A Gruta do Lou

Acredito em conspiração

Tinha quinze anos em 1966 e me dei conta, pela primeira vez, que Copas mundiais de futebol não eram sérias. Na Copa anterior, no Chile, os brasileiros precisaram usar de alguns chamados subterfúgios para evitar perder um Campeonato que estava praticamente ganho, mas isso não me fez pensar em manipulação, mesmo porque, aos onze anos, não tinha a malícia necessária a certas percepções. Foi a Copa da Inglaterra que fez o serviço sujo, pois foi roubada em favor dos anfitriões de fio a pavio. Para o Brasil não azedar a festa, corromperam nossa seleção na etapa preparatória, e todos nós presenciamos todos os tipos desmandos, decisões e atitudes inexplicáveis que só se tornaram explicáveis com o fiasco de nosso time naquela maldita Copa. Mas o privilégio não foi nosso, Argentina, Alemanha, Portugal e muitos outros times foram prejudicados em favor da seleção do tal Reino Unido que nunca foi tão unido assim.

A partir daí, percebi algumas coincidências interessantes, por exemplo, o mundo de futebol divide-se entre Europa e América. A única seleção nacional a vencer fora de seu lado continental foi a nossa, na Suécia em 1958. Provavelmente, ninguém havia pensado nessa possibilidade até aquela disputa. Uruguai venceu duas vezes, uma em casa e a outra no Brasil. Alemanha venceu na Suiça e a Itália venceu em casa e na França. A Copa de 1958 era favas contadas em favor da França com seu time fabuloso capitaneado por La Fontaine, mas que morreu na praia sendo goleado na semifinal por nossa seleção, com Pelé, Garrincha e Cia. Na final, batemos a dona da casa a Suécia. Desde então, isso nunca mais aconteceu, e a cada Copa, uma lá e outra cá, seleções do continente anfitrião venceram. Coincidência? Me engana que eu gosto.

Sabe, há um detalhe nessa história que vem desde 1958, ou seja, a presença de um senhor chamado João Havelange no palco dos acontecimentos. Segundo o jornalista Andrews Jennings, os maiores mafiosos do futebol mundial são: Josef Blatter e João Havelange que junto com o falecido Samaranch, que presidiu o Comitê Olímpico Internacional trocentos anos, dominavam o cenário esportivo mundial. Talvez você me diga que Havelange não está na FIFA há tempos, mas a verdade é que ele, apesar da idade, tem presença importante, tanto na Federação Internacional quanto na CBF na pessoa de seu ex-genro o senhor Ricardo Teixeira. Como diria um antigo repórter esportivo, o conhecido jornalista Juares Soares, onde Havelange está, é ele quem manda, independentemente de cargos ou mandatos.

Esses senhores citados cunharam a frase: Futebol é business, hoje repetida por todos os mafiosos da bola Jabulani, inclusive no Parque São Jorge. Isso explica, em parte, suas escolhas. Uma Copa do Mundo não passa de um grande circo, armado para trocar seu show em algum lugar por muito dinheiro.

Na presente Copa, que está acontecendo no continente africano, como brasileiro gostaria muito de ver nossa seleção campeã, pela sexta vez, apesar de ser dirigida pelo medroso e covarde (em termos de bola, pelo menos) Dunga, que a semelhança de Mano Menezes, provável próximo técnico da seleção, é adepto do tal futebol de resultados, segundo o ex-Jogador Zico a pior herança deixada pela tal grande equipe de 1982 que jogou bonito mas não levou. Entretanto, com a razão, não acredito que tal venha a suceder. Se eu fosse um capo da FIFA feito Josef Blatter ordenaria que vencesse essa Copa qualquer seleção, sem importar o continente de origem, menos o Brasil, pois ao Brasil está reservada a vitória na Copa de 2014 que deverá acontecer em nosso país e continente. Não me surpreenderia se Blatter , que é europeu, fosse ainda mais longe, destinando a Copa atual à seleção alemã, afim de colocar duas seleções europeias (Alemanha e Itália) com quatro conquistas, evitando que o Brasil se distanciasse muito em termos de conquistas mundiais. Para os europeus, é bom pensar em futebol em termos de business, mas eles nunca abandonaram pressupostos nazistas e fascistas de supremacia racial, coincidentemente, as seleções europeias que mais conquistaram copas mundiais.

Talvez esse tipo de europeu nos considere como a raça a ser superada, se bem que seria muito mais fácil nos imitar, mas isso a tradicional soberba europeia não toleraria. Diria que os superamos com nossa malemolência para não dizer malandragem, muito mais eficaz que o nazismo e o fascismo juntos, pelo menos quando o tema envolve uma bola de futebol.

Espero não acertar nessas minhas profecias, mas temo que elas acabem prevalecendo e não me surpreenderia se fosse ainda hoje, embora o cenário ideal para nos defenestrarem seria na final da copa ou, na pior das hipóteses, na semifinal, pois isso faria os brasileiros turistas permaneceriam mais tempo gastando seu suado dinheirinho em terras africanas. Bom saber que pelo menos nesse quesito, já somos mais respeitados lá fora.

3 thoughts on “Acredito em conspiração

  1. Um reparo: a Inglaterra não é o Reino Unido – que realmente não é nada unido. País de Gales e Escócia, por exemplo, fazem parte do reino unido, e odeiam os ingleses!!!

    Perfeito, obrigado pela reparação. Eles usam isso muito bem, quando é positivo, são todos Reino Unido e quando interessa eles lembram que são vários.

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