A Gruta do Lou

Ansiedade e Medo


Por Adriel D. V.

O trecho abaixo é por si só explicativo, ainda, a ansiedade pode aqui ser perfeitamente compreendida também como angústia.

A mente humana é não só, como disse Calvino, uma fábrica permanente de ídolos, é também fábrica permanente de medos – a primeira visando evitar Deus, a segunda visando escapar à ansiedade; e há uma relação entre as duas. Pois olhar de frente o Deus que é na verdade Deus significa também olhar de frente a ameaça do não-ser. O “absoluto nu” (para usar uma expressão de Lutero) produz a “ansiedade nua”, porque é a extinção de qualquer auto-afirmação finita, e não um possível objeto de medo e coragem. Mas, basicamente, as tentativas de transformar ansiedade em medo são vãs. A ansiedade básica, a ansiedade de um ser finito ante a ameaça do não-ser, não pode ser eliminada. Pertence à existência mesma.

A coragem de ser. Tillich, Paul. Paz e Terra: 1967.

Esse post foi surripiado sem qualquer autorização prévia (como é meu costume) de Adriel, dono do excelente blog Eterno Retorno.

Alta Ansiedade from Guilherme Sagas on Vimeo.

2 thoughts on “Ansiedade e Medo

  1. Falando em eterno retorno, eu tinha perdido o caminho da gruta; o RSS direcionava para seu blog sério. A ansiedade básica é perder de vista aqueles que nos informam quem somos.

    Xii! Então você perdeu um monte de acontecimentos importantes, e mais, perdeu um monte de referência sobre si mesmo. Devia andar muito ansioso…

  2. Quando as premissas são falsas, o resultado também o é. O problema são as generalizações. Tenho meus problemas, porem, não vivo ansioso e nem com medo.

    Nunca mandei ninguém pra fogueira, Calvino Mandou ! Não dei permissão para os príncipes alemães massacrarem 100,000 camponeses, Lutero deu !

    Pelo jeito, o Tillich não se importava muito com essas “excentricidades” calvinistas ou luteranas. Como outros teólogos e filósofos famosos, se preocupava com esses sentimentos baixos como o medo e a ansiedade, coisa que preocupava Calvino e Lutero, assim como Kierkgaard preocupou-se com a angústia e Nietzsche com a compaixão, atitudes que deram os subsidios necessários para que Freud desse origem ao maior desastre do equilibrio emocional da humanidade: a psicologia, se bem que ele mesmo não a tivesse praticado, pois era mais chegado em psicoterapia, se não me engano.

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