A Gruta do Lou

As Palavras

Dizem que escritores são guardiões da palavra. Segundo eles, em certos momentos, é preciso preservar as irmãs formadoras das frases. Por exemplo, deveriamos colocar as palavras beleza, propósito, prosperidade, integral, e tantas outras no freezer, nos dias de hoje. Só tirá-las de lá quando voltassem a ser o que eram.

Outro dia ouvi um especialista em letras brasileiras declarar, em alto e bom som, que não escrevia, pois conhecia bem o valor das palavras e não pretendia desmerece-las. Nunca havia pensado nisso e me senti envergonhado. Talvez venha desvalorizando as palavras nesses quatro anos de blog.

Da gosto de ver alguém tratando bem nossas irmazinhas formadas pelas letras, como fizeram Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Cecília Meireles e Guilherme de Almeida. Por outro lado, todo esse massacre a elas promovido por esses tarados que se arrogam em escritores, eu entre os tais, e por mais de quatro anos, é abominável. Alguns já se veem escritores e saem por aí com camisetas brancas com escritos em letras garrafais contendo seus seus próprios textos. Outros já vislumbram as cadeiras onde peidaram Austregéliso de Athayde, Guimarães Rosa e Jorge Amado.

Pelo menos não fui tão longe. Minha abstração ao manejar tão mal as palavras é receber uma visita, um comentário e um cheiro.

De qualquer forma, me desculpo por meter-me a usar, abusar e, às vezes, estuprar as palavras. Prometo não fazer isso nunca mais.

Estou com os dedos cruzados nas costas.

7 thoughts on “As Palavras

  1. É melhor desvalorizar as palavras e trazer vida do que valorizá-las insensatamente. Se você às desvalorizou isso não sei; mas que trouxe vida com elas trouxe!

    Se não for assim, elas (as palavras) não teriam valor, pelo menos para mim.

  2. Pingback: Nelson Costa
  3. Novilíngua é um idioma fictício criado pelo governo autoritário na obra literária 1984, de George Orwell. A novilíngua era desenvolvida não pela criação de novas palavras, mas pela e “remoção” delas ou de alguns de seus sentidos, com o objetivo de restringir o pensamento. Uma vez que as pessoas não pudessem se referir a algo, isso passaria a não existir. Assim, por meio do controle sobre a palavra, o governo seria capaz de controlar o pensamento das pessoas, impedindo que ideias indesejáveis viessem a surgir.Isso é a treva !

    Falando nisso, as editoras evangélicas extrangeiras (ABU, Vida Nova, etc.) costumam surrupiar capítulos inteiros de suas edições em lingua tupiniquim, como fez a ABU ao retirar os três últimos capítulos do livro “Culpa e Graça” e a Vida Nova os capítulos referentes aos comentaristas liberais do livro “Merece Confiança o Antigo Testamento”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *