Amanhã, será um lindo dia, da mais louca alegria cibernética

Na década de sessenta estudei em uma escola chamada Vocacional, durante seis anos. O autor da música (Amanhã de Guilherme Arantes) foi meu colega, nesse tempo. Essa escola foi considerada “a escola do futuro” por sua proposta de ensino holístico e que incluía métodos capazes de estimular a participação, a vivência democrática e, sobretudo, a pesquisa. Na verdade, o futuro a que a revista Realidade (famosa na época) se referiu, viria a ser os anos setenta e oitenta, não mais do que isso. Com a chegada da revolução da informática, da informação e da globalização, a partir dos anos noventa, o Vocacional seria ultrapassado ou precisaria se reciclar. Como a experiência foi extinta pelo governo militar em 1968, ficamos sem conhecer esse futuro.

Ultimamente, grande parte do pessoal ligado à experiência Vocacional (alunos, professores, funcionários e parentes) tem se encontrado e tem havido algum estimulo em recuperar os pressupostos perdidos. Mas a escola, hoje, é um tímido Banco de Dados. Poderia ser dinamizado como tal. A maior parte do material continua em poder dessas pessoas que sonham com a volta do sistema. Mas creio que seria mero exercício de nostalgia. Seu tempo passou. Foi relevante sim, eu que o diga. Mas a transformação e o avanço dos meios de comunicação, sobretudo, através das redes informatizadas e motorizadas pelos sistemas de satélite, ultrapassaram a experiência longínqua e requerem outras opções que correspondam aos tempos pós-modernos que estamos experimentando. Sei que ninguém quer assumir, mas a escola como a conhecemos não tem mais razão de ser. Assim como o Vocacional, ela deveria ser um grande Banco de Dados em alguns sites para livre acesso via Google. Aliás, no último sábado (dia 8 de dezembro) houve um grande encontro da turma do Vocacional.

Além disso, em todo o mundo, a escola foi invadida por outros interesses. Gente muito má da laia dos capitalistas nojentos, traficantes, ladrões, pedófilos, narcisistas, prepotentes, etc… as invadiu. Claro que todos se apresentam devidamente disfarçados de educadores. Quando os pais levam os filhos para a escola estão escolhendo deixar que essas quadrilhas eduquem-nos. A Internet também tem gente má, mas oferece instrumentos muito mais seguros aos filhos e seus pais para evitá-los.

Um dos fenômenos que experimentamos com o nosso filho que não pode continuar na velha escola a partir da segunda série (expondo as falácias das propostas de inclusão) é que a grande rede pós moderna de comunicação supriu-lhe tudo e muito mais. Provavelmente o nível de aprendizagem dele ultrapassa, em muito, a média entre os jovens de sua idade. Claro que para dar continuidade, ele terá que sucumbir a bobagens retrogradas como certificados e diplomas (que deverão ser obtidos via supletivos da vida), expedidos por gente que não tem a menor noção do mundo em que está vivendo e sem nenhuma condição de avaliar e identificar um produto da educação pós-moderna autêntico.

Ah! Mas e a convivência, a interação e a sociabilidade como fica? A escola sempre buscou suprimir isso em meio ao desespero e arrepio dos professores, bedéis e diretores que gastaram grande parte do tempo reprimindo os alunos em seus relacionamentos. Essa gente é Montessoriana e deseja um bando de cordeiros sentados em cima da linha para impor seus conceitos bestializantes e curralísticos. Quando não, são imorais traficando sua imoralidade (denominada de nova-moralidade) e não estou falando da moralidade cristã. Creio que outros núcleos de socialização deveriam surgir. Infelizmente, os clubes esportivos e de lazer não foram adiante, também. Os governos não se preocupam com isso. Estão todos voltados para a corrupção, o petróleo e as fontes de energia e não tem tempo e dinheiro para essas insignificâncias necessárias ao ser humano. Em outras palavras, a escola não tinha essa proposta, nem o Vocacional, que estimulava a interação desde que fosse em sala de aula, sob o controle do grande irmão. Relacionamentos espontâneos, nem pensar. Sexo era pecado e fim. Devia continuar sendo praticado na calada da noite e sob o tapete da hipocrisia. Continua sendo, mesmo tendo ido de um extremo ao outro. As escolas não estão a fim de estimular o estudo sadio desse tema. Os defensores da nova moralidade estão deitando e rolando e o resultado aí está. Todos meus amigos consideram “normal” seus filhos “ficarem” por aí, nessa frenética troca de parceiros, com sexo promíscuo, álcool e drogas inclusos.

Comecei esse texto pensando na igreja. Parti da escola para chegar lá, mas não consegui sair da introdução. Então terei que escrever em duas ou mais partes. Mais ou menos, já deu para entender onde quero chegar, mas faremos isso nos próximos posts, se Deus quiser.