A Gruta do Lou

A sabedoria dos pastores na arte de aconselhar pessoas

 

 

 

 

 Anselm Grun

 

 Nessa minha história recente e relevante com o blog, enfatizando temas teológicos ou outros sempre puxando-os para o molho dos liinistas estudantes das coisas divinas, surgiram questões a respeito da vida, saúde e desempenho mental das pessoas. Nada a estranhar, a psicologia e a teologia estão misturadas há séculos. Como diria Kierkegaard, a psicologia depende da teologia, o campo onde ela seiva e desenvolve seus ofícios predadores como fazem todas as pragas e joios. Segundo o bom conselho de Jesus, melhor não tentar separá-las agora sob risco de perder o que é útil e são e deixar esse problema para o final dos tempos, ou aquele dia, quando o Reino de Deus se estabelecerá.

Tenho tido a oportunidade de ensinar o Aconselhamento Cristão a muitos ministros mais jovens  (ás vezes para os mais velhos, também) pessoalmente ou através de cursos e seminários. Uma das partes desses eventos que requer muito cuidado é o delineamento do ministro cristão no papel de conselheiro. Não foram poucos os que buscaram socorro nas páginas da Gruta para suas questões emocionais ou mentais e continuam a chegar indagações a respeito, com freqüência. Entretanto, o blog é uma grande oportunidade para praticarmos aquilo que defendemos nas nossas escolas.

Nosso papel em relação às questões que incomodam ou adoecem as mentes  e relacionamentos das pessoas, muitas vezes com gravidade, continua sendo aquele que está restrito ao nosso job description ministerial. Podemos ouvir as pessoas, seus familiares e amigos, dar-lhes nosso carinho e afeto, mas nossas ações deverão continuar estritamente dentro do nosso campo e oficio pastoral. Elas incluem a oração e, talvez, a desmistificação capaz de aliviar a vítima.

Grande parte, se não todas, dessas pessoas chegam a esse estado devido à culpa, imaginando-se transgressores imperdoáveis de um ou de todos os mandamentos, quando não estão maculados, unicamente, pelo horroroso pecado original. Em tese, caberia ao ministro (pastor, bispo, apóstolo, etc.) desfazer os enganos teológicos contidos nessas cabecinhas ocas, causando-lhes imensa angústia. Mas, implorei aos meus pupilos, sempre, que na dúvida, orassem por essas pessoas e as despedissem em paz, depois de escutá-las atentamente.

Causa-me profundo terror imaginar o que um cara despreparado pode fazer a uma pessoa angustiada e carregando enormes fardos que lhes foram confiados desde que nasceram, por seus pais, irmãos, professores, pastores, padres, pais de santo, psicólogos, terapeutas e amigos. Até alguns patrões e políticos se arvoram nesse desserviço. Repararam como a maioria começa com “P”. Cuidado com o que começa com “P”.

Agora, um ministro jamais poderia meter-se a psicólogo ou psicoterapeuta (psiquiatras que descobrem a falácia de sua profissão e enveredam para o ramo da psicologia carregando seus blocos de receituário). Fico absolutamente perplexo e estarrecido quando um pastor (pode ser uma pastora) me informa que cursou ou está cursando psicologia. Não há nada mais paradoxal ou desconexo do que tal insanidade. A meu ver, tal atitude é similar a um postulante ao ministério pastoral ir fazer sua preparação ministerial no inferno. Essa restrição não se limita ao terreno do aconselhamento, sobretudo palpites pastorais com viés psicológico deveriam ser banidos dos púlpitos, livros, blogs e twitters de ministros. Só não é pior do que pastor metido a filosofo, outro bando de panacas falaciosos. Filosofia é coisa para gente grande e cheia de tempo para desperdiçar.

Claro que a vida é uma intricada rede de relacionamentos internos e externos e todos precisamos de uma boa dose de conhecimento e compreensão para entendê-los. Certamente, esse estudo se chama psicologia. O problema começou quando a psicologia deixou seu avental branco de analista e resolveu resolver os insolúveis problemas teológicos como tentativa inútil de solver os problemas da mente e dos relacionamentos. Nem os sacerdotes e pastores que criaram essa confusão são capazes de tal intento, agora, quanto mais essas pessoas que, para inicio de conversa, se auto denominam ateus. Não dá, nem pensar.

Como disse o Grande Mestre Jesus Cristo de Nazaré da Galilea, “a minha casa será chamada Casa de Oração”. Qualquer coisa que possamos fazer pelas pessoas em aflição, não importa a natureza dessa dor, seja física ou mental, nós só o faremos através da oração. Curas, libertações, enfim, milagres em geral só são possíveis quando oramos com fé. Só isso. Portanto, essa é a tarefa que nos cabe, somos pastores, apenas, não somos psicólogos, psiquiatras, psicoterapeutas ou o raio que o parta e, creia-me, é o melhor que podemos fazer pelas pessoas e para agradar a Deus.

Muitas vezes digo às pessoas atormentadas que orarei pelo perdão de seus pecados e sei, de antemão, que isso lhes causará estranheza, mas não sou o primeiro a experimentar essa reação e você sabe a que me refiro. Espero que tenha entendido o que estou tentando comunicar.

4 thoughts on “A sabedoria dos pastores na arte de aconselhar pessoas

  1. bom minha opnião, é que psicologia co teologia, podemos fazer com que as pessoas entendam melhor o mundo espiritual… lendo a Bíblia encontro muitos atos psicológicos principalmente quando meu Jesus fala em parábolas…

    1. Débora

      Claro que a Bíblia fornece material farto para o estudo de casos, perfis psicológicos, de relacionamento, etc. Nossa preocupação aqui, tem sido com o resgate da vocação primária da Igreja, ou seja, a Oração, o Oráculo, estudo bíblico, enfim, as coisas mais espirituais. Aquele grito de Jesus diante do templo contaminado: A minha Casa será chamada Casa de Oração.

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