Leila Lopes e A Propaganda é a esposa do Pai da Mentira

Alguém disse que a propaganda é a arte de inventar completas mentiras feitas de meias verdades. Que maldade! Cresci em meio à propaganda. Não saberia dizer quanto tempo passei na ante-sala do caixa da McCann Erickson esperando para receber por serviços prestados por meu pai. Não era de todo mal, havia glamour ali e um monte de coisas que me encantava, a começar do esmero com que toda aquela gente se vestia. Sou meio hitchcockiano, gosto de mulheres muito bem vestidas, especialmente onde e quando elas devem estar vestidas.

Quando uma história, bordão, afirmação, negação, enfim, uma manifestação de qualquer ordem começa a ser repetida uma vez, outra vez e de novo, uma luz interior se acende e, pimba, o sistema anti crenças duvidosas é disparado e não consigo mais encarar aquilo como verdade. No mínimo, uma dúvida qualificada. Mesmo pessoas que aparecem muito ou falam demais, na maioria dos eventos, perdem a credibilidade, a meu ver. Não é possível alguém que sempre tem algo a dizer, sobre tudo.

Detesto ser rotulado como uma espécie de Papai Sabe Tudo (uma das melhores séries de TV que o mundo já viu), mas isso sempre acontece em casa. Acontece porque falo demais no conforto do lar e a tendência é tornar-me desacreditado. Não vejo a hora de voltar a ser um pai e marido pouco disponível, taciturno, sem opinião, nem mesmo sobre futebol. A propaganda foi inventada em alguma sala de visitas, de alguma família em Berlim, embora os norte americanos, certamente, dirão que foram eles que inventaram a mãe da mentira. Nada demais, eles acham que inventaram o avião, o automóvel e a bomba atômica.

Estamos sob o fogo cruzado e muita propaganda, a maior delas hoje, é ecológica, ou seja, diz respeito ao tal Aquecimento Global. Jesus e os personagens bíblicos devem ter errado suas falas quando estavam em cena, pois não me lembro de nenhum que tenha predito que o mundo acabaria com o aquecimento da Terra. Alias, os personagens bíblicos nem sabiam que o mundo era maior do que Israel. Mas fizeram previsões inacreditavelmente pertinentes, embora poucos saibam algo sobre elas. Talvez devêssemos propagá-las mais, se bem que, poderiam cair em descrédito, mais ainda.

Aliás, a Bíblia nunca foi tão desacreditada quanto agora, depois que se tornou muito conhecida, graças à propaganda. Durante séculos, ela era muito bem escondida do povão e todo mundo a respeitava tanto quanto a Deus. Mais um ponto para o Hitchcock. Quando eu era mais jovem (sic), metido a engraçadinho, tinha a mania de inventar eventos mirabolantes dos quais, só eu, dentre meus amigos, participara. Claro que incluía todas as pessoas que eles adorariam conhecer e nunca conseguiriam. As pessoas costumam valorizar muito mais o que não conhecem, em detrimento do que conhecem.

Acreditaram em “Aquecimento Global” por causa da propaganda, mas ela se tornou tão insistente que começam a dar sinais de dúvida e descrença. Meu professor de arte dizia que propaganda é uma parábola, no principio ela ajuda a tornar um produto conhecido e depois ajuda-o a ser enterrado. Anos passados, pesquisadores canadenses tinham outras teorias sobre as mudanças climáticas. Foi a época em que divulgaram informações sobre El Ninho e La Ninha. Em 1999, anunciaram que El Ninho partira e só voltaria em meados de 2009. Ele voltou, mas agora chama-se Aquecimento Global. Problema é que previram a volta de La Ninha, também, e ela sempre volta logo depois do primo El Ninho e, ao invés de calor, traz frio.

Cada um pode acreditar no que desejar, mas ouça: cuidado com tudo que é insistentemente propagado.

Ops: A atriz Leila Lopes suicidou-se hoje, ingerindo veneno de rato.