As mil e uma desobediências

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O título “As mil e uma desobediências” me foi sugerido pelas mil e uma noites salvadoras daquela alma condenada à morte e que através desse meio subverteu a sua condenação e a própria ordem real.

E eu pensando ser a Desobediência Civil a grande opção. Como sou devagar. Imagine que tem gente considerando Gandhi um mero padeiro da esquina. Antes de mais nada, essa comparação é extremamente preconceituosa, claro. Os padeiros da esquina são seres que merecem o meu maior respeito, pelo menos eles fazem alguma coisa para o bem comum, muito diferente de certos amebas, cuja finalidade única de vida é patrulhar a opinião alheia.

Agora, Gandhi, meu, aquele pequenino desobediente, libertou a segunda maior nação do mundo, em população, de um domínio insano e injusto, que matava impiedosamente e explorava seu povo sem qualquer escrúpulo. Além da desobediência civil, ele pregou a não violência, ensinando seus semelhantes a conquistar seus inimigos, para fazer deles seus amigos, no dia em que a sonhada liberdade fosse conquistada e essas foram suas únicas armas para vencer o gigante dominador. Esse anão era um gigante moral. Nenhum cristão, calvinista ou não, jamais o superará. Se ele se ativesse à lei dada pelo colonizador, seu povo estaria servindo como escravo aos arrogantes ingleses até hoje, se bem que ainda não conseguiram liberta-se do complexo de escravo que os atingiu durante os anos de colonização.

Acho interessante notar em certos posicionamentos que, rapidinho, os caras começam a defender suas interpretações religiosas falsas e idealistas. Não percebem o perigo de estarem sendo manipulados através delas. Sacerdotes e políticos uniram-se ao longo da história para, juntos, construir falsas crenças capazes de ajudá-los a dominar o povo e escravizá-lo.

Jesus, aquele da bíblia, foi o maior desobediente que já pisou a superfície desse planeta. Ninguém conseguiu fazê-lo crer em Calvino e sua eleição preconceituosa. Pior, ele foi ao Golgota e salvou a todos, calvinistas ou não. Ele desobedeceu os sacerdotes, os reis e até a morte, que até então, nunca tinha sido desafiada. Foi o grande herege desobediente.

A meu ver, a única forma viável de olhar o texto bíblico é aquela despojada de ideias preconcebidas com o qual Nosso Senhor anunciou sua missão à Sinagoga, ao ler um trecho de Isaías. Li a Bíblia muitas vezes, não saberia dizer quantas, e nunca vi meu nome escrito ali. Sei que sou um completo desconhecido, exceto a meia dúzia de insistentes leitores das bobagens que escrevo aqui, mas nunca vi os nomes desses imbecis patrulheiros do cristianismo alheio escritos lá, tão pouco, o que nos coloca na mesma situação. Arrogância é a qualidade nociva de todos aqueles cuja única intenção é prevalecer sobre seus semelhantes. Para ser cristão basta uma única qualidade: não ser arrogante. Ah! Cristãos costumam ser desobedientes, também. Como diria Pedro, aquele desobediente da Bíblia:” antes importa obedecer a Deus do que aos homens” e Deus não é nenhuma dessas ideias idiotas que esses caras vivem advogando por aí.

Alysson, se tiver um tempinho, traga seu vinho e venha saboreá-lo aqui em Sorocaba, enquanto pensamos juntos, em novas e astutas formas de desobediência civil. O Wander e eu tivemos esse privilégio, literalmente, quando fomos ao Fórum da cidade e tratamos de não obedecer as oficiais forenses e que ninguém nos ouça.

Capricornio PB