Abel, a Contribuição Libertadora

Creio ser mais importante nessa crise que afeta a Igreja como um todo, preservar a contribuição. Estou me referindo, principalmente, aos escândalos envolvendo pastores e igrejas famosas, onde há acusações graves e, no mínimo, importantes desvios de conduta e ética. Dois temas estavam esquentando a minha moringa, quando percorri os quarenta e três passos até o computador: A questão da contribuição e os cristãos sem igreja. Talvez não seja o melhor dia para eu escrever sobre isso. Nem uma coisa e nem a outra. Estou no dia “limite máximo” e, a partir de amanhã, estarei sujeito a perdas significativas e elas costumam ser inexoráveis. Embora venha obtendo meu sustento através dos bicos e do apoio de irmãos amigos e parentes, parece que as forças inimigas resolveram liquidar essas duas fontes, também, numa espécie de ataque definitivo. Pior é que estou sem forças. Um irmão que muito me ajudou, nos últimos anos, resolveu me abandonar, cansado e desesperançado por não ver resultados em seus esforços, sentimentos dos quais compartilho. Os Correios cheios de gente desonesta decidiu dar uma força e me privou de algo importante e os bicos, de repente, se tornaram escassos ao máximo. Só me resta esperar no monte “O Senhor Proverá”. Voltando à vaca fria, a maior conseqüência da atitude irresponsável, egoísta e individualista desses maus pastores é solapar um dos grandes pilares da fé judaica-cristã, falo da contribuição. A Bíblia, como todos nós estamos carecas de saber, traz extraordinárias revelações sobre a origem, a vida e o destino da raça humana e elas emprestam grande valor à beleza desse livro mágico e imprescindível. Como quase tudo nela, surpreende-nos desde o inicio a inclusão da contribuição como um dos pilares do viver agradável a Deus. A relação misteriosa e milagrosa entre produzir e contribuir é algo de extraordinária importância no tal Reino de Deus. Entretanto, logo de começo, o homem demonstrou grande dificuldade para se adaptar a essa lógica celestial inventada precipitadamente pelo Criador. Ficou claro isso quando Caim viu sua contribuição ser preterida à de Abel, por ninguém menos do que Jeová Giré. Mas essa passagem pontua a necessidade imperiosa de contribuir com qualidade em termos de reto coração em detrimento às quantidades. Mais do que isso, ela preserva os maiores propósitos de Deus, ou seja, amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Em outras palavras, a aceitação de uma contribuição depende de uma intenção verdadeira e absolutamente desprendida, visando alegrar a Deus e ao próximo para obter a satisfação própria, na pior das hipóteses. Quem busca contemplar a si mesmo, antes de tudo, comete o grande erro de Caim. Tanto os pastores e padres que buscam a contribuição para sua auto satisfação, quanto os contribuintes que o fazem com as mesmas intenções, estão ligados à contribuição do irmão mau. Desde Genesis até o Apocalipse seguem-se textos e textos narrando a saga do povo de Deus e, entre outras práticas importantes como a oração e o jejum, a relação tumultuada das pessoas e suas ofertas. Duas verdades aprendem-se daí; primeiro a contribuição é preceito divino e não pode ser maculada, nem em termos de descontinuidade e muito menos em termos do seu valor intrínseco. Segundo, a contribuição depende da “aceitação de Deus”. O pastor que se apropria da contribuição não a terá e o contribuinte que o faz de coração conturbado, tampouco. Quando o Soberano recebe nossa contribuição somos tomados por uma imensa e incomensurável benção atemporal, sobretudo, libertadora. Ai daqueles que intentarem contra a contribuição, pois serão lançados no lago de fogo, onde a choro e ranger de dentes.

lousign