As Marcas da Morte

Fred Mercury

Freedy Mercury

Trago comigo as marcas da morte, disse o excelente roteirista (Babel) e diretor de cinema Guillermo Arriaga e apontou para sua careca. Foi aí que me dei conta das minhas próprias marcas da morte.

Nos tempos da Faculdade Teológica, participei de um extraordinário seminário cujo tema era A morte. O objetivo era treinar futuros pastores a lidar com a morte. O coordenador foi o excelente Pr. Silas Coutinho da Igreja Batista da Mooca, mais um que se perdeu nos braços de uma (ou mais) amante. Na verdade perdeu a boquinha em uma grande igreja. A velha mania de crucificar pecadores.

Aprendi a lidar com a morte, não apenas do ponto de vista do meu próprio enfrentamento a esse acontecimento compulsório, mas em relação às pessoas e suas reações diante dessa miserável e peçonhenta inimiga da vida.

Ao contrário de muitos adeptos do culto da morte, acredito que a morte não é coisa que se acalente. Devemos nos afastar dela o quanto pudermos, sem menosprezá-la, sobretudo porque são inúmeras as possibilidades de nos aproximarmos dela em nossas vidas. O pior é que ela vai nos invadindo dia a dia. Tudo que adquirimos em termos cognitivos, material e espiritual será levado aos braços da dama de preto, com a certeza de que a matéria, dela não passará.

Muitas pessoas tentam camuflar as marcas da mulher aranha com cirurgias plásticas, maquilagens, perucas, exercícios e muito antioxidante para combater o vírus da morte, os radicais livres. Mas a senhora da noite eterna tem muitos meios, se você conseguir algum sucesso com essa batalha em seu corpo ela mexerá nos freios do seu avião e aproveitará para levar você e mais uns duzentos, numa baciada só. Não tenham dúvida, a morte é o inimigo. Cristo fez o que fez para derrotá-la, segundo suas próprias palavras.

Geralmente, as pessoas pensam que olhamos no espelho para admirar a nossa beleza. Esse nunca foi meu caso. Mas afirmo sem medo de errar: a principal razão porque olhamos no espelho, depois de certa fase da vida, é verificar como andam as marcas da morte. Calvície, rugas, dentes faltantes, flacidez, barriga, peitos caidos, barba e cabelos brancos, etc. Ela é a única certeza, disse o poeta lúcido. A vida é a dúvida, sempre.

Jesus, aquele da Galileia, veio com uma conversa toda malandra de vida eterna e abundante. O mais surpreendente foi ter dito para não temermos, pois ele venceu a morte. Alguns acreditam que o Salvador deixou a receita: Crer nele e em suas palavras. Tomara que estejam certos. Eu também entrei nessa fila. Só que a morte avança em mim inexoravelmente. Será que a fila era a outra?

O que nos resta são as palavras eternizadas pelo homossexual e dependente de drogas Freedy Mercury, líder da banda Queen, vencido pela morte que lhe deu logo uma boa dose de AIDs: “O show deve continuar”. Uma coisa que essa senhora não gosta é de ser desafiada.

Lembro de alguns músicos cristãos o Sérgio Pimenta (que não conheci muito bem), o Djanires (que conheci bem) e o Jairinho e sua esposa, lembro ainda o grande pregador expositivo Pr. Luiz Zitti, todos eles celebravam a vida e foram tragados pelo beijo da mulher aranha prematuramente. Garanto que eles concordavam com Mercury, em termos de viver sem temer a morte.

Aprendi com meu mestre de artes marciais que o supremo conhecimento é aprender a não temer a morte. Só que o sentido ensinado por aquele homem extraordinário é de caminhar para ela sem medo, com altivez e orgulho, não de viver como se ela não existisse.

Somos um bando de psicopatas ou o que? Se a morte é inevitável por que vivemos essa ilusão toda de vida? Como diz o texto bíblico, talvez um dos mais sábios dentre todos: “Comamos e bebamos, pois amanhã morreremos.” A menos que Jesus estivesse falando a verdade (e torço por isso) e, de fato, tenha colocado a grande dama das trevas no seu devido lugar.

Capricornio PB