A Gruta do Lou

Autêntico sem lenço e sem documento


Uma chuva leve teve inicio por volta das dezenove horas de ontem. Sorocaba é uma cidade onde as chuvas não são freqüentes. Na maior parte do ano faz sol e calor. A chuva foi aumentando seu volume e, por volta das vinte e três horas transformou-se em uma tempestade de verão, com raios e trovões. Isso nos encheu de preocupação porque devíamos desligar os aparelhos e não sabíamos se, depois disso, a Banda Larga voltaria a funcionar. Foi assim que fomos desconectados há três meses. Não teve jeito, um estrondo nos fez decidir por desligar tudo. Felizmente, quando voltamos a ligar, tudo estava funcionando normalmente, exceto o telefone que permanece desligado. Amanhã irei à loja da Telefonica para tentar resolver o novo embrólio.

O Khalil continua em Pequim e sem possibilidade de enviar material para nossos cultos. Nem tanto por motivos técnicos, mas sua missão solicitou que ele não enviasse nenhum material, por enquanto. Assim seguiremos aguardando sua volta e sem seu evangelho. Negócio é ler o post de hoje do Vinho Velho é Melhor: Um Cristão ateu.

Durante a noite pensei bastante e tive sonhos. Imaginei que o Raniel fosse aparecer, mas isso não ocorreu. Confesso uma certa preocupação com perguntas não respondidas às questões relacionadas a acontecimentos sobrenaturais, em nosso meio, tais como possessões demoníacas, de espíritos; vidas inexplicavelmente bloqueadas, desarvoradas, sob a mais completa falta de oportunidades; acontecimentos estranhos, vultos, sombras; pessoas com bom potencial perdendo sempre, sem razão aceitável aparente, doenças inexplicáveis do ponto de vista médico, fenômenos tidos como originários em outras dimensões; enfim, uma lista enorme que está longe de esgotar-se.

Para mim, tudo isso é difícil de ser absorvido. Sou muito cético e minha tendência é buscar as explicações racionais e científicas. Estaria tudo resolvido para mim, não fosse minha própria realidade, por toda a vida e, mais evidentemente, nos últimos anos. Eu e todas as minhas pessoas mais queridas vivemos uma espécie de maldição, se você me permite colocar as coisas assim. Um momento onde tenho a impressão muito forte da mais completa e irreversível ausência de qualquer Deus apoiador. Se nosso Deus cristão não está disponível, devido a preocupações mais relevantes do que esse reles ser desprezível aqui e suas insignificâncias, então que me visitassem os outros. Onde estão Buda, Maomé, o Deus carrancudo dos judeus e todos os outros? Mas não há nada além das visitas esporádicas e desastradas do Raniel, cuja função seria proteger o Thomas.

Não cheguei, como de outras vezes, a nenhuma grande conclusão, a não ser que não faço a menor idéia em como lidar com isso, caso eu seja uma vítima de alguma maldição maligna sobrenatural. Inconscientemente opto por respostas racionais, do tipo, onde foi que eu errei? Ferrou. O que posso fazer agora? E coisas do tipo. Já pensei em buscar a Igreja Universal, mas eu sei quão ridículo me sentiria naquele meio, sem falar que uma avassaladora e completa incredulidade me invadiria, caso o fizesse. Nos tempos de Tio Cássio, não por influência dele, vivi um cristianismo mais pentecostal, até que cai em mim e deixei tudo aquilo para trás. Não retornaria a aquele ponto.

Será que alguém aí enterrou alguma macumba contra mim? Por que razão seria? Não sou belo, muito menos rico e minhas maldades não foram tão extraordinárias assim. Fui um picareta como outro qualquer. Ou terá sido algo que meus ancestrais fizeram, a tal maldição hereditária. Tão pouco consigo crer nessas bobagens. Sou muito pouco dogmático e crédulo para tanto. A psicologia não me atrai nem um pouco. Ando tão de saco cheio dela e já acho que o mundo estaria bem melhor sem essa idiotice. Freud deve ter dado milhares de voltas em sua tumba, a essa altura.

Bom, aqui estou em mais um domingo sem respostas, com outra segunda-feira negra se avizinhando, sem lenço e sem documento, caminhando contra vento sob o sol de setembro dessa quente e pouco querida Sorocaba. Assim eu vou. Não há nenhum Deus, parente ou amigo que me socorra e, confesso, agora só uma boa loteria, que não resolveria tudo, talvez nem metade, posto que meus problemas estão longe de ser só financeiros, mas se os tirasse da frente ficaríamos bem melhor.

Sei que nenhum de vocês está como eu e, muito menos, teria algo a ver com isso. Entretanto se houver alguma identificação, faça como eu, ou seja, nada. Agora só me resta deixar explodir. Daí a gente vê como é que fica.

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5 thoughts on “Autêntico sem lenço e sem documento

  1. Lou,
    Não sei porque mas nem prestei atenção direito nas palavras he he he …

    Do que vc estava falando mesmo? Acho que voltarei mais vezes a este blog …

    – – –

    Cara! Na hora-minuto-segundo do desespero eu vou pra cima. Não que reajo – eu simplesmente ajo. Pelo menos não dou chances pro azar – cê me entende?

    O personagem é mais transparente que o autor, então fala do que vai pela alma. No mundo real, a vida continua e não há muitas alternativas, é fazer ou fazer. Há tantas coisas e providências que não podem esperar… Aí o que se faz primeiro é o velho quebra galho, apagar o incêndio e deixar as verdadeiras causas para depois e o demônio se eterniza.

  2. Pingback: Lou Mello

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