A Gruta do Lou

Ashram

Ashran

Grande tem sido a dificuldade dos líderes espirituais em unir a sabedoria e a prática. No caso dos pastores, essa constitui uma das maiores barreiras na concepção de um ministério profícuo.

Na maioria dos casos atuais, há a tentativa de transformar a igreja local em palco ministerial. Alguns tentam manter uma creche, uma escola ou um posto médico. Outros optam por considerar as aulas de música, o aconselhamento e cursos bíblicos como a prática em seus ministérios. Os batistas se realizam fazendo visitas às casas dos membros de sua igreja.

A dificuldade aparece quando eles tentam expor o texto bíblico e não dispõem de uma vivência legal para isso. Ao ouvi-los, notamos a falta de alguma coisa. Como diria Paulo (o apóstolo) a seu pupilo Timóteo: sobre o que não entendem, fazem ousadas asseverações.

Pessoalmente gosto da ideia de um núcleo onde seja possível desenvolver uma vida cristã recheada de possibilidades práticas, sem descuidar do preparo teórico necessário. Um Ashram me parece algo Ideal, é concepção hindu muito sábia e que me parece muito boa e aplicável. Adoraria viver em uma comunidade similar. Não significaria necessariamente um desligamento da sociedade ou do meio urbano. Apenas um afastamento necessário para se obter, paz, qualidade de vida e espaço para desenvolver vários serviços aos mais sofridos. Não penso só nos moradores de rua, crianças em risco e dependentes químicos. Importam-me as mulheres divorciadas ou viúvas, os gastadores compulsivos ou os desempregados, os endividados, pessoas vitimados por depressões crônicas, etc., também.

Com bom espaço e muito verde, seria possível viver em comunidade com essas pessoas, providenciando escola da árvore para as crianças e adolescentes, lar para os rejeitados, crianças e adultos e tratamento para os compulsivos, observando as prescrições e limites legais em todos os casos. Além de boa alimentação, exercícios físicos, lazer e descanso. O desenvolvimento espiritual entraria como parte importante do propósito geral. Ideal seria manter um campo de trabalho com produção campesina e artesanato a fim de dar independência ao projeto e seus participantes, embora o produto viesse a ser da comunidade.

Aqui em Sorocaba, uma das entidades onde prestei serviço, cujo alvo ministerial está direcionado aos moradores de rua, mantém um local em uma comunidade próxima, onde os carinhas são internados para recuperação de suas dependências químicas. Sempre foi dirigida por um líder contratado. Pena o pastor diretor do trabalho não estar pessoalmente envolvido. Depois o cara se surpreende quando o tal líder foge com uma das moças do telemarketing. Bom, mas ele é vereador e não tem tempo para tais idealismos grutenses. Outro pastor mantém uma entidade, que ele chama de abrigo, onde são mantidas cerca de cem crianças e adolescentes, encaminhados pela vara da infância e juventude e confinados em casas alugadas, funcionando no sistema “casa lar”, um horror inventado por nossos psicólogos forenses ajudados por algumas universidades, no centro urbano. Claro que o pastor presidente mora bem longe dessas casas e tem seu escritório colado à casa onde funciona o telemarketing.

O resultado de uma vida prática rica e relevante, entre outras grandes vantagens óbvias, possibilitaria uma considerável melhora da mensagem, sem falar da qualidade de vida espiritual e moral . Nunca fui um bom pregador, mas minhas mensagens tornaram-se relevantes depois de ter passado por boas experiências práticas de ministério. Pena que não vivi em um bom Ashram.

022414_1556_Omachadonoc2.jpg

4 thoughts on “Ashram

  1. Lou,você conhece algum Ashram no país? Ou algo parecido com isso? Fecho meus olhos e penso
    quão maravilhoso seria um lugar assim. Como diz você, Ideal. Um lugar no meio de muito verde, com clima muito agradável.Teria de ser imenso pra acolher tanta gente com sofrimentos dos mais diversos… Quantas coisas a fazer, quantas pessoas a acolher, centenas… Meu Deus, seria um pedacinho do céu aqui. Li na Wikepedia que a palavra é derivada do sânscrito e significa PROTEÇÃO. Teríamos que sonhar, despertar as pessoas pro trabalho, ter um grande e lindo lugar… Se ainda fossem vivas, faríamos um estágio com Madre Tereza e Irmã Dulce,quem sabe com Viv Grigg também…lutaríamos dia e noite pra que todos pudessem ser atendidos com toda dignidade, como seres humanos que veriam atendidas as suas maiores necessidades. Sempre que ouço falar sobre essas coisas meu coração estremece. Em pensar que aqui mesmo, nesse nosso Brasil, ou como diz o Brabo, nas Indias Ocidentais, há tanto dinheiro sendo desperdiçado, que daria pra fazer muitos Ashrans. Será que um dia isso seria possível?

    O falecido filósofo brasileiro Huberto Hoden criou um Ashran. Mas não teve tempo de fazer muita coisa lá. Faleceu e seu sócio (ou sei lá o que) Martin Claret herdou o negócio e o transformou em um sítio que ele aluga, até hoje, para convenções. Parece que ganha algum dinheiro (a mais) com isso. A Gruta, como a maioria dos blogs, livros, filmes, teatro, música, pintura, escultura, etc., é só uma tentativa artística. Pura poetagem. Nossa humilde contribuição é sonhar e deixar sonhar. Só isso.

  2. Nina Michaelis é realmente um exemplo de competência da mulher.
    Existem várias, milhares, de Ninas, em funções várias,com histó-
    rias comoventes, humanas, de luta mesmo, dando a sua contribuição
    como mãe, esposa e realizando-se como mulher.

    Ninguém quer tirar o lugar de ninguém, nem trocar.

    O que a mulher necessita é de mais igualdade, menos preconceito
    e mais parceria.

    Aqueles que tentam justificar os problemas sociais de hoje, ten-
    do só a família como referência, geralmente são os sonhadores
    que ainda acham que estamos vivendo em casas com quintais, pomar,
    onde a mulher fazia desde o sabão para a limpeza,os doces,pães,
    confeccionava a roupa de todos,etc…realmente é lindo, chega a
    ser poético. Também vivi numa época assim, mas ontem foi ontem,
    não volta mais.

    Temos outra realidade, criada pela revolução industrial, conquis-
    tas tecnológicas, novos sistemas de economia, nem sempre justos,
    quer com homens ou mulheres.

    A vida é formada por ciclos, quando um se fecha, entramos noutro.
    É claro que há fatos, vivências, que buscamos em outras épocas,
    pois foram bons e nos servem como referência, mas eles terão que
    vir para nós com outra ótica, para que possamos adaptá-los a
    nossa realidade.

    Assim como, para viver o cristianismo, não precisamos estar nos
    tempos bíblicos nem nos vestir com túnicas, turbantes e sandálias;
    também a mulher não necessita ser aquele modêlo criado pela visão
    maculina, para que seja plena.
    Talvez, na visão masculina, se a mulher voltasse ao modêlo antigo,
    também o mundo voltaria a ser melhor,acabaria a pobreza,a polui-
    ção,o desamor,as guerras, e os passarinhos voltariam a pousar
    nas janelas com cortinas de crochê…

    Aleixo- é um exemplo de visão consciente, segundo seu comentário,
    que entende, aceita mudanças e sabe que para haver equilíbrio
    nas novas estruturas de família, tem que haver maior compartilha-
    mento nas tarefas e responsabilidades, e que os filhos precisam
    tanto da mãe como do pai.

    Minha réplica cresceu tanto que virou post. Veja lá.

  3. Lou,
    sou marido da Alice, gostei muito do seu post.

    Seria muito interessante existir um Ashram aqui no Brasil.

    Ultimamente venho sentido vontade de dedicar ou doar uma parte do meu tempo para ser voluntário em servir pessoas que necessitem de atenção, amor, carinho e de um ouvido.

    Se tiver algum projeto ou algo parecido com essa finalidade e que possa ser desmembrado como filial em Ubatuba, estou disposto a participar.

    Um forte abraço.

    Muito prazer Tatá, finalmente posso conhecê-lo, embora você faça parte de nosso rol de amigos, há tempos, na presença sempre bem vinda da Alice.
    Não precisa pensar nisso como uma filial. Como não temos nenhum, ainda, poderia ser logo a matriz. Que tal?

  4. Muito bom o texto. Ia questionar as motivações de um voluntário mas isso é ser em demasia chato.

    Sem dúvida, o voluntário estaria motivado ao aprender e crescer junto para, no futuro, ser mais um ashram independente em algum outro lugar, ou algo assim, se não me engano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *