A Gruta do Lou

A segunda consequência

01/07/2013

A Segunda Consequência
A Segunda Consequência


Dias de grandes provações. Diz um conhecido pregador e teólogo que deveríamos agradecer a Deus por nossas dores e sofrimentos. Se isso for verdade, confesso estar bem longe desse “nível” de espiritualidade.

Até seria bom, pelo menos como uma forma de aceitação. Sabe como é né? Se a dor for alguma ação divina para nos purificar com vistas à tal vida eterna, ou algo assim vá lá. Não seria fácil, mas daria algum significado. Problema é acreditar nisso. Sofro de uma suspeita, quase certeza, de estar sofrendo por ser uma tremenda anta pelada, com as mãos no bolso. Então fica difícil concordar com o amigo citado.

Sabe, vou compartilhar um segredo, o INSS cancelou o benefício recebido pelo filho Thomas nos últimos três anos, quase simultaneamente ao falecimento dele. Sei bem como isso funciona e é assim mesmo. Não deu nem tempo de acertar umas continhas dele, sempre mantidas super em dia. Tudo bem, isso ficou por minha conta compulsoriamente e sinto até prazer em acertar, quando der. Só não entendo muito bem, por que praticamente 100% das pessoas (exceção de 03 fiéis amigos de sempre) também suspenderam as contribuições. Com elas eu mantinha o Projeto Coração Valente, embora na prática seja pouco mais de um site de informações. Mas ajuda bem a muitas pessoas que enfrentam cardiopatias congênitas, embora eu precisasse entrar com a maior parte, e com alegria, sendo o único problema arrumar a grana.

Enfim, c’ est l avie. Por outro lado, como fui consagrado ao ministério pelo finado Tio Cássio, Deus o tenha em bom lugar, embora sem o reconhecimento de seus sucessores (não posso esquecer de marcar hora com a Tia Noely e tratar desse detalhe, entre outras coisas), e ele me disse que meu ministério era pastoral, mas os sucessores dele entenderam ser só para missões. Isso muda tudo, pois ao invés de pastor eu seria um missionário. Entendeu? Pois é, nem eu. Mas quando fui pastorear a minha primeira congregação batista, o Pastor Silas Molochenco recebeu-me como pastor, depois de uma breve consulta telefônica ao Tio Cássio. Pelo jeito, nada disso foi documentado.

Você deve estar estranhando essa conversa, pois todo mundo sabe como não ligo a mínima para essas tolices quase seculares, ou melhor, isso só tem valor financeiro, mesmo. Valeu-me andar como uma espécie de pregador itinerante e maltrapilho, como gostava de nos nominar o Brenann Manning. Todo mundo (menos uns gatos pingados por aí) me acham tão espiritual e, por isso, não se preocupam como faço para viver e servir a Deus (coisa mais esquisita sô). Eles pensam que vivo pela fé, como se Deus me suprisse de algum jeito meio sobrenatural ou algo assim. Embora, muitas vezes, aparecesse uma grana inesperada na nossa conta bancária, de autoria desconhecida.

Se por um lado sinto enorme orgulho por perceber como o Thomas era o cara, por outro me sinto um lixo. Mais um motivo para não conseguir aceitar a partida dele. Com ele eu era mais gente, até me viam como um missionário. Ele me engrandecia, até nisso.

Arruinar de vez nossas finanças foi a segunda consequência dessa morte prematura de nosso filho, apesar de tudo. Ficamos sem ele, arrasados, despejados, sem destino conhecido e até meu ministério foi cassado. Meu quem tem que ser cassado é o Renam. Tô falando com o anjo responsável, suponho. Já te falei? Até meu dom de ver anjos sumiu. O Raniel não deu mais as caras. Aliás, se bem me lembro, desde quando começamos a tratar daquela maldita cirurgia, ele nunca mais apareceu. E eu, burro, não liguei os pontos. Devo ter sido exonerado do céu por incompetência.

Meus diplomas de formação universitária estão à venda, junto com mais duas ordenações digitais ao ministério cristão da palavra. Tudo em ótimo estado de conservação. Os interessados devem enviar e-mail para seleção e avaliação de nossa equipe.

102913_1540_Maisumadmir3.jpg

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *