A Gruta do Lou

A morte tem razão

Um velho amigo sempre dizia: “É, a morte tem razão.”Ele morreu faz tempo.

Sei do impacto causado por ela. No fim de semana passado, um carro atropelou uma senhora e quatro filhas que voltavam da Igreja, matando todas elas. Um homem dançava todo contente e um infarto fulminante tirou sua vida. Tragédias terríveis.

Entretanto, a morte não precisa esperar. Ela pode requerer quem desejar a qualquer hora. Ela tem razão. Qual? A mais simples de todas: um negócio chamado pecado. O pior é que todos pecaram e deram à morte o alvará necessário. Ela tem direito sobre cada um de nós.

Deus abriu um outro caminho para a vida eterna, mas não revogou o poder da morte. Todos os pecadores estão condenados a passar pelas garras dela. Xiii!

Sei que era tudo que você queria ler, em pleno domingo, dia das mães. É, o Galvão Bueno disse que era dia das mães na Europa e depois a produção o fez corrigir. Coisa rara. Só é dia das mães na França e nada disso tinha a ver com o Grande Prêmio de Mônaco, deste ano (um dos mais chatos que vi na vida) ou com o tema desse post.

Às vezes ouço ou leio alguma coisa, em algum lugar, e isso fica me incomodando. Jesus, aquele insistente salvador, não andou por aqui acusando as pessoas. Ele sabia da condição geral do povo. Sua predica consistiu mais em dizer para o pessoal que o Reino de Deus havia chegado. Em outras palavras: “Daqui para frente, tudo vai ser diferente, você vai ter que aprender a ser gente; seu orgulho não vale nada”, como diz a letra da música do Roberto Carlos, um cantor e compositor que andou entre nós, há séculos ou teria sido Jesus? Bom, não importa.

Pecado que gera a morte é uma equação líquida e certa. Alias, em desuso, há muito tempo. Nenhum pregador, especialmente se for o pastor da igreja, utiliza essa velharia sem seus sermões. Nem o Papa fala essas bobagens inventadas por seus antecessores, muito tempo atrás.

Negócio agora está mais voltado às mensagens mais globalizadas, como a responsabilidade para com o planeta (viram o vídeo ali em baixo?), as questões sociais e a teologia pós- moderna, no caso do público mais cult e a prosperidade, milagres e autoridade para o povão neopentecostal.

Às vezes, essas coisas se misturam. Eu mesmo, sucumbi e me envolvi com a benemerência desse tempo, veja  o post sobre o Projeto Coração Valente. Se bem que o Thomas foi mais determinante, nesse caso.

Vocês viram quem me achou via blog? Está nos comentários do post anterior (De si mesmo), ninguém menos que Tia Arlete. Para quem não sabe, ela é uma espécie de eminência parda na história da evangelização brasileira. Algum dia, os historiadores terão que fazer-lhe justiça. Ela salpicou quase todos os ministérios importantes das últimas três décadas com sua espiritualidade autêntica e bíblica.

Alguns se desviaram de seus ensinamentos e deram com os burros n’água. Tive o privilégio de andar com ela, durante o tempo que antecedeu sua ida para a Espanha, onde esteve por quinze anos. Aprendi muito com ela. Não precisa dizer que não parece. Sei disso.

O fato é que ela voltou para o Brasil, há dois anos e meio, e só agora fiquei sabendo. Ela está liderando um grupo que se reúne todos os domingos, pela manhã, lá na Igreja Assembleia de Deus Bereana (na Rua Joaquim Távora, Vila Mariana, em São Paulo), do Pastor Walter Brunelli, outro com quem trabalhei muitos anos. Cara velho é assim, conhece todos os santos e todos os demônios. Claro que estou falando de gente divinamente consagrada, no momento. Não me venham com gracinhas.

Fiquei muito feliz em falar com ela ao telefone, ontem à noite. Farei grande esforço para encontrá-la, o mais rápido possível e fazer daquelas loucuras ultrapassadas: orar. Ela é uma das remanescentes do tempo em que se orava antes de abrir a boca. Uma raridade. Ela lembrou que eu gosto de pizzas. Acho que preciso rever meus conceitos.

E o que tudo isso tem a ver com a morte? Sei lá. Diria, apenas, que a Grande Boa Nova está mais para a mudança de mente (metanóia), para um novo rumo em nossas vidas, como ensinou o Mestre Jesus e a mestra Tia Arlete. Coisas antiquadas como fé, oração e perdão. O resto é o resto.

A morte virá buscar a todos, inexoravelmente, mas ela é mais uma perdedora. O grande barato de Deus será humilhá-la, eternamente. Não tenham medo. Aliás, perder o medo da morte é um dos últimos aprendizados na senda cristã.

Capricornio PB

9 thoughts on “A morte tem razão

  1. Tomara Wander, oxalá você seja um dos transformados a não experimentar a morte. Eu já estou devidamente alinhado entre os que caminham para os braços de dona morte. Sou pecador e dos grandes.

  2. Lou, O inspirado poeta Salomão disse pra tudo tem o seu tempo. Mas confesso, ainda não me acostumei com a dor da perda. Nesse momento minha alma se transforma numa floresta em chamas.

    Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (…) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora…

  3. Francisco
    Apesar da inexorabilidade da morte, dificilmente a aceitamos para nós ou para nossos entes queridos. Você tem minha solidariedade total em apreço e orações.

  4. O paulo ou o Daniel é judeu?

    Sabe aquela coisa de um Deus Pessoal (Plural) que foi separado de nós pelo pecado, mas reatado por Cristo? Pois é, me intriga Jesus ter dito que vinha um que não tinha parte com Ele, como que dizendo que nós teríamos, pela morte.

    Nós matamos a morte de raiva ao anunciarmos o Messias, o grande vencedor. Pois, em se tratando de nos tornarmos inimigo do inimigo que nos há de tomar, nos tornamos amigo do Amigo que nos há de arrebatar. Ops, falei. Mas que inevitável dúvida, quer dizer esperança.

    Abraço.

  5. Adoro assuntos de morte, mesmo. É ela o determinante inexorável do porvir, sendo revogada apenas/se Deus intervir. Pensar no fim do mundo me dá um alívio que só confesso aqui, na internet, por que me sinto resguardada de retaliação.
    Lou, eu agradeço pelo seu desejo de me ver feliz e confio que sim, vai dar tudo certo.
    Abraço fraterno para ti.

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