentações, as pessoas cheias de saber e sem nenhuma reflexão, são movidas por esses impulsores.

Não cair em tentação foi uma recomendação expressa do Filho predileto de Deus e deve ser essa a razão para ela figurar na oração do Pai Nosso. Desapego e reflexão são ferramentas imprescindíveis para nos libertar da tentação da certeza,  a penúltima tentação de Cristo.

Assista à entrevista, se seu espanhol estiver em dia:

Eles vestem Prada

Ontem, à noite, esgotei minha paciência e resolvi dar um tempo na idéia da Revenda de Hospedagem. Tudo começou de uma conclusão lógica, os sites por mim mantidos (LHM Desenvolvimento e Projeto Coração Valente) e os blogs (este, Corinthians Yes, Guiapostal e Lou Cave) mais alguns sites que administro de clientes, consomem espaço, então poderia abrir a hospedagem, quem sabe ela se pagasse e ainda sobrasse algum para o leitinho das crianças adultas, além de dar lugar aos meus próprios rebentos?

Creio que seria mais conveniente aos blogueiros persistentes hospedarem seus blogs e ter controle de seus arquivos por diversas razões, entre elas, ninguém garante que Blogger, WordPress, Blog, etc., não resolvam cobrar seus serviços da noite para o dia e quais as implicações técnicas e financeiras de uma necessária transferência de arquivos, por essa ou outra razão. O Haloscam e o Technorati, só para citar alguns, tornaram-se serviços pagos, enquanto o Gcast resolveu descontinuar.

Nos últimos dias, descobri que o tamanho dos arquivos da Gruta tornou-se um grande obstáculo às mudanças de hosts, coisa que em situações anteriores não representava problema maior. Tudo muda muito rápido na WEB e, se temos amor às nossas obras, precisamos ter certeza de estar no controle delas.

Gastei dez dias em não conseguir transferir a Gruta para a Revenda, embora tenha desvendado o caminho e possa fazê-lo agora, e não levei mais do que dez minutos para trazer tudo de volta e em ordem para a hospedagem habitual. Só demorou um pouco, cerca de 30 minutos, para o Registro Br publicar os DNS.

Estou propenso a juntar os blogs em um único, a Gruta evidentemente, pelo menos os textos. Nunca tive qualquer desejo de falar do Corinthians de forma sectária ou desmiolada. Apenas usar a bola como uma parábola da vida, como bem nos ensinou o Pastor Irland Pereira de Azevedo, meu professor de Introdução à Filosofia. E as mazelas políticas sempre estarão em meus textos, mesmo que subliminarmente. Quanto ao Guiapostal, precisarei ouvir o Khalil.

Não tenho culpa de ser um elo (ainda que ínfimo) entre filosofia, teologia, psicologia e ginástica esportiva. O culpado é o capeta em forma de Vocacional, democracia, participação e todas essas idéias progressistas. Deus é conservador e ortodoxo, para não dizer fundamentalista e não tem culpa de nada, nunca.

Duro é o site do Projeto Coração Valente, não quero e não posso esmorecer nesse caso. O lema é Casa, carro e Projeto Coração Valente. Acho que Deus resolveu emendar o carnaval com esse fim de semana. Minha esperança era fazer novos clientes logo após a festa da carne, não só não fiz, como os atuais devem ter imitado a Cristo e o pai relapso dele. Mas as contas nunca imitam Pai, filho e espírito divinos, especialmente as do projeto.

Enquanto isso, sigo dando desculpas esfarrapadas aos credores e ouvindo o eterno conselho para arrumar um emprego. Pessoal não entende meu amor masoquista. Gosto de sofrer, por que arrumaria um emprego que me tiraria a liberdade, o pouco tempo de vida que me resta, jamais pagaria minhas contas, colocaria um beócio cronometrando o tempo que demoro no banheiro e, jamais, me faria mais feliz. Inclusive, minha caixa postal está entupida de ofertas de emprego para um senhor de 59 anos, com evidências afros,  óculos de leitura penduro no pescoço, rebelde, insubmisso, subversivo e metido a gerenciar a própria vida.

Invejo muito as pessoas que dirigem projetos sociais e são ricamente abençoados, como a Madonna e o projeto dela para crianças carentes brasileiras. Deve ser por causa da competência musical. Nunca entendi porque nasci sem o dom para a música ou alguma beleza, ao menos. Pior será descobrir, quando for tarde, que os tinha e nunca percebi.

Acho que escreverei os textos do Coração Valente e da LHM Desenvolvimento aqui e manterei as páginas com informações como subpastas, vamos ver. Comecei a Rede Gruta na tentativa de um projeto aberto, mas ainda não sei como levar isso adiante, embora deseje ver sua carinha bonita lá, também. Não é fácil ser um “alone”, especialmente nessas coisas bobas (relacionamentos, empreendimentos e finanças).

Então é isso, seguiremos com nossa Gruta, nossas compatibilidades e incompatibilidades, competências (raras) e incompetências, compartilhando nossa arte de driblar um Deus velhinho, injusto e galardoador dos que lhe puxam o saco. Bom, sempre há a possibilidade de cairem algumas migalhas das mesas dos pastores que vestem Prada. Só precisamos estar sob elas na hora certa.

Ressaca Carnavalesca

Escola de Samba Unidos da Tijuca

Planejei migrar todos meus sites e blogs para minha revenda (Louweb) durante o Carnaval. Foi um plano rasteiro, pois contei com a não presença dos grutenses, visitantes e leitores, evidentemente, muito mais interessados nas marchinhas, desfiles das escolas de samba e em aumentar a audiência da Globo. Muitos aproveitaram esses dias mais secos para voltar à praia e descontar o tempo perdido nas férias, se bem que o calor era o mesmo. Não sei qual foi a última vez que estive em uma praia, deve fazer uns quinze anos ou mais, embora tenha passado por cidades litorâneas, uma ou outra vez.

Se alguém perguntasse agora se conseguirei implementar meu plano, não saberia responder. Não sei nem se preciso de ajuda, embora desconfie que sim. No meio do Carnaval estava fácil conseguir ajuda do pessoal do servidor, agora deve ter voltado ao normal, ou seja, com fila de atendimento. Talvez faça uma tentativa, acordei mareado mas agora estou me sendindo melhor, deve ter sido o bolo da festa.

Durante as férias, que para mim funcionam ao contrário, ou seja, o pessoal sai de férias e eu não tenho outra alternativa a não ser ficar em casa lambendo os dedos, icluí três livros em minhas leituras: “A Bacia das Almas” do Paulo Brabo, “Conceito de Angústia” de Soren Kierkegaard e “Pense e Enriqueça ” de Napoleon Hill.

Quanto ao livro do Brabo, trata-se do melhor livro escrito por autores com viés cristão brasileiros que já li. Não desconfie, eu li muitos, seguramente todos os mais conhecidos e nada se compara a “Bacia das Almas”. Em certos momentos da leitura, você esquece que está lendo um autor nacional. O nível de pesquisa para os textos, a linguagem e o nível de aprofundamento nos temas é sem igual, nessas paragens. Se você não adquiriu seu exemplar, ainda, pare tudo agora e clique para adquiri-lo. Fique tranqüilo, não receberei nenhuma comissão, nesse caso.

Sobre o Conceito de Angústia, você só poderá entender minha diferença com os psicólogos depois de ler esse livro. Lembro que ele foi escrito no século XIX e o autor não tinha trinta anos, ainda. É um arraso, com a psicologia e grande parte das estruturas teológicas vigentes, em nossos dias. A psicologia só existe como alternativa à teologia e depende profundamente do pecado original, assim como nós, metidos a teologar. Kierkegaard desfaz o alicerce da psicologia e, conseqüentemente…

Como não tenho pretensões a ser cult ou exercitar o estilo, leio e recomendo livros de auto-ajuda. Dentre os meus prediletos, dois são do Hill, esse “Pense e Enriqueça” e “A Lei do Triunfo”, os melhores a meu ver, junto com o “Poder do Pensamento Positivo” de Norman Vincent Peale e “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” de Dale Carnegie. Esse pessoal do Segredo leu esses caras a valer, mas não chegam a lamber-lhes a sola da bota. Livros de Auto-Ajuda desse naipe são essenciais para pessoas como eu, com tendências a viver em grutas.

Segundo o Hill, a persistência é uma característica indispensável a aqueles que enriquecem, então persistirei em implementar minha revenda de hospedagem de sites, blogs e afins.

Troquei a fama pelo amor

021210_1528_Troqueiafam1Madona

Fizemos muitas homenagens a artistas e personalidades, ao longo de nossa jornada blogal. Alguém me perguntou se sou fã deles ou de alguns. Na verdade, não me considero fã de ninguém, de forma exclusiva, mas admiro muitos por suas habilidades, conhecimento e personalidades. Dentre todos, creio haver um destaque, trata-se de Madonna, uma artista a quem admiro por algumas atitudes, seu desempenho acima da média como cantora e bailarina pop e por sua beleza, embora os anos não a tenham poupado, também. Pena ela não ter acesso ao nosso singelo Projeto Coração Valente, tenho certeza que não hesitaria em participar.

Resolvi replicar aqui o post da Paula Neves do bom blog Por Ele e fazer justiça à namorada (a quem admiro) de Jesus .

Eu troquei a fama pelo amor

Sem pensar duas vezes

Tudo virou um jogo bobo

Algumas coisas não podem ser compradas

Eu tive exatamente o que eu pedi

por querer muito mesmo

Correndo, correndo em busca de mais

Eu sofri as consequências, tão satisfeita

E agora eu descobri

Eu mudei meu pensamento

Seu rosto

Meu substituto para amar

Meu substituto para amar

Eu devo te esperar?

Meu substituto para amar

Meu substituto para amar

Eu viajei o mundo inteiro

Procurando por um lar

E me encontrei em salas cheias

Me sentindo tão sozinha

Eu tive tantos amantes

Que se aproximavam de mim

Pelo prazer de se exporem em meus holofotes

Eu nunca me senti tão feliz

Mmmmmm, oooohhh, mmmmmmm

Nenhum lugar famoso, distante de tudo

Bugigangas que eu possa comprar

Nenhum estranho bonito, nada perigoso

Droga que eu possa tentar

Nenhuma roda gigante, nenhum coração para roubar

Nenhum sorriso na escuridão

Nenhuma noite ‘ficada’, nenhum lugar longe de tudo

Nenhum fogo que eu possa faiscar

Mmmmmmm….mmmmmmm

Agora que eu descobri, eu mudei meu pensamento

Esta é minha religião

Capricornio PB

Os iguais enredados

Algumas coisas não batem. José Saramago escreveu “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, mas não existe nada parecido e nada poderia ser mais anti Cristo do que um evangelho dele próprio. Diria o seguinte, se Jesus não fosse precipitado e não tivesse ressuscitado tão precocemente, ele estaria se retorcendo na Gruta, agora. Se o Mestre desejasse escrever qualquer coisa, não apenas um reles evangelho, um livro de auto-ajuda, um post ou uma tese, ele o teria feito. Entretanto, a única escrita dele, de que temos notícias, foram umas palavrinhas cunhadas na areia e logo depois levadas pela maré, enquanto esperava a turba pecadora decidir se apedrejava ou não uma mulher adúltera. Nenhum idiota presente teve a iniciativa de sacar seu celular com câmera a bordo e registrar o fato ou as palavras. Serviu, pelo menos, para nos informar que ele era plenamente alfabetizado.

Outro ponto importante, nenhum dos evangelistas ou dos seguidores deles jamais se referiu a algum tipo de ordem, desejo ou orientação de Jesus aos seus discípulos, no sentido de escreverem o que quer que fosse. Se não me engano, Jesus pensava em um evangelho vivido, compartilhado, integrado e não um monte de palavras em um livro discutível. Ainda escreverei um livro cujo título será: “O Evangelho que Jesus Cristo nunca escreveu”. Quem sabe não ganho um Prêmio Nobel, também. Tudo o que foi escrito em nome dele, foi escrito à revelia dele. Também, quem mandou ele se meter com os robos romanos.

Outro detalhe que não bate bem é essa história de discípulos ou fazer os tais. Todo mundo sabe muito bem que essas relações maior-menor, mestre-aluno, sabichão-sabichinha, patrão-escravo, pai-filho, pastor-ovelha, autoridade-cidadão, enfim a imensa classe dos formadores das autocracias da vida são relações que se baseiam na negação do outro. Sendo assim, não consigo encontrar a coerência de um Salvador todo amoroso submetendo os outros aos seus caprichos ambiciosos através de manipulações grotescas. Se Jesus pensou em discípulos, pensou em iguais, na plena liberdade de pensar e criar de quantos o seguissem por esse mundo afora.

Aliás, o processo de ajuntamento dos discípulos – não discípulos a Cristo é altamente sugestivo. Para mim ele não escolheu segundo currículos contendo amplos históricos de boa prestação de serviço e um monte de diplomas fornecidos pelas escolas decadentes e ultrapassadas, erigidas no modelo autoritário, mas libertou um grupo de homens de suas prisões. Para começar ele literalmente desenredou dois irmãos cujas mãos estavam atadas às redes de pesca de seu pai autoritário (paternalismo é uma forma disfarçada de autoritarismo), a seguir mais dois nas mesmas condições, depois livrou a cara de um sujeito com as mãos enlameadas na corrupção da captação espúria de impostos por parte de um governo tirano e assim por diante.

Quando decidiu enviar esses caras para testemunhar a “Boa-Nova”, não lhes ministrou nenhum curso ou seminário. Nada de Teologia de Missões, Evangelização ou Seitas Heréticas, muito menos estratégias antropológicas missionárias ou como fazer amigos e influenciar pessoas. Suas orientações não gastaram mais do que dez minutos de todos os envolvidos e se um desses doutores ou mestres da Faculdade Metodista de São Bernardo (que fica em Rudge Ramos) ou do Fuller Seminary as avaliasse, certamente as decretaria como simplórias e inadequadas.

Se não me engano, há dois mil anos, Jesus Cristo veio romper essas cadeias autocráticas de comando. Ele próprio deixou para trás seus pais, pastores, patrões, igrejas, empregos e tratou de gerenciar a si mesmo. Em todo o seu extenso ministério de três anos, nunca disse uma palavra sequer em favor desses vínculos diabólicos, antes os excluiu com sua vida pró libertação e desenvolvimento pleno do próximo, inclusive dos inimigos.

Jesus Cristo enviou seus discípulos a ensinar as mesmas coisas que ele ensinava, ou seja, não escravize ou subjugue ninguém, muito menos um filho, seu cônjuge, um amigo ou qualquer tipo de agregado. Somos todos iguais perante o Pai, ou não?

Do lado de lá
Livro: A Gruta
Livro: A Gruta

Não sei se os parias que se reuniram a Davi na Caverna (gruta) de Adulão sabiam as razões que os transformaram em marginalizados. Sou capaz da apostar que não. Eles eram descartados e pronto. Talvez arriscasse sugerir que Deus permitiu o infortúnio do filho de Jessé, justamente, para ele ir salvar essa cambada de perdedores decadentes e ultrapassados.

Às vezes tenho a sensação de ser vesgo ou caolho. Minha tendência (e sei que não é o seu caso) é olhar só um lado de cada vez. Quando olho para a Gruta e vejo um monte de gente interessada em nossas ladainhas de autoestima ruim, fico sem ver a turma do lado de lá, sabe, aquela gente que veste Prada e frequenta igrejas evangelicais nos lados nobres da cidade.? Talvez, isso explique a minha insistência em tentar corrigir meu estrabismo e procurar, com todas as minhas forças, ver aquela gente, mesmo que seja pelo buraco da fechadura. Quando consigo vê-los, fica muito claro, pelo menos para mim, a razão da existência de tantos grutenses.

Algumas pessoas, caridosamente, perguntaram por que não organizar os textos da Gruta em um livro. Olha, sem entrar no mérito da qualidade desses textos, para mim a razão indispensável para tal sonho, seria necessário adular o inimigo, em particular os pastores das tais igrejas de grife, para lograr êxito em tal intento. Como eu poderia trair meus leitores de maneira mais vil do que essa?

Tempos atrás, houve o que eu chamaria de uma sondagem (que jamais será confirmada por eles) sobre a possibilidade de eu participar como preletor em uma reunião sabatina com o grupo de jovens (falar com gente da minha idade, nem pensar) de uma dessas casas de horrores. “Claro”, respondi, “desde que tenha liberdade total e irrestrita de expressão”. E tudo terminou assim. Não creio que uma participação desse tipo macularia meu currículo de dissidente subversivo. Para eventuais acirramentos, poderia levar uma bomba caseira na mala ou optar pela boa, velha e evangélica atitude de fé, com a qual Jesus foi devidamente crucificado.

Embora, nem por um segundo, me veja qualificado para a tarefa de liderar o que quer que seja, um maldito pensamento me incomoda desde minha insana decisão de escrever esse blog, ou seja, a possibilidade de Deus ter permitido certos infortúnios em minha quase desnecessária existência para abrir uma brecha aos renegados da igreja vigente. Quando essa ideia me assola grito: Para trás Satanás!

020714_2356_VivendocomA2.jpg

Formigas Inundadas

Passei a maior parte da semana em São Paulo e, em meio a conversas, alguém veio com uma afirmação intrigante, se tem base científica não sei, mas me intrigou. Disse o malandro: As formigas estão em evidência porque a terra se encharcou e as formigas, tal como os pobres, perderam tudo, embora sem as enchentes eles vivam apregoando não terem nada.

Se a enchente nos pegasse e aquela reporter peituda da globo me perguntasse argutamente o que eu estava sentindo naquele momento, minha resposta seria: sentir o que? Não tinha nada e a água levou todo o meu nada ou algo parecido. Fato é que as formigas surgiram com as chuvas intermináveis, de várias espécies e tamanhos. Começou no dia em que fui carpir o buraco da árvore na calçada de casa e sofri um ataque covarde e quase letal de um bando de formigas traiçoeiras que haviam se alojado lá.

Depois disso elas começaram a surgir por todos os lados na casa, especialmente na pia da cozinha, onde elas parecem ter especial interesse. Dia desses, elas invadiram uma panela onde havia o resto de uma saborosa macarronada. O lixo, de ontem para hoje, amanheceu negro (sem ofensa afro) e, quando a Dedé se aproximou, percebeu serem elas, as formigas, esses seres nada ecológicos, traçando tudo que dava e ainda levou boas ferroadas, coitada.

Diante da informação de meu amigo, um pastor, claro, afinal pastores tem tempo de sobra para as pesquisas, só podia concordar, afinal elas perderam tudo e agora avançaram sobre o nosso nada. Sempre achei a Bíblia meio que favorável às formigas, a ponto de nos indicar o caminho delas como algo a ser imitado. Os escritores do livro sagrado não tiveram o nosso privilégio, ou seja, ser informados do caráter peçonhento dessas pestinhas endemoninhadas, pelo pessoal do jaleco branco.

Sabe, sou uma espécie de serial killer, pois durante a minha vida assassinei centenas, talvez milhares de formigas e baratas, sem falar na vez da lagartixa, aquela maldita que não me deixava dormir, no dia em que a encontrei a vingança se consumou. Putz, que sensação gostosa! FDP! Passei a infância, a adolescência e boa parte da vida adulta sob intenso sentimento de arrependimento devido a esse pequeno segredo guardado a sete chaves. Grande libertação experimentei quando o cientista me livrou de meu infortúnio ao classificar as formigas e baratas entre os seres mais peçonhentos do planeta. Agora só falta alguém descobrir quão peçonhentos são os pobres e as lagartixas. Na próxima vez em que me convidarem a pregar, meu tema será: Matar formigas, baratas e lagartixas não é pecado, mas missão.

As Palavras

Dizem que escritores são guardiões da palavra. Segundo eles, em certos momentos, é preciso preservar as irmãs formadoras das frases. Por exemplo, deveriamos colocar as palavras beleza, propósito, prosperidade, integral, e tantas outras no freezer, nos dias de hoje. Só tirá-las de lá quando voltassem a ser o que eram.

Outro dia ouvi um especialista em letras brasileiras declarar, em alto e bom som, que não escrevia, pois conhecia bem o valor das palavras e não pretendia desmerece-las. Nunca havia pensado nisso e me senti envergonhado. Talvez venha desvalorizando as palavras nesses quatro anos de blog.

Da gosto de ver alguém tratando bem nossas irmazinhas formadas pelas letras, como fizeram Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Cecília Meireles e Guilherme de Almeida. Por outro lado, todo esse massacre a elas promovido por esses tarados que se arrogam em escritores, eu entre os tais, e por mais de quatro anos, é abominável. Alguns já se veem escritores e saem por aí com camisetas brancas com escritos em letras garrafais contendo seus seus próprios textos. Outros já vislumbram as cadeiras onde peidaram Austregéliso de Athayde, Guimarães Rosa e Jorge Amado.

Pelo menos não fui tão longe. Minha abstração ao manejar tão mal as palavras é receber uma visita, um comentário e um cheiro.

De qualquer forma, me desculpo por meter-me a usar, abusar e, às vezes, estuprar as palavras. Prometo não fazer isso nunca mais.

Estou com os dedos cruzados nas costas.

O Nobre

Possui um projeto de vida e o persegue com todas as suas forças.

Quem tem um projeto de vida sempre tem algo a transmitir, possui uma atração muito especial, revela o humano nobre.

Afirma Delort: “O nobre se distingue dos outros por um gênero de vida, por uma mentalidade toda particular, por saber morar, saber vestir, saber exprimir um sentimento, por acreditar em laços edificantes, por inspirar-se em heróis e ter um modelo de vida, por saber ocupar-se e pelo espírito de combate”.

Ser nobre é dar sentido a tudo o que se faz. É não gastar, não desgastar a vida por pouca coisa, é ter uma medida de grandeza: “A grandeza de uma época depende da quantidade de pessoas capazes de sacrifícios, qualquer que seja o objeto destes sacrifícios. E, nesse sentido, o mundo medieval não está atrás de nenhuma época. Dedicação é sua palavra de ordem! Dedicação e não apenas garantia de um soldo seguro. Com que coisa começa a grandeza? Com a empenhada entrega a uma causa… a grandeza é uma ligação entre um determinado espírito e uma determinada vontade.”

Vitório Mazzuco em “Francisco de Assis e o modelo de amor cortês – cavalheiresco”

E a Bíblia não tinha razão

011510_1600_Haiti1

Haiti após terremoto

Se eu tivesse nascido um haitiano ou morador de uma dessas encostas da vida, nunca experimentasse outra coisa diferente de minha origem e passasse as duas últimas semanas sob lajes ou lama, me desidratando enquanto vivesse sob a tortura de quem imagina seus últimos momentos nesse mundo, para ser resgatado por uma equipe de bombeiros finlandeses ou seu oposto intelectual dos quartéis nacionais finalmente, pensaria então: melhor seria morrer.

Apesar disso, não seria mais infeliz do que ser criado sem grandes sustos, com boa comida na mesa, pais trabalhadores que me proporcionaram segurança, boas escolas, certo conforto e a liberdade de optar pelo saber e em quem votar, indiferente ao tipo de bolsa oferecida.

Creio estar cumprindo o mesmo roteiro com os meus filhos para, no final, descobri-los eternamente insatisfeitos e infelizes. Vejo os meninos humildes da vizinhança sorocabana, cujo treinamento para seus destinos simplórios e inexoráveis se dá em uma escola pública com seus problemas crônicos, onde a curtição maior é o punk com axé e a atividade mais intelectual é jogar baralho em duplas, sem o menor interesse pelo que se passa nas salas de aula.

Enquanto isso, os pais deles encaram horas intermináveis colocando o mesmo tipo de peça em uma máquina gigante ávida por decepar-lhes os dedos ou vivem dos proventos da indústria da construção, que também não lhes poupa as mãos recheadas de calos. Essa gente esculachada e base eleitoral do atual governo me olha de cima a baixo e trata-me como o lixo e escória do qual gostariam de livrar-se na primeira oportunidade.

Esses equívocos educacionais são paralisantes com efeito eterno. O presente mundo só tem lugar para dois tipos de pessoas, a minoria destinada a ser servida e a maioria destina a servir a primeira. Quem ousar não se adaptar, coisa que fiz sem perceber, será devidamente esmagado pelas duas opções.

lousign

Escrevi sobre os pacificadores algumas vezes, não há como, eles são chamados Filhos de Deus. As pessoas almejam muitas coisas, certa vez ouvi o Dr. Adib Jatene declarar, em uma entrevista, almejar vencer a vaidade. Sem dúvida um bom propósito para quem gosta deles e incomum. Choca-me nunca ter ouvido ninguém cujo grande ambição fosse ser um pacificador.

Em princípio, essa atividade incluí atitudes como não entrar em brigas, não estimular contendas, guardar segredos, não cair em tentação, optar pelo: quando um não quer, dois não brigam e tal. Mas quando começamos a pensar no assunto verificamos a profundidade do buraco.

O Obama (atual presidente dos EUA), por exemplo, pretende pacificar o Afeganistão enviando mais trinta mil soldados armados até os dentes para pacificar aquele lugar esquecido e poético. Qualquer dia escreverei um livro cujo título inclua a palavra Cabul. Não é chic? Quem diria que um ganhador do prêmio Nobel da paz seria capaz de ousar tanto em seus gestos pacificadores. Sempre imaginei que pacificar fosse fazer, exatamente, o contrário. Sou mesmo um tolo.

Nas milhares de entrevistas concedidas, me perguntaram qual o meu método de escrita, na maioria delas. Na verdade, não tenho padrão algum. Geralmente, não sei para onde vou quando começo a escrever, mas nesse caso específico quero dizer, sutilmente, que os cristãos de fato precisam ser pacificadores. Se tem algum dom do espírito doado como se fosse dinheiro para as vítimas do terremoto no Haiti, esse dom é a paz. Paz para pacificar, ora bolas. Se o cara tem Jesus Cristo em seu coração, então ele é um pacificador.

Já repararam como o Malafaya pacifica? E eu? Ele pacifica levando as pessoas a doar mais para o ministério dele e eu provocando os pastores mauricinhos, burgueses que se dizem de esquerda. Questão de método, mas nós dois temos Jesus no coração e o dom da paz, tanto quanto alegria, longanimidade, benignidade e bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio, tudo isso junto redundando no amor. Já reparou que todos esses atributos fazem de nós gente pacificadora? Apenas não usamos como deveríamos. É, Deus sabia o que estava fazendo quando nomeou o Espírito Santo para ministro dos dons espirituais e o apóstolo Paulo para seu relações públicas.

Olha, se encontrar por aí alguém pacificando de verdade, embora seja redundante, então encontrou um pacificador. Adoro aquela cena do filme Gandhi (assisti pouco esse filme) quando ele diz para o cara indiano, cujo filho foi morto por um muçulmano, para adotar uma criança muçulmana, cujo pai muçulmano foi morto por um indiano. Infelizmente, nem todos os que se dizem cristãos são pacificadores, pior, a possibilidade de que a grande maioria dos pretensos cristãos estejam muito longe de serem chamados Filhos de Deus, é muito grande.