A Gruta do Lou

A tal da liberdade


Críticos, temos aos montes. Para todo lado que você olhar, inclusive para dentro de si mesmo, haverá alguém com uma crítica à igreja, aos pastores, à teologia e ao Técnico da Seleção.

Certa vez, estava no escritório de um pastor, em principio, um amigo, e percebi uma energia ruim no lugar. A esposa andava de lá para cá cheia de ansiedade, enquanto nós jogávamos conversa fora, irresponsavelmente. Então a mulher não aguentou mais e lembrou o marido que o tempo estava se esgotando para resolverem algum problema que pairava por lá. Calmamente o anjo de Deus perguntou à esposa se ela tinha alguma solução, e a resposta foi negativa.

“Então não venha me trazer mais problemas, dos quais estou até a tampa, como você já sabe. Quando tiver alguma solução, me procure. E vê se não fica interrompendo, não vê que estamos em reunião pastoral?” Disse o pastor, com cara de maroto.

Todo mundo está careca de saber que a Igreja Cristã, mormente a protestante, por onde andei boa parte da minha vida, para azar geral, anda derrapando mais que piloto japonês de Fórmula Um. Bom, exceção seja feita aos pastores, bebezões famintos que vivem mamando nas tetas dessas instituições falidas espiritualmente que não querem ouvir essas observações nefastas. Aliás, esse modelo de organização social, sejam igrejas, governos, empresas e o raio que o parta organizado, nunca deveria ter existido, se quer, em minha modestíssima opinião.

Mas sobre isso já me manifestei claramente em diversas ocasiões,  veja aqui. Se você faz parte do rol dos meus amigos, nem precisava ler essa observação.

Toda essa introdução disforme se justifica, pois desejo propor uma solução para as pessoas, gente como eu, versada em uma vida espiritual, alguns com certo treinamento bíblico ou, pelo menos, leitores, de repente, estudiosos das escrituras ou coisa assim. Afinal, a instituição em todas as suas versões, melhor se fechasse as portas, sinceramente. Na verdade, a solução não é minha, quem me dera. Há pelo menos alguns milhares de senhores e senhoras pensando nela e não é de hoje. Fala-se nisso há séculos, casos de Tocqueville e Kierkegaard, por exemplo, que levantaram a bola com enfoques social e filosófico, dois séculos ou mais atrás.

Quando o povo de Deus resolveu querer um rei, como tinham os outros povos, Deus teria dialogado com as antas da época mostrando-lhes os pontos negativos dessa ideia de jerico. Entre outras coisas, teria mencionado o custo financeiro, o problema da hierarquia, sem falar na obediência inclusa, etc., etc., etc., mas os caras insistiram e conseguiram. O maior tiro no próprio pé da história. Daí para trazer o modelo para dentro da igreja, foi um pulo, alias, o que não trazem do mundo para dentro da Casa de Deus? Jesus que o diga.

Falando em Jesus, e já não é sem tempo, não me lembro de tê-lo ouvido discursar, no monte ou fora dele, sobre a Autoridade Pastoral, nem mesmo sobre pastores, diáconos, presbíteros e esse entulho organizacional retrógrado. Seus biógrafos também não ousaram inferir tal disparate. Quando os discípulos jesuítas começaram a assanhar-se em relação a posições e poder, Jesus lavou os pés de todos os presentes e disse em alto e bom som: “Quem quiser ser o maior, sirva a todos”. Acho que ele não gostava muito de hierarquias.

Por outro lado, apesar de todo o meu esforço em favor de liberar geral, sem falar no Augusto de Franco e sua Escola de Redes e no meu amigo Paulo Brabo, simpatizantes inclusos, muito mais militantes do que eu, estamos todos esquecendo de quem estamos querendo libertar. Ei! Acorda meu! Jesus fez a mesma proposta e não logrou êxito. Concluiu que era melhor resolver a coisa com as próprias mãos, sem falar no resto do corpo que foi todo crucificado.

Claro que a ideia primaria de Deus era uma raça livre, completamente livre. Mas já à saída, escorregou na liberdade e quis se igualar a ninguém menos do que o próprio criador à custa do que? Dela, a liberdade. Meu, tenho um horrível pressentimento de que quanto mais liberdade dermos às pessoas, pior elas serão ou ficarão. A Amy Winehouse que o diga, agora. As hierarquias, as milhares e milhares de leis, códigos, regulamentos, as instituições, governos, empresas e toda a tranqueira repressiva são péssimos, mas temo que a humanidade se lambuzaria de fio a pavio se conseguisse liberdade total. Coisa que jamais acontecerá. A esquerda e a direita estão unidas para impedir algo assim, sempre com aqueles discursinhos pró democracia e liberdade. Dá pra confiar nessas raças?

Sendo assim, só me resta voltar às escrituras e aquela mais tenra orientação divina: “Ame a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo“. Talvez isso nos torne verdadeiramente livres, ao menos dentro do nosso circulo de vida. Se não me engano, Jesus em pessoa acreditava em algo parecido com aquela observação aparentemente se nexo: “Conhecereis a verdade e a verdade os libertará

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