A Nova Reforma Protestante! Será?

Alertado pelo Alex Fajardo, o melhor repórter cristão da paróquia, saí de casa depois das 21 horas, um pecado para um velhinho de quase sessenta anos, para adquirir um exemplar da revista Época que traz uma reportagem com esse título e a seguinte chamada: Um movimento de fiéis critica o consumismo, a corrupção e os dogmas das igrejas – e propõe uma nova reforma protestante. Lendo a informação do Alex, vi que parte desses insurgentes citados eram blogueiros.

Tolo como sou, logo imaginei: Epa, andam me citando nesses tabloides sensacionalistas reacionários! Depois de ler nada menos do que nove páginas, a frustração, nem nesse tipo de revista e reportagem eu e minha Gruta subversiva somos lembrados. Como diria minha avó: “quem nasceu para vintém, nunca será um tostão”. Mas, mesmo por esses caminhos tortos, acabei lendo um texto que, se contiver alguma verdade, me deixa mais perplexo e desanimado com a “Igreja”, ainda. Melhor lembrar o complemento de papai ao ditado de vovó: “Filho, às vezes é melhor permanecer vintém.”

Negócio é o seguinte, na verdade a reportagem empolga-se com os perseguidores de pentecostais, uma grande sacanagem inclusive, pois mistura alhos com bugalhos ao colocar os anti-éticos Edir, Hernandes e Malafaia no cesto pentecostal. Pecador como sou, acho excêntrico um réu confesso de infringir o sagrado decálogo, mais exatamente aquele que preconiza o não adultério, falando mal dos caras só porque eles fazem o que a matéria chama de “Culto Show”. Posso estar, mas todos os citados são pecadores, se é que a minha bíblia está completa trazendo aquele maldito texto com aquela heresia vaticinando: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Ainda há aquela bobagem dita por Jesus sobre uns cretinos desejosos de tirar o argueiro do olho dos outros, enquanto mantinham a trave existente no próprio. Mas isso não deve ter a menor importância, certamente. Notei ainda uma certa insistência do texto em mencionar determinado pastor titular de uma igreja rica da zona oeste de São Paulo, em todas as páginas utilizadas,  nesse libelo reformador, para com isso fazer uma espécie de contraponto aos facínoras “pentecostais”.

Com essa minha mania de perseguir os perseguidores de pentecostais, percebi que todos os blogs citados são os que perseguem esses cristãos perseguidos, estranho né?. Onde está a Portas Abertas, defensora de cristãos perseguidos que não toma as providências cabíveis?  Afinal, boa parte dos cristãos que eles dizem defender são pentecostais. Ah, esqueci, negócio deles é perseguir os perseguidores muçulmanos que adoram uma sopinha quente de cristãos perseguidos com brócolis e macarrão in brodos.

Outra mania minha é essa de achar que todo mundo que esculhamba alguém está, na verdade, atraindo os holofotes para si próprio, ou para algum futuro porta voz dos protestantes. Não ligue, é só uma pequena suposição, depois da proposta anterior da Globo para o cargo, que não vingou. Talvez nossa grutinha querida tenha dado sua contribuição para tal. O medo dos globais para tais tentativas canhestras seria que os protestantes fizessem o óbvio, nomeando Edir ou Malafaia para o cargo; se bem que, de certa forma, eles o são naturalmente, afinal eles falam por cerca de uns setenta ou mais por cento do bolo protestante.

Entretanto, não quero ficar aqui denegrindo o autor do texto só para ganhar uma pouco de evidência, embora isso seja verdade, não é o mais importante. Desde o começo da Gruta, sonho com o dia em que os cristãos, no caso todos, pentecostais, ortodoxos, neo pentecostais ou batistas, saiam da gruta e venham para a luz; deixando, com essa atitude insana, de ver apenas as sombras, sendo que na gruta tem aquele negócio dos mais ricos ficarem mais à frente e pertinho das imagens projetadas nas paredes da caverna, enquanto que pentecostais e as turmas de Malafaia e Edir só consigam ver as sombras projetadas pelos ricos que vêem as sombras originais.

Posso ir mais longe ainda, para mim uma verdadeira reforma protestante, inclusive para corrigir aquele reformazinha equivocada de Lutero, que nunca atravessou o Atlântico, segundo me informaram meus assessores para assuntos aleatórios, seria a desigrejização (termo cunhado nos porões da Gruta). Atualmente, imagino isso acontecendo numa rede distribuída onde consigamos evitar abundâncias que possam trazer escassez. Como nos ensina Ausgusto Franco com seu texto: A lógica da abundância: “Uma das coisas mais bacanas das redes sociais distribuídas é a chamada “lógica da abundância”. Dizendo de outra maneira, de uma perspectiva menos estrutural e mais processual: se você não produz escassez quando se propõe a regular qualquer conflito, produz rede (distribuída); do contrário, produz hierarquia (centralização)”.

Penso que só haverá uma reforma, e não apenas protestante, mas cristã, quando não houver mais igrejas, pastores, cultos, escolas, seminários e todo o pacote, apenas os cristãos sob a inspiração divina, não importa como.