A Gruta do Lou

As sobras do bolo

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Assim que desci para iniciar meu dia, tratei de agarrar uma fatia das sobras do bolo que a Dedé preparou ontem, pelo meu aniversário. Sobrou mais da metade, portanto ainda retornarei a ele várias vezes, hoje. Ficou ótimo.

Se houvesse aparecido alguém de surpresa por aqui, não teríamos feito feio, pois haveria algo bom para servir. Mas tal não aconteceu e ainda bem, pois a casa está em ritmo de mudança com caixas e empacotamentos para todos os lados, embora ainda nem tenhamos um destino certo para ir. O pessoal decidiu iniciar a desmontagem para ver se isso contribuía, sei lá de que forma, para conseguirmos apressar nossa volta a São Paulo.

Até agora, sem grandes resultados, apenas o Pedro, que já foi por ter se iniciado em um novo trabalho por lá, mas está morando em uma república, apesar de nossos parentes mais próximos viverem na cidade. Nada inesperado para paulistanos experientes e acostumados à vida independente das grandes cidades. Sem falar na habitual falta de generosidade e solidariedade do povo, claro.

Acho que todos nossos parentes, amigos, conhecidos e vizinhos fizeram a mesma suposição e não apareceram para evitar nos constranger em momento tão delicado no que tange a receber pessoas em nossa casa, certamente. Foram todos tão corteses que nem telefonaram para não me incomodar.

Alguns, os mais completos em termos de razão e sensibilidade, trataram de deixar um “feliz aniversário” no Facebook e até no Orkut achei um ou dois deles. E-mails de aniversário não me lembro de ter recebido nenhum, a não ser os “automáticos” das empresas interessadas em mim enquanto consumidor.

Meus aniversários, até onde posso me lembrar, nunca foram muito concorridos. Mas suspeito, e isso pode até ser alguma neura minha, concordo, que eu tenha alguma tendência a afastar as pessoas, ao invés de aglutiná-las. Bom, pelo menos, todas as vezes que vou a Azaré fazer alguma palestra ou dirigir algum seminário, raras são as pessoas presentes, geralmente maridos que as esposas não querem em casa e mulheres mal amadas, fora os estrupícios. Se bem que de minha parte eles recebam tratamento humanitário.

Uma pessoa ter que assistir qualquer palestra minha, que geralmente se dá em noite chuvosa ou no sábado, durante algum jogo do Corinthians, é por si só uma grande humilhação. Tratá-las mal seria desumano. Não que as predicas sejam ruins, o problema sempre será a repercussão. Nem em Azaré as pessoas querem ser contadas entre meus ouvintes, devido ao teor quase sempre nada convencional que costumo empregar. Geralmente chego ao extremo de falar mal de gente famosa, coisa proibida nos meandros evangélicos, políticos ou da MPB. Enfim, preciso bater no grandes para conseguir alguma atenção, mesmo sob risco de perder a chance de nunca editar meu livro.

Provavelmente, meu perfil no Facebook não seja muito concorrido, nem nos meus aniversários, por razões muito parecidas. Pessoal evangélico me vê como um liberal perigoso. Os liberais dos tempos de faculdade ou dos idos em que trabalhei na Secretária Municipal da Família e Bem Estar Social de S. Paulo devem guardar um conceito mais reacionário a meu respeito.

Meus amigos dos tempos de escola fundamental e médio, mais as turmas, dos bairros onde morei e/ou frequentei na juventude, devem preferir manter distância com medo de minha possível postura religiosa, atual. Sabe como é, gente assim não fuma, não bebe e detesta palavrões. Sem falar na resistência ao pecado, principalmente em relação ao adultério.

A grande verdade é que não sou do tipo capaz de atrair. De fato não fumo, mas ainda tomos uns goles, se bem que nada muito radical. Tempos atrás até tomava uma vodikinha todas as noites, mas fui engordando e acabei elevando a pressão arterial com alguns episódios exóticos em visita a algum pronto atendimento noturno. Então, parei com o hábito, emagreci e voltei à pressão em níveis normais. No máximo uma ou duas Heineken, uma ou duas vezes na semana, quando dá.

Não sou radical em coisa nenhuma, muito menos adepto da direita ou da esquerda. A não ser minha intolerância a essa gente com delírio de poder. Estou mais para anarquista, tanto na política quanto nas crenças religiosas.

Continuo detestando hierarquias, hipocrisias e minha maior ênfase está posta na desobediência como prática da liberdade. Cara, detesto mandachuvas e isso já me trouxe momentos bem desagradáveis, da perda de empregos até castigos injustos. De fato, sou preservador da fidelidade nos relacionamentos, tanto no casamento quanto nas amizades, coisa que sempre adotei, mesmo antes do casamento e da militância religiosa (hoje quase extinta).

Portanto, não é a toa que meus aniversários costumam causar “as sobras do bolo”. Tudo bem, prometo fartar-me enquanto durar.

Capricornio PB

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