A luta com a Palavra de Deus


“A Luta com a Palavra de Deus leva ao encontro com Deus e, portanto, a um novo encontro conosco mesmos e, de repente, compreendo a Deus em minha própria existência. …

Portanto, a palavra de Deus não quer comunicar-nos alguma informação, mas uma compreensão nova acerca de nós mesmos.”

Anselm Grun em O Céu começa em você.

A certa altura, no evangelho de Marcos. v 4:34, nos deparamos com a informação: “E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos”, que remonta a Salmos “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade” ( Sl 78:2 ). Nesse sentido, podemos inferir que Jesus seguia à risca essa norma. Todos nós sabemos o quanto ele usou e abusou dessas figuras de linguagem, durante seu ministério por aqui.

O literalismo consciente é moderno, alicerçado no fundamentalismo dos fatos do iluminismo (conforme ensinam Borg e Crossan) causando efeito de uma visão de mundo muito diferente das visões pré-modernas, uma nova ontologia. Na moderna visão de mundo, o que é indubitavelmente real é o universo espaço – temporal feito de matéria e energia, operando de acordo com leis naturais de causa e efeito.

Definitivamente, não podemos condenar, a priori, a todos aqueles incapazes de entender o incluso significado das inúmeras mensagens contidas na Bíblia, em seus dois Testamentos. O Grun, citado acima, é um monge, cuja dedicação principal em sua vida é a busca por uma espiritualidade total. Gosto disso e sou um leitor contumaz dos temas e autores ligados à espiritualidade.

Certa vez, convidado a falar sobre o tema, de supetão, surpreendi-me com minha fluência, pois nunca havia falado em público sobre ele, antes disso e, muito menos, feito algum estudo prévio para algo assim. Foi preciso me lembrarem de parar de falar.

Mas meu enfoque aqui é mais abrangente, apesar do texto bíblico esconder em suas grutas e catacumbas centenas de mapas e diagramas para nossas vidas, faz muito mais, a meu ver. Ele também contém direcionamentos para as nações, sobre o porvir e, acima de tudo, a respeito de Deus, seu Filho, seu espírito e seu Reino.

Além das parábolas, enigmas, metáforas e trocadilhos, a Bíblia está repleta de outras formas capazes de esconder verdades profundas sobre Deus e sua criação. Poesia, narrativas, exemplos, crônicas, histórias e outros mecanismos linguísticos estão ali guardando a entrada para o Paraíso. A chave necessária para nos dar acesso ao tesouro não é do tipo alfanumérica, mas requer atitude de nossa parte, geralmente, despojamento e fé.

Adoro participar de estudos onde seja possível debater, ouvir e meditar na Palavra de fogo de Deus. Fiz isso com vários grupos, entre eles, universitários formados ou em formação, iluministas contumazes e duros para conseguirem passar pela porta. Mas depois que entram, o resultado torna-se emocionante.

Uma simples conclusão, anexa, seria a constatação de que a metodologia missiológica pode estar equivocada em grande parte. Talvez, ao invés de ir para fora de nós, até os confins da terra, o verdadeiro objetivo em nossa luta com Deus, possa ser entender “confins da Terra” como o mais profundo de nossas almas. Mergulhe nesses textos e descubra-se, encontrando o Reino de Deus, sua justiça e o próximo.

lousign