A Gruta do Lou

A realidade na Gruta

*Não deixe de ler o lembrete, no final. É muito importante (E não pule para o final agora. Leia o post primeiro)

Na gruta a realidade é outra. Aqui vive o povo incomodado.
Estamos desesperados pelo socorro divino. Mas enquanto ele não chega (e é bem possível não chegar), a nossa situação é, digamos, um horror.
Estamos duros, desempregados por que somos velhos ou jovens demais para nos darem emprego. Não temos iniciativa. Somos despreparados. Procrastinamos. Adiamos.
Nossa luz, telefone, água e gás foram cortados. Não temos crédito. Nossos nomes estão no SPC e SERASA (lista de devedores do Serviço de Proteção ao Crédito ou dos Bancos).
Não recebemos visitas ou telefonemas de amigos. Só cobradores e oficiais de justiça aparecem.
Do correio, mais cobrança ou propaganda para consumo do que não temos como adquirir.
Nosso carro foi levado por falta de pagamento ou é tão velho que passamos mais tempo fora dele, empurrando-o, do que dentro dele.
Temos sobressaltos quando a campainha toca (da porta ou do telefone). Acordamos no meio da noite jurando termos ouvido alguém chamar, quando conseguimos dormir.
Nossos sapatos e roupas estão rotos, a comida está escassa. Estamos vivendo da benevolência dos parentes (que não nos poupam de suas sugestões).
Nossas panelas são velhas e amassadas e nossos copos são todos de requeijão.
Vivemos na periferia em casas mal construídas ou no centro, mas, o aluguel está sempre atrasado ou estamos sendo despejados por falta de pagamento.
Penhoramos tudo até as alianças de casamento e as perdermos por não conseguir pagar o resgate.
Achamos graça quando alguém reclama por ter recebido cartinha oferecendo cartão de crédito. Isso nunca nos acontece.
Nas nossas agendas não há o telefone de nenhum gerente de banco.
Nossos cônjuges estão a ponto de nos abandonar (ou já o fizeram), nossos filhos tem vergonha de nós.
Bebemos ou fumamos demais para esquecer nossa miséria.
Estamos solitários, mesmo quando tem gente em volta.
Perdemos nossos entes mais queridos ou vivemos com medo de perdê-los a qualquer instante.
Estamos doentes ou nascemos assim.
Alguém que amamos muito tem uma doença incurável.
Somos obnóxios. Queremos agradar sempre.
Quem amamos não nos quer e não queremos quem nos ama, ou pior, caímos na tentação de viver com alguém por pena. Alguns de nós nunca fomos amados e outros nunca amaram. Nosso amor foi embora e pior com nosso (a) melhor amigo (a).
Vivemos com alguém que nos trai e temos medo da separação.
Alguns de nós não suportamos mais ver nosso amor sofrer ao nosso lado.
A policia nos prendeu quando éramos inocentes. Estamos na prisão para pagar por nossos pecados e assistimos os pecadores livres pelas ruas.
A criança vomita e, advinha, em quem os detritos caem?
Somos conhecidos nos tribunais de tanto freqüenta-los, como réus claro.
Somos filhos de mães dominadoras e pais violentos ou de mães promiscuas e pais ausentes ou de pais mulherengos e mães beatas.
Nosso pior dia é a segunda feira e o melhor a sexta-feira. A melhor hora do dia é a hora que o banco fecha e a pior quando ele abre.
E o Deus que não nos quer, não nos liga, está o tempo todo com os teólogos ortodoxos ou os crentes nas igrejas. Gente que nunca esteve na Gruta.
Nosso Deus é outro. Está conosco aqui na Gruta. Chora conosco. Sofre conosco. Não é um Deus paternalista. Ele já nos deu tudo que tinha. A vida, a salvação, a vida eterna e o próprio filho. Mas, Ele não lida com dinheiro, emprego, negócios, namoro, casamento, amores impossíveis, doenças, deficiências, morte e outras misérias desse mundo. No mundo dele, essas coisas não existem.
Na Gruta percebemos nossa miséria. Decidir em que mundo viver.

* Lembrete: Não esqueça de visitar os Blogs: Lou Cave e Filantropia Br
# posted by Lou @ 10:43 AM

1 thought on “A realidade na Gruta

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