A Gruta do Lou

Alguns instantes, algumas frases…

 

Menino encostado na parede do corredor

Alguns escrevem em silêncio, outros sob uma boa música clássica e também gosto disso, há quem consiga alinhar as palavras ouvindo um bom Rock e acredite, até música gospel é capaz de inspirar outros. Estou escrevendo enquanto som e imagem do “24 horas”  rolam por aqui, fora os intervalos com anúncios do próximo Carnaval.

Ontem (agora 1:13 da madrugada do dia 19, e acabei de levantar depois de duas horas de sono) foi um dia muito louco para nós. Nada seguiu como havia planejado na véspera. Deus não respeita uma boa agenda, mesmo.

Ainda estava na cama quando a Dedé me avisou que o Thomas não estava nada bem. Desci correndo e o encontrei tremendo muito, agitado e gelado sob toque. naqueles instantes, decidimos levá-lo para a emergência do Hospital da Unimed, o melhor hospital da cidade e coberto pelo plano de saúde dele.

Logo que chegamos ele foi encaminhado para a sala de tratamento intensivo e, assim que ligaram o monitor de sinais nele, vi os índices bem alterados, pulso acelerado, oxigenação baixa, arritmia e febre muito alta. Continuava tremendo muito, ainda agitado e fiquei com essa imagem na mente.

Nesse momento, sai da sala para o pessoal poder trabalhar, mas a Dedé ficou. Fui para o corredor, de onde podia ver um pouco da movimentação dentro da sala, frases desconexas, mas não podia ver meu filho e minha esposa, só a imagem registrada, pouco antes.

Encostei na parede lisa, observei as pessoas por ali, havia aflição em alguns, preocupados com seus próprios familiares e os funcionários dançavam sua dança frenética para todos os lados.

Algo correu dos meus pés à minha cabeça, via espinha dorsal e senti um grande e terrível medo, meus olhos marearam e precisei fazer um grande esforço para não despertar a atenção dos que estavam por perto, com algum tipo de fraqueza sem honra.

Mais uma vez na vida, fui obrigado a esboçar uma oração desesperada, do fundo da alma e com todo o meu ser. Foram três ou quatro frases, quase o menor salmo ainda não canônico. Então, por alguns instantes, alguém desligou a tomada do tempo e me pareceu que tudo parara.

Logo os relógios retomaram sua missão inexorável e todos à minha volta, seus rumos e tarefas. Algo mudara dentro de mim, surpreendentemente, o medo me abandonara.

Entrei de novo na sala, toquei os pés dele como se desejasse que virtude saísse de mim e percebi que os demônios haviam se retirado. Agora só nós e a equipe do hospital.

A partir daí, o quadro evoluiu para a estabilização, os sinais foram melhorando gradativamente, a cada resultado de exame a certeza de que nada mudara para além do normal.

No fim do dia, relutante, o plantonista responsável assinou a alta, perplexo por não encontrar mais razão para mantê-lo internado.

Ainda falta saber a causa clínica específica disso tudo. Vou levá-lo para mais alguns exames de manhã, mas acho que sabemos onde pode haver um foco causador, os dentes.

Para tratar isso precisaremos de um dentista com saco roxo, como observou a Dedé, e que trate nosso filho segundo aquele juramento que todos os dentistas fazem antes de receberem seus diplomas.

Não sei como pagarei,  o plano de saúde não dá cobertura, portanto precisaremos resolver isso. Mas guardo comigo a certeza da presença daquele em quem tenho crido, apesar de minha proverbial incredulidade.

Bom dia a todos.


2 thoughts on “Alguns instantes, algumas frases…

  1. Procure o dr. Luis Corsi, na R. Barão de Cotegipe, 271, tel 3221-8694. Explique o caso. Não sei, mas pode ser… (ah, não fiz contato prévio com ele, mas pode mencionar meu nome).

    Obrigado Rubinho, vamos entrar em contato com ele. Depois te digo como foi.

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