A Gruta do Lou

Ausência de Deus

A ausência de Deus é um sentimento possível na vida de qualquer pessoas, em especial para aqueles cuja vida caminha pelos chamados meandros sagrados. Quando Elias refugiou-se na gruta, estava na bronca e sentindo uma grande ausência de Deus. Davi quando foi para a gruta sentia-se culpado, ausência de Deus e também não estava lá muito contente com o Criador. Jesus, embora tenha nascido em uma gruta e terminado seus dias em outra, preferia o deserto ou algum monte disponível para isolar-se, quando sentia a ausência de Deus.

Interessante notar estes três monstros sagrados e bíblicos, com pujança óbvia de Jesus, agindo estranhamente em seus momentos adversos. Talvez eles devessem ter feito terapia até tornarem-se mais adaptados, nesses momentos, com um bom psicólogo, ou metidos a,  tipo Içami Tiba, Roberto Shinyashiki ou Marta Suplici. Outra demonstração de equilíbrio, especialmente no caso deles, homens de Deus, seria procurar uma boa igreja nessas horas, dessas famosas.

Quando comecei a me sentir menos potente, pois durante muito tempo me achava todo poderoso, especialmente depois da turma divina entrar em minha vida, fui percebendo uma certa dificuldade em situações específicas.

A Igreja logo me pareceu inadequada para pessoas em minha situação. O terremoto começou fraco, seguindo em uma progressão ascendente lenta mas continua até atingir o ápice de sua força, ai pelos  oito ou nove graus na escala Richter. Depois foi diminuindo até estabilizar-se, mas nunca mais minha vida deixou de tremer.

No momento ascendente busquei a ajuda de um bom terapeuta cristão, o meu amigo Zenon Lotufo Jr. Depois da fase aguda, mudei para Sorocaba e me afastei da terapia. Mas ela se tornara inócua para mim, em alguns momentos nós não sabíamos mais quem era o terapeuta e quem era o maluco.

A Gruta começou na forma de um quarto. Me retirava para lá com minha Bíblia e meu hinário, segundo a fórmula ensinada a mim pela esposa do Siegfried Zils, quando eles atravessaram um momento parecido. Apesar de nunca ter entendido a utilidade do hinário, usava-o como apoio ou peso sobre papéis avulsos. Mas, basicamente, a coisa se resumia em ficar deitado na cama, oscilando entre orações nada regulamentares, pensamentos diversos e até fantasias e cochilos, tudo entremeado com leituras bíblicas.

Algumas vezes escrevi alguma coisa, o problema era destinar esses escritos, pois ainda não fora apresentado aos blogs, embora já fosse bem assíduo na Internet. Aqueles poucos textos pareciam lixo atômico. Mesmo depois de conhecer o blog, não migrei para ele, de imediato. A Gruta só virou blog no final de 2005, uns vinte anos depois do início do terremoto.

A Gruta em forma de blog permite a confissão, coisa improvável em um quarto onde só estávamos eu os espíritos. Desde Elias, o ideal em situações de Gruta seria a aparição improvável mas necessária de Deus, no barulho ou no silêncio, enfim do jeito que desse.

Isso me leva à uma das cenas cinematográficas que mais aprecio (em Lawrence da Arábia), ou seja, quando o personagem Lawrence passa dias e dias no deserto com o olhar perdido em direção ao golfo de Ácaba. Sua meditação termina com a visita de Deus. Ninguém vê e ele também não trata o fenômeno dessa maneira, mas a evidência se dá quando ele demonstra ter concebido um plano militar em sua mente, capaz de levar o povo local a uma grande vitória.

A Gruta Blog além de receber as ideias de um blogueiro perturbado, impotente e sem saída, até o presente momento, para serem armazenadas em seus arquivos situados nos porões e sótãos, a confissão e a possibilidade de participação dos interessados em fazer o mesmo, de forma opcional, me convenceu ser uma grande oportunidade.

Talvez falte à Gruta a solidão de um deserto ou uma montanha capaz de possibilitar o silêncio completo onde seja possível ouvir a presença de Deus, caso ele apareça na forma Elias, quietinho como se fosse uma brisa.

Humanamente não vejo qualquer solução para meu dilema. Não existe situação precedente, apenas uma ou outra experiência semelhante, não há nada nos livros, que tenha visto, nunca assisti um filme parecido, ninguém me narrou qualquer história similar, etc.

Todos os conselhos recebidos com ou sem gentileza não se mostraram eficazes. Isso tudo me leva a crer que só uma autêntica manifestação divina resolva meu caso, se tudo isso não for uma grande ilusão. Nesse caso, precisaria encontrar silêncio completo.Capricornio PB

 

5 thoughts on “Ausência de Deus

  1. Silêncio! Ele comeu de uma maçã estragada, está em processo de regeneração…

  2. Uma obra de arte, Lou… uma obra de arte!
    Nesse sentido todo Blog é ou deveria ser uma gruta.

    Depois de ler o Brabo mais atentamente, fiquei com essa impressão.

  3. Pingback: Roger
  4. Em muitas ocasiões encontrei “o grande silêncio”, aquele que nos faz ouvir e sentir, lendo os textos da Gruta.

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