Adoção e órfãos, por que não?


Noite dessas, inexplicavelmente, acordei pensando nos órfãos. Trabalhei nove meses em um abrigo para crianças e adolescentes, aqui em Sorocaba.  Em outro post, citei a benevolência das pessoas para com aquelas criaturas internadas, na época do natal, como se isso fosse tudo. Não sei por que, penso que esse tipo de tratamento dispensado aos órfãos não era bem o que Jesus tinha em mente quando mencionou essa tarefa como uma das partes da nossa missão.

Colocar aquelas crianças sob a guarda de uma instituição, onde os adultos responsáveis pelo cuidado direto delas têm direito à folga semanal, décimo terceiro e férias. Muito legal. Espero que a Dedé não me processe por eu não ter dado a ela esses direitos. Acho que ela espera que eu também não a processe pelo mesmo motivo. Criamos nossos filhos sem folga, férias ou décimo terceiro salário relativos a essa tarefa. Sempre foi tempo integral, ou seja, vinte quatro horas por dia, nos trezentos e sessenta e cinco dias do ano.

Gandhi tinha a mania de dizer aos hindus que reclamavam dos muçulmanos por terem assassinado seus filhos algo assim: Crie um órfão muçulmano, cujos pais foram assassinados pelos hindus, como se fosse seu próprio filho. Salvo engano, era isso que o Nazareno tinha em mente quando nos legou a missão de cuidar dos órfãos.

Sou devedor nessa causa. Durante um tempo, levei jovens para minha casa e os tratamos como filhos. Foi uma experiência tão real que quando foram embora não nos agradeceram, como fazem a maioria dos filhos. Paramos com a atividade, mas estamos errados. Deveríamos ter seguido em frente, sem esperar agradecimentos. Isso é a mesma coisa que eu faço com Jesus O Galileu em relação ao que ele fez por mim e mesmo assim ele o fez.

O número de órfãos no mundo cresce assustadoramente. As guerras, os terremotos, tsunamis, a irresponsabilidade com que o sexo é praticado, o descaso das autoridades, etc…, têm contribuído para esse aumento. O interesse pelas adoções, ao contrário, diminui. Sem falar nos obstáculos, cada vez maiores, criados para dificultar a prática. Órfãos também viraram mercadorias no jogo sujo do comércio nacional e internacional.

A cantora Madonna ganhou um novo fã: eu. Conseguiu isso não por causa de sua música exótica e sim por ter pegado um menino africano para criar como filho. Andei lendo aqui e ali palavras sobre o trabalho da igreja e do cristão.  Os órfãos são partes do nosso trabalho missionário. Não como objetos de interesses, mas como nossos próprios filhos.

Se a Dedé topasse, eu receberia mais uns bacuris para criar. Anda sobrando espaço aqui em casa.

Quer ser um missionário, crie um órfão como se fosse seu próprio filho.