A Gruta do Lou

Análise grutense sobre o insulto vertical

Em uma blogosfera provinciana como a nossa, fica difícil manter nossas fontes em segredo. Gente como o Paulo Brabo , por exemplo, com a habilidade incomum para o desenho, em poucos traços revela nossas fontes e artimanhas e nos deixa com aquela sensação de marido safado quando é pego com a vizinha na cama e diz: Não é o que vocês estão pensando.

Agora não há como negar, de fato eu uso o insulto vertical. Afinal como poderei sair do ostracismo em que me meti, se não escalar a montanha pisando sobre os degraus formados por calos famosos? Se bem que arrumei uma desculpa muito boa, a qual chamei de SJI (Síndrome de José Invertida). Resume-se em algo assim: Um cara foi seu companheiro no seminário, repartia um sanduíche de mortadela contigo antes de subir para as intermináveis aulas do Dr. Shedd e tinha tempo para jogar conversa fiada fora nas noites de sexta-feira, quando dificilmente assistíamos às aulas do Isaltino. Daí, a vida (ou seria Deus) promove o cara aos píncaros da glória evangélica e, ao mesmo tempo, mantém você lá em Judá sob a fome, comendo aquelas migalhas distribuídas pelo muquirana do Jacó e quando você resolve procura-lo no Egito para cavar uma boquinha, ao invés dele agir como um José, ele vira Judas e manda dizer que não está ou está em reunião.

Pau nele! Como diria uma tradução desaparecida de Provérbios: Não há como denegrir alguém sem obter proveito próprio. Sei que os comentários diminuem em dias de insulto vertical, mas a audiência sobe que é uma beleza. Ética? Estou fazendo um novo treinamento em ética com o pessoal da Telefonica. Eles tiraram minha banda larga e deram a alguém que estava esperando há tempos e, agora, estão me prometendo tirar de outro infeliz para me contentar, embora não dêem prazo para isso. Para a Folha de São Paulo declarei solenemente que não quero o sinal de outro, mas que a Telefonica expanda a rede e atenda a todos sem privar ninguém, mas cá no meu cantinho o que vier será lucro, ética com a minha cara e do Diogo, se bem que não simpatizo com ele, principalmente porque tenho grande dificuldade em ser favorável a qualquer coisa com o nome Bush. Acho que é por isso que não queria tomar banho na adolescência, pois tinha que usar a bucha.

Insulto vertical…. só o Brabo mesmo para sair com essa. Ainda se fosse adulação vertical, vá lá. Já repararam como tem gente fazendo adulação vertical? Cê não pode macular jamais certas figurinhas carimbadas. Tem que adular, replicar posts dos caras em seu blog, servir de tapete para eles passarem. Raça de víboras! Odeio eles! Ou seria o sucesso deles? Sei lá. Não é fácil a vida de uma eminência parda ( um dos melhores livros que já li, de Aldus Huxley). Quando compareço a algum grande evento, todos me conhecem e me abraçam, mas quando não estou por aí, minha orelhas ardem de tão mal que eles falam de mim, os mesmos. Traidores! Pior quando nem lembram de minha existência.

Bom, era isso. Aprenda com o Mainardi como blogar. Ele é reacionário mas está por cima da carne seca, enquanto eu ainda não sei o que vou comer no jantar, afinal o almoço eu já perdi. Insulto Vertical… Bela roba!

18 thoughts on “Análise grutense sobre o insulto vertical

  1. Pois é Lou,

    aquela lá pega qualquer Blogueiro de surpresa. Mas tem uns que viraram mestre nessa arte. Taí a diferença.

    A história (contada por Fernado Morais) nos revela que o Rei do Brasil (Assis Chateaubriand) chegou a ser o que era (ou seja, quase nada) graças ao insulto vertical. Se um simples blogueiro galga degraus assim imaginemos um “H”omem da Mídia!

    Pra mim o exemplo mais trágico cômico dessa coisa foi a do Caio Fábio e um blogueiro que chamou o filho do Caio de gay. Aí a bicha, quer dizer, o bicho pegou.

    O próprio Brabo conseguiu cutucar o filho do Warren! 😉

    Enfim, assim caminha a humanidade,

    Abrçs,

    Roger
    PS: Paulo nunca seria quem foi se não tivesse repreendido Pedro na cara – sociedade sem graça e primitiva aquela que não havia Internet e a coisa, para surtir efeito, só poderia ser feita diretamente!…

  2. Roger

    Quando estava no ginásio (águas passadas) visitei o Assis Chateaubriand lá na sede dos Diários Associados, na Rua 7 de abril. Tenho enorme dificuldade em admitir pessoas que conheci em vida sejam parte da história. Pode ser que eu já faça parte da história e não tenha me dado conta. Mas o cara me deixou uma impressão fortíssima de alguém que eu nunca desejaria ser, aliás isso sempre aconteceu comigo em relação a pessoas que fumam charuto. De fato, em uma hora de conversa ele deve ter ofendido todos os maiorais da época. Agora o Fernando Moraes e o Ruy Castro têm como finalidade secundária (ou primária enrustida) denegrir a memória paulista. Assis e Garrincha deveriam, a meu ver, ser enterrados em alguma Gruta e banidos da memória nacional pelo péssimo exemplo que representam às nossas criancinhas. São dois escritores desmiolados e precipitados. 🙂

  3. nietzsche é apaixonante pelos seus insultos que beiram a poesia. insultar é quase uma necessidade em certas circunstâncias (dá-nos a sensação de poder), quando conseguimos desmoronar alguém com simples argumentos, como rubem alves também consegue fazer.

    talvez seja esse o mistério.

    abçs.

  4. Filipe

    Por favor, mantenha nossos segredos. Daqui a pouco acabarei perdendo o emprego, de novo.

    Gosto demais quando o Nietzsche insulta os cristãos solapando a compaixão, ao citar Aristósteles, que mandava dar purgante para quem estivesse sentindo esse horror. Com isso acertava padres e pastores numa só cajadada.

  5. Lou, estive aqui e fucei no seu “sitemete”, coisa que você está careca de saber que eu faço. E sempre que o faço, me sinto humilhada, com minha meia dúzia de acessos contra a centena de acessos seus.

    Taí, quem nasceu pra bete não chega a Lou.

    Viu? Acabo de fazer um elogio vertical.Mas isso não é motivo de orgulho. O caso é que eu não tenho cacife pra insultar ninguém.

    Mas eu chego lá, ah chego…

  6. Bete

    Estou na estrada blogal há muito mais tempo que você e essa frequência é natural. Como o Paulo Brabo revelou, não deixei de bater nos maiorais inúmeras vezes, claro que sem perder a ternura jamais. Creio que seu blog tem tudo para ser um dos mais visitados e você tem competência para insultar. Sua experiência de vida e sensibilidade são insultos insuportáveis aos mauricinhos e mauricinhas que nunca souberam o que é uma dificuldade e posam de bacanas por aí. Manda ver.

  7. Recomendo, por essas e outras razoes, a leitura universal da História Universal da Infâmia, do manso Borges.

    Lou, não devo descansar enquanto não for insultado na Gruta! Só então vou saber que você me acha mais importante do que você .)

  8. Paulo

    Assim que vi os Irmãos Comédia e o insulto vertical, meu diabo pessoal perguntou: Não é a deixa para ofender o Brabo? Mas o Raniel estava por perto e retrucou: insultar o Brabo, seu mentor? Então, para não contrariar chifres ou auréolas resolvi insultá-lo com muito cuidado e deu nisso. Pelo menos captei sua atenção.

  9. Wander

    Não ha segredo para rir das desgraças pessoais, a não ser uma total incredulidade em relação à neurolinguística e o tal Há poder em suas palavras, depois de anos fazendo afirmações positivas sem obter nenhum resutado. Uma boa auto-imagem ajuda, também. Nós (humanos) temos a tendência em superestimar a nós mesmos, o tal narcizismo ou cair no outro extremo. Gente equilibrada é rara. Tenho vivido melhor admitindo minhas fraquezas para mim mesmo e para os outros. Dói menos. 🙂

  10. Acabei de adicionar o Projeto Coração Valente no meu blog.

    Me pordoe por não o ter feito antes.

    EU conheci o Volney realmente é uma pessoa fantástica.

    Abraços,
    Fique na GRAÇA!

  11. Está perdoado. Vá e não peques mais.

    O Volney me contou tudo sobre sua estada em S. Paulo, inclusive sua participação no Zona da Reforma. Fique tranquilo, nosso serviço de informação é dez e o Volney um grande cara, em all ways.

  12. Quando leio todos vocês (Gruta, Bete, P.Brabo, Volney…)fico entre a admiração sincera e a inveja atroz.
    Já dizia a Blitz: “o quê que ele tem que eu não tenho”.
    Talvez, seguindo a linha do raciocínio do IS (insulto vertical), eu devesse agredi-los. Mas, tal como a Bete, me falta competência para isso.
    Então, leio, retenho e aprendo…

    Abraços

  13. Hernan

    Quem está vivo sempre aparece. Saudades! Olha onde isso está nos levando. Agora todo mundo está desejando receber insultos, inclusive eu. Problema é que essa tática é usada pelos Joãos ninguéns para beliscar um raiozinho de sol, pelo menos. Honra mesmo seria ser insultado pelo Brabo, Hernan e blogueiros dessa estatura. 🙂

  14. Obrigado pelas boas vindas Lou. Eu sinto saudades deste espaço aqui. É uma pena que no momento eu esteja impossibilitado de vir aqui mais vezes. Estou trabalhando em um projeto, depois eu conto para você e para os amigos.

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